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segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Estimulação elétrica do cérebro durante o sono pode melhorar a memória

Quando você dorme, seu cérebro está ocupado armazenando e consolidando as coisas que você aprendeu naquele dia, coisas que você precisará que estejam na sua memória amanhã, na próxima semana ou no próximo ano. Para muitas pessoas, especialmente aquelas com condições neurológicas específicas, defeitos na memória pode ser um sintoma debilitante que afeta o cotidiano de maneiras profundas. Pela primeira vez, cientistas da Escola de Medicina da Universidade da Carolina do Norte (UNC), EUA, reportaram usar estimulação transcraniana por corrente alternada (tACS, na sigla em inglês) para marcar uma parte específica do cérebro durante o sono e reforçar a memória em pessoas saudáveis.


Os achados, publicados na revista científica Current Biology, oferecem um método não invasivo para ajudar, potencialmente, milhões de pessoas com autismo, Alzheimer, esquizofrenia e depressão profunda.
Por anos, pesquisadores registraram atividade elétrica cerebral que oscila ou se alterna durante o sono; elas se apresentam como ondas em um eletroencefalograma (EEG). Essas ondas são chamadas de fusos de sono, e cientistas suspeitam que estejam envolvidos na catalogação e armazenamento de memórias enquanto dormimos.
"Mas nós não sabíamos se os fusos do sono só permitiam ou realmente faziam que as memórias fossem armazenadas ou consolidadas,” disse o autor sênior Flavio Frohlich, PhD, professor assistente de psiquiatria e membro do Centro de Neurociência da UNC. “Eles podem ser apenas meros produtos de outros processos cerebrais que permitem que o que nós aprendemos seja armazenado como memória. Mas nossos estudos mostram que, de fato, os fusos são cruciais no processo de criação de memórias que precisamos para o cotidiano. E nós podemos focar neles para melhorar a memória.”
Isso marca a primeira vez que uma equipe de pesquisa reportou focar especificamente em fusos do sono sem também incrementar outras áreas naturais de atividade elétrica do cérebro durante o sono. Isso nunca foi feito com estimulação transcraniana por corrente direta (tDCS, na sigla em inglês), a prima mais popular da tACS, em que uma corrente constante de baixa eletricidade é aplicada ao couro cabeludo.
Durante a pesquisa de Frohlich, 16 participantes homens foram submetidos a uma noite de sono com estimulação como parte de um estudo de duas noites.
Antes de irem dormir, os participantes realizaram dois exercícios comuns de memória  - testes de pareamento de palavras associadas e de sequências motoras, que envolvem bater os dedos repetidamente em uma superfície em uma determinada sequência. Durantes as duas noites de estudo, eletrodos foram colocados em locais específicos da cabeça dos participantes. Na primeira noite de sono, cada pessoa recebeu tACS - uma corrente alternada de baixa eletricidade sincronizada com os fusos de sono naturais do cérebro. Na segunda noite de sono, cada pessoa recebeu uma estimulação falsa, que serviu como placebo.
Em cada manhã, pesquisadores fizeram os participantes realizarem os mesmos testes de memória padrão. A equipe de Frohlich não encontrou melhora nos resultados do teste de pareamento de palavras associadas, mas descobriu uma melhora significativa nos testes motores, comparando os resultados da noite de estimulação e da de placebo.
"Isso demonstrou uma ligação causal direta entre a atividade elétrica dos fusos do sono e o processo de consolidação de memória motora.” diz Frohlich.
Caroline Lustenberger, PhD, primeira autora e colega pós-doutora de Frolich em seu laboratório, disse que estão “animados com isso porque sabemos que fusos de sono, junto com a formação da memória, são prejudicados em pessoas com doenças como esquizofrenia e Alzheimer. Nós esperamos que o foco nos fusos de sono possa se tornar um novo tipo de tratamento para déficits cognitivos e danos de memória.”
Frohlich diz que "o próximo passo é tentar a mesma intervenção, o mesmo tipo de estimulação cerebral não invasiva, em pacientes que tenham déficits conhecidos na padrão de atividade dos fusos.”

A equipe de Frohlich usou tACS anteriormente para focar nas oscilações Alfa naturais do cérebro, com objetivo de estimular a criatividade. Isso foi uma prova de conceito: mostrou que era possível focar nessas ondas cerebrais em particular, que são proeminentes no processo de criação de ideias, meditação e divagações. Essas ondas são prejudicadas em pessoas com doenças neurológicas e psiquiátricas, incluindo depressão.



Universidade da Carolina do Norte

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