Loading...

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Ruídos auxiliam o funcionamento do cérebro

Na maioria dos casos, o ruído é considerado um incômodo e costuma causar problemas de saúde quando somos expostos a ele por muito tempo. A novidade é que sob condições específicas pode fazer nosso cérebro funcionar melhor. Mais de uma década de investigação sugere que, sob algumas circunstâncias, uma pequena “injeção de ruído” é capaz de “afinar” a maneira pela qual um organismo percebe o ambiente, tornando-o mais sensível. Por exemplo, lagostas são mais eficientes em detectar os movimentos sutis de peixes predadores quando a água é turbulenta do que quando está calma. Os seres humanos são mais capazes de reconhecer uma imagem fraca em uma tela quando uma pitada de ruído é adicionada a ela. 


A maneira específica como se dá esse processo ainda está sendo estudada pelos cientistas, mas já existem algumas pistas.
Tanto no caso de crustáceos quanto no de pessoas que percebem as figuras, a fonte de ruído é externa ao organismo, mas os cientistas levantam uma possibilidade intrigante: a evolução pode nos ter ajudado a incorporar alguns ruídos que ajudariam no funcionamento do cérebro. Alguns neurocientistas acreditam que circuitos neurais das mais variadas espécies são “barulhentos desde a concepção”. Porém, isso não significa que esse som seja perceptível. O neurocientista Gero Miesenböck, pesquisador da Universidade de Oxford, descobriu um circuito cerebral, parte do sistema olfativo damosca-da-fruta-Drosophila, que existe especificamente para gerar ruído para melhorar o funcionamento do cérebro. Ele acredita que sua descoberta tem implicações para o cérebro humano, já que a arquitetura básica do sistema olfativo da Drosophila é comum não só para todos os insetos, mas também a todos os vertebrados – incluindo os seres humanos. Se Miesenböck e seus colegas estiverem certos, pode ser que essa produção de som seja uma característica mais comum na natureza do que julgávamos até recentemente.

Esta matéria foi publicada originalmente na edição de julho de Mente e Cérebro, disponível na Loja Segmento: http://bit.ly/29SXuYj  
Leia mais: 

Por que gritos atraem tanta atenção?
Existem áreas cerebrais especializadas em interpretá-los como sinal de perigo; estamos preparados, por exemplo, para captar o choro de uma criança mesmo em ambientes barulhentos

Ondas cerebrais de alta frequência garantem noites mais tranquilas
Fusos do sono são responsáveis por permanecermos adormecidos mesmo em locais barulhentos

Nenhum comentário:

Postar um comentário