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sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Novos experimentos avançam estudo de doenças mentais

Nenhum órgão do corpo humano é tão difícil de ser estudado como o cérebro. Fazer uma biópsia cerebral costuma ser uma tarefa bem mais desafiadora que realizar o procedimento em tecido vivo do fígado, pulmão e coração, por exemplo. Essa dificuldade de observar células neurais em atividade dificulta os esforços da ciência para entender transtornos psiquiátricos do ponto de vista biológico. Porém, pesquisadores identificaram uma nova abordagem promissora, capaz de revolucionar o estudo e o tratamento de quadros como esquizofrenia, autismo e transtorno bipolar. 

Um grupo liderado por pesquisadores do Instituto Salk para Estudos Biológicos, em La Jolla, na Califórnia, transformou células da pele de um paciente com esquizofrenia em células-tronco adultas e, na sequência, promoveu o crescimento delas como neurônios. O enovelamento das células cerebrais resultante forneceu a primeira visão em tempo real da esquizofrenia humana em escala celular. Outro grupo de cientistas converteu células de pele humana diretamente em células nervosas sem passar pelo estágio intermediário de células-tronco, tornando o processo potencialmente mais eficiente. Os grupos publicaram seus resultados no periódico científico Nature.
Pesquisadores já haviam simulado a doença numa placa para compreender melhor as células em forma de foice da anemia e de arritmias cardíacas. Mas o grupo do Instituto Salk, liderado pelo neurocientista Fred H. Gage, foi o primeiro a aplicar a abordagem para um transtorno neuro-psiquiátrico geneticamente complexo. O grupo descobriu que neurônios originados de pacientes com esquizofrenia formaram menos conexões entre si em comparação a pessoas sem o diagnóstico. Os cientistas associaram esse déficit à expressão alterada de aproximadamente 600 genes, quatro vezes mais do que já havia sido estudado.
Apesar de a pesquisa ainda estar na fase preliminar, muitos neurocientistas estão otimistas. “Em princípio, a abordagem pode melhorar terapias, permitindo que os psiquiatras examinem diversas drogas para encontrar a mais eficaz para cada paciente”, avalia Gage. “O estudo abre espaço para uma infinidade de novas áreas de trabalho”, acredita Daniel Weinberger, diretor do Programa de Genética, Cognição e Psicose do Instituto Nacional de Saúde Mental dos Estados Unidos. Ainda não está claro que respostas e caminhos práticos a abordagem das células-tronco pode fornecer, mas o fato de tornar acessível o que parecia inalcançável anima médicos e cientistas e revela possibilidades que até agora sequer podiam ser consideradas.
Esta matéria foi publicada originalmente na edição de agosto de Mente e Cérebro, disponível na Loja Segmento: http://bit.ly/2bfD9N6 
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