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quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Psicologia da Vaidade – O que vão pensar de mim?

Na psicologia, a vaidade é definida como o traço de caráter que se resume à preocupação constante: “O que vão pensar de mim?” Conheça os tipos de vaidade
Olá amigos!
Continuando o nosso Curso sobre a Psicologia Individual de Alfred Adler, vamos falar hoje sobre um aspecto importante do seu livro A Ciência da Natureza Humana, parte 2, “A ciência do caráter”, que trata dos traços agressivos de caráter, começando pela vaidade.
“Vaidade das vaidades, tudo é vaidade” diz o livro saturnino Eclesiastes, provavelmente de Salomão. Não há como iniciar um texto sobre a vaidade sem citá-lo. Afinal, sob certo ponto de vida, tudo é vaidade e todos somos vaidosos.

Definição de Vaidade

A palavra da moda ostentação, ostentar, é um dos sinônimos que encontramos para vaidade no dicionário. Assim como vanglória, presunção e definições mais gerais: “qualidade do que é vão, instável ou de pouca duração; desejo imoderado e infundado de merecer a admiração dos outros; presunção malfundada de si, do próprio mérito.
Etimologicamente vaidade vem do latim vanitate que designa o que é vão, o que é fútil, o que é vazio. Mas penso que no dia a dia aprendemos desde pequenos o significado da palavra vaidade, de modo que uma definição precisa não chega a ser necessário.

A Psicologia da Vaidade

Psicologicamente, nas concepções de Adler, podemos entender que a vaidade é o traço de caráter de quem está “sempre a cogitar no que os outros pensam dele” (Adler, 1961, p. 188). Em outras palavras: [a vaidade] leva os indivíduos a pensar constantemente em si, ou, quando não dê isso, na opinião dos outros a seu respeito” (Adler, 1961, p. 189).
O indivíduo vaidoso, deste modo, encara a vida, a sua relação com todos os fatos e com todas as pessoas pela seguinte perspectiva: “Que vantagem poderei tirar disto?” (Adler, 1961, p. 189).
Como temos visto aqui no nosso Curso Gratuito sobre a Psicologia de Adler, para o criador da psicologia individual um dos aspectos mais importantes da vida psíquica é o senso de sociabilidade, ou seja, a adaptação do indivíduo ao meio em que vive de modo a contribuir para a sociedade como um todo.
Por isso, o autor faz questão de deixar clara a diferença entre senso de sociabilidade (que é avaliado de maneira positiva) e vaidade (que é avaliada de maneira negativa). Se lermos com calma a perspectiva de Salomão, veremos que o escritor hebraico entende a vaidade como ubíqua e uma força por trás das nossas ações.
Para Adler, é preciso fazer uma distinção. Quando um artista produz uma obra genial, o faz não por vaidade, mas a despeito dela. Em toda e qualquer criação realmente útil (ou que contribua de alguma forma com a sociedade) há o senso de sociabilidade. A vontade de ajudar, de servir, de contribuir.
A vaidade, por outro lado, é um traço egoísta. O vaidoso preocupa-se tão somente com ele mesmo. Na maioria dos casos, a vaidade não vai impelir para uma elaboração que seja útil socialmente. Pelo contrário, vai acabar prejudicando os que estão ao redor.
Um exemplo tornará esta distinção entre vaidade e senso de sociabilidade mais evidente.

Tipos de vaidade

Uma menina extremamente mimada pode descobrir desde cedo que o modo como se veste é um importante fator que vai qualificar o modo como os outros vão pensar a seu respeito. Com isso, ela pode literalmente infernizar a vida dos seus progenitores para que comprem roupas caras, mesmo que os pais ou cuidadores não possam arcar com os custos e mesmo que o preço final da roupa seja um absurdo. É um exemplo do ter apenas para ostentar.
Através deste exemplo, podemos ver como a vaidade desta menina não contribuirá em nada com as pessoas que a cercam. Pelo contrário, com motivos egoístas, acaba prejudicando a saúde financeira da família.
Entretanto, este exemplo não é de todo representativo das formas nas quais a vaidade pode aparecer. Adler cita casos que atendeu em seu consultório de pessoas que procuram se afastar de todo e qualquer convívio social porque não querem ser avaliadas negativamente pelos outros:
“Em lugar de prestar sua contribuição, o vaidoso ocupa-se principalmente com queixas, desculpas e explicações. É que estamos em face de artifícios da alma humana, da tentativa do indivíduo para conservar, a todo transe, seu sentimento de superioridade, resguardando o amor próprio de qualquer ofensa” (Adler, 1961, p. 190). Este tipo de consideração, consciente ou inconscientemente, encontra-se presente nos casos de timidez e fobia social. Como a frase que vi estes dias: “Você não tem medo das pessoas. Você tem medo de ser rejeitado”.
Como existe um fosse entre a vaidade e o senso de sociabilidade, os diversos tipos de vaidosos geralmente estão distantes ou contra a sociedade. Adler menciona o tipo vaidoso que tem um “complexo de menosprezo”, ou seja, para se arrogar da própria importância, adora diminuir os outros:
“A hostilidade social manifesta-se muitas vezes com modos ríspidos e críticos. Aqueles inimigos da sociedade estão sempre a censurar, reparar, ridicularizar, julgar e condenar o mundo. Acham-se descontentes de tudo. Mas não basta reconhecer o mal e condená-lo! Cumpre que nos perguntemos: que fiz eu para as coisas se tornarem melhores”? (Adler, 1961, p. 195).

Conclusão

Adler reconhece que a vaidade, em maior ou menor grau, encontra-se presente em todos. Por isso, ele diz: “O menos que podemos fazer é procurar melhores formas e manifestações desse sentimento, de modo que, se temos de ser vaidosos, ao menos empreguemos nossa vaidade em benefício da coletividade!” (Adler, 1961, p. 196).
Ao longo deste capítulo do Ciência da Natureza Humana, o que podemos depreender é que Adler critica os tipos de vaidade que possuem fins somente egoístas. Tipos que prejudicam a própria pessoa, as pessoas que estão ao redor e, virtualmente, toda a sociedade.
Um tipo de confusão comum é achar que a vaidade e o senso de sociabilidade são próximos. Como falamos no texto, o senso de sociabilidade (a vontade construtiva de ajudar a sociedade) pode ter força apesar da vaidade.
Um exemplo da nossa área de estudos nos ajuda a entender. Freud, como sabemos, é considerado atualmente um dos mais importantes autores do século XX. Sua obra influenciou não só a área psi como as ciências humanas e até as artes (vide o surrealismo). Porém, no começo de sua carreira, as suas ideias não eram aceitas. Muito pelo contrário, ele foi muito criticado pela etiologia sexual das neuroses.
Se fosse um sujeito vaidoso ao extremo, ele poderia ter paralisado com estas críticas e parado as suas publicações. Isto não aconteceu, é claro, mas isto não quer dizer que ele não tenha sido vaidoso. O seu senso de sociabilidade – na ideia de que a psicanálise representava uma importante ferramenta na cura das neuroses – o fez superar as críticas negativas e continuar.

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