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terça-feira, 9 de agosto de 2016

DETOX NOTURNO : EMAGREÇA E MELHORE A SAÚDE

ANTES DE IR PARA CAMA, BEBA ESTA MISTURA: ELA VAI ELIMINAR TODA A GORDURA CONSUMIDA DURANTE O DIA!
Já falamos em outros posts sobre a importância de eliminar toxinas do corpo.
Além de ajudar a emagrecer, alivia sensações ruins (como gases) e evita uma séries de doenças.
Com a receita desta poderosa bebida laxante, você pode desintoxicar o fígado e todo o sistema digestivo.
Trata-se de um remédio natural e sem contraindicações.
Você deve consumir a bebida à noite antes de ir para cama.
A aparente desvantagem de um laxante natural e saudável é que ele não tem feito imediato.
No entanto, isso é necessário para que o corpo se limpe e absorva os nutrientes saudáveis dos ingredientes.
Se você não sabe, o corpo armazena gordura que se transforma, posteriormente, em energia.
Se a gordura for em excesso, então uma parte ficará no tecido adiposo.
O que isso significa?
Aumento de peso.
O laxante natural que ensinaremos a fazer é bom para quem sofre com prisão de ventre e indigestão.
Durante o tratamento, não deixe de comer alimentos saudáveis.
Como dissemos, o remédio deve ser consumido à noite, antes de você ir dormir.
Faça isso durante dois dias consecutivos.
O tratamento pode ser repetido mensalmente.
à medida que o corpo se fortalece e o fígado se limpa, as propriedades laxantes da bebida começam a dissolver as toxinas aderidas às paredes intestinais.
E, dessa forma, ela impedirá que a gordura consumida durante o dia seja absorvida pelo corpo e armazenada.
INGREDIENTES
1 punhado de salsa picada
1 limão (o suco espremido na hora)
1 colher (sopa) de vinagre de maçã
1 colher (sopa) de mel puro
1 colher  (chá) de gengibre fresco ralado ou 1/2 colher (chá)  de gengibre em pó
1/2 colher (chá) de canela em pó
500 ml de água filtrada
MODO DE PREPARO
Pique a salsa o máximo que puder.
Em seguida, esprema o suco de limão e, numa jarra, misture todos os ingredientes.
(Não é para liquidificar!)
Substitua seu jantar por esta bebida, mas faça isso uma hora antes de se deitar, pelo menos.
Não coma nada depois de beber o laxante.
Por precaução, devido ao uso de canela e gengibre, hipertensos não devem consumir esta receita.
Veja algumas observações sobre o tratamento:
- Evite o consumo excessivo de laxante, ainda que seja natural.
Caso contrário, pode prejudicar sua flora intestinal, produzindo diarreia ou dificuldade em absorver nutrientes.
-  É normal sentir cólicas e desconforto durante o tratamento.
Isso é sinal de que os resíduos estão em movimento.
- Consuma bastante água (alcalina, de preferência) vegetais, frutas, grãos integrais, aumentando a ingestão de fibras.
Este é um blog de notícias sobre tratamentos caseiros. Ele não substitui o trabalho de um especialista. Consulte sempre seu médico.

sábado, 7 de novembro de 2015

Caminhar rápido é a maneira mais eficiente para emagrecer, aponta pesquisa

Não adianta querer fazer aquela dieta maluca indicada pela amiga, caminhar é o modo mais eficiente de acabar com a gordura em excesso. Isto foi o que concluiu uma pesquisa realizada pela instituiçãoLondon School of Economics, no Reino Unido. Segundo o estudo, aquelas pessoas que têm os passos mais apressados e caminham por 30 minutinhos, possuem um IMC (Índice de massa corporal) mais baixo — e um cintura menor — do que aqueles que praticam outros exercícios.
Para realizar o estudo, a pesquisadora Grace Lordan separou um grupo de pessoas que praticavam mais de 30 minutos de exercícios. Depois, ela as dividiu em diferentes categorias: aqueles que caminhavam em ritmo acelerado; que praticavam exerícicios e esportes moderadamente, como nadar, malhar e jogar futebol; pessoas que caminhavam em um ritmo mais lento; e aqueles que faziam trabalho manual pesado.

Depois, ela mediu a circunferência e o IMC deles. O resultado foi que aquelas pessoas que caminhavam mais rápido por, no mínimo, 30 minutos por dia apresentavam uma cintura mais enxuta e menos peso.
— É necessário incentivar que as pessoas andem rapidamente com mais frequência. Esta é uma opção barata e fácil. Não há nenhum custo monetário para caminhada por isso, é muito provável que os benefícios superem os custos — recomenda a pesquisadora.
Segundo Benny Schmidt, patologista neuromuscular, o ser humano é um andarilho por excelência e natureza, o que faz da caminhada, a opção mais certeira para todos aqueles que procuram uma vida saudável e plena.
— As indicações da caminhada vão desde a prevenção de derrames e infartos, até o combate à depressão, à osteoporose e à diabetes — explica.
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Outro benefício da caminhada é a liberação de endorfina pelo sistema nervoso central. Esta substância é responsável pelas sensações de alegria, relaxamento e bem-estar, armas poderosas no combate à depressão. Além disso, a endorfina deixa o atleta mais disposto durante o dia e com uma melhor qualidade do sono à noite. E, segundo o especialista, outro fator importante é o aumento dos estímulos cerebrais provocado pelo exercício, que contribui ativamente para manter a saúde do órgão.
Confira outros benefícios da caminhada para a saúde além da boa forma:
1. Diabetes
A caminhada também vem se revelando uma importante aliada dos diabéticos.
— Juntamente com o controle da dieta, promove a diminuição da obesidade e favorece o controle da glicemia pelo consumo de energia, além do efeito psicológico favorável por conta do prazer que proporciona — afirma o médico.
Para o médico, o tempo ideal de caminhada varia de indivíduo para indivíduo e também de acordo com a faixa etária. Mas, de uma maneira geral, uma pessoa que caminha uma hora e meia por dia já atinge um ótimo índice de atividade física diária.
2. Circulação e prevenção
Movimentar-se é fundamental para melhorar a circulação sanguínea. Segundo o especialista, a caminhada faz com que a musculatura da parede dos vasos sanguíneos ajude a impulsionar o sangue até as extremidades. Além disso, as atividades físicas são importantíssimas para fazer com que a velocidade e a pressão sanguínea possam ser bem administradas pelo corpo.
— A caminhada é uma arma fundamental para evitar derrames e infartos, pois ajuda o miocárdio a bombar o sangue no início da circulação — acrescenta.
3. Osteoporose e pulmão
Segundo Beny Schmidt, junto com a exposição solar, a caminhada se destaca como o melhor investimento contra a osteoporose.
— Usar os ossos é a melhor forma de cuidar deles — explica.
Já a respiração é outra grande beneficiada pelas caminhadas.
— Andar melhora a capacidade vital, o VO2 máximo e tanto a inspiração quanto a expiração pulmonar. Além disso, por manter a saúde do corpo, inibe inflamações oportunistas. Tudo isso sem contar o quanto faz bem para os pulmões a qualidade do ar inspirado quando se faz uma caminhada em um parque, por exemplo — finaliza o médico.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Hipertensão arterial referida em mulheres idosas: prevalência e fatores associados



Reported hypertension in elderly women: prevalence and associated factors

La hipertensión arterial referida en mujeres ancianas: prevalencia y factores asociados


Sonia Maria Junqueira Vasconcellos de OliveiraI; Jair Lício Ferreira SantosII; Maria Lúcia LebrãoIII; Yeda Aparecida de Oliveira DuarteIV; Ângela Maria Geraldo PierinV
IDoutora em Enfermagem. Professora do Departamento de Enfermagem Materno-Infantil e Psiquiátrica da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo (EEUSP). São Paulo, Brasil
IIDoutor em Saúde Pública. Professor Titular do Departamento de Medicina Social da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP. São Paulo, Brasil
IIIDoutora em Saúde Pública. Professora Titular do Departamento de Epidemiologia da Faculdade de Saúde Pública da USP. São Paulo, Brasil
IVDoutora em Enfermagem. Professora do Departamento de Enfermagem Médico-Cirúrgica da EEUSP. São Paulo, Brasil
VDoutora em Enfermagem. Professora Titular do Departamento de Enfermagem Médico-Cirúrgica da EEUSP. São Paulo, Brasil



RESUMO
Estudo transversal que caracterizou a prevalência da hipertensão arterial referida e identificou os fatores associados. A amostra constou de 1.265 mulheres idosas, residentes no município de São Paulo, que participaram do Projeto Saúde, Bem-estar e Envelhecimento realizado de 2000 a 2001. A hipertensão arterial foi considerada como variável dependente para fins de análise e das possíveis associações. A prevalência da hipertensão arterial foi 55,3% em mulheres com 60 a 74 anos e 60,7% naquelas com 75 anos e mais. No modelo final de regressão múltipla as variáveis que permaneceram como fatores associados à hipertensão arterial referida foram: diabetes (odds ratio=3,43), doença cardíaca (odds ratio=3,32), idade (odds ratio=1,57), número de filhos (odds ratio=1,51), índice de massa corporal (odds ratio=1,04), e estado de saúde (odds ratio=2,00). Conclui-se que a prevalência da hipertensão referida é similar aos dados de outros estudos.
Palavras-chave: Hipertensão. Prevalência. Saúde do idoso.

ABSTRACT
This cross-sectional study aimed to measure the prevalence of reported hypertension and to identify associated factors. The sample consisted of 1265 elderly women, residents of the city of São Paulo, Brazil, who were interviewed in the Health, Well-being and Aging Project from 2000 to 2001. Hypertension was considered a dependent variable in analyzing possible associated factors. Hypertension prevalence was 55.3% in women from 60 to 74 years old and 60.7% in women 75 years old and more. In the final multiple regression model the variables which remained as associated factors to reported hypertension were: diabetes (odds ratio=3.43), cardiac disease (odds ratio=3.32), age (odds ratio=1.57), number of children (odds ratio=1.51), body mass index (odds ratio=1.04), health conditions (odds ratio=2.00). We conclude that the prevalence of reported hypertension is similar to that seen in other studies.
Keywords: Hypertension. Prevalence. Health of the elderly.

RESUMEN
Este estudio transversal tuvo como objetivo medir la prevalencia de la hipertensión arterial referida e identificar los factores asociados. La muestra consistió de 1.265 mujeres ancianas, residentes en la ciudad de São Paulo, que fueron entrevistadas en el proyecto Salud, Bienestar y Envejecimiento, realizado en 2000 y 2001. La hipertensión fue considerada como variable dependiente para analizar los posibles factores asociados. La prevalencia de la hipertensión arterial fue 55,3% en mujeres de 60 a 74 años, y de 60,7% en aquellas mujeres con 75 años o más. Al final de la regresión múltiple, las variables que permanecieron en el modelo como factores asociados a la hipertensión referida fueron: diabetes (odds ratio=3,43), enfermedad cardiaca (odds ratio=3,32), edad (odds ratio=1,57), número de hijos (odds ratio=1,51), índice de masa corporal (odds ratio=1,04), y condiciones de salud (odds ratio=2,00). Se concluye que la prevalencia de la hipertensión referida es similar a los datos de otros estudios.
Palavras-clave: Hipertensión. Prevalencia. Salud del anciano.



INTRODUÇÃO
O envelhecimento da população é um fato constatado mundialmente e tem sido documentado por vários trabalhos publicados nos últimos anos.1-3 No entanto, o envelhecimento populacional não se refere aos indivíduos, ou a cada geração e sim à mudança na faixa etária da população, que indica um aumento das pessoas acima de determinada idade, considerada como critério do início da velhice.4
A Lei N° 8.842/94 dispõe sobre a Política Nacional do Idoso e no capítulo I, artigo 2º, diz: "[...] considera-se idoso, para efeitos desta lei, a pessoa maior de 60 anos de idade".5:77
O número crescente de idosos deve-se a alguns fatores determinantes, como a redução da mortalidade geral, sobretudo a infantil, diminuição das taxas de fecundidade e aumento das taxas de sobrevida. Aos fatores do processo de envelhecimento, os autores acrescentam a melhoria nas condições de saneamento e infra-estrutura básica e os avanços da medicina e da tecnologia.6
No Brasil, o envelhecimento populacional apresenta características peculiares em razão da rapidez com que acontece esta transição demográfica. Até 1960, a população brasileira apresentou-se muito estável, com distribuição etária quase constante. Era uma população bastante jovem com, aproximadamente, 52% abaixo de 20 anos e menos de 3% acima dos 65 anos. Houve significativo declínio da mortalidade, a longevidade passou de quase 33 anos, no início do século XX,7 para 71,6 anos, em 2004.8
Entre 1960 e 1980, observou-se uma queda de 33% na fecundidade constatada pelo processo contínuo de estreitamento da base da pirâmide etária, conseqüentemente, com envelhecimento da população.4 No último censo, a população de idosos totalizou cerca de 14,5 milhões de brasileiros,9 com projeção de 32 milhões, em 2020, e ocupará o sexto lugar mundial.2,10
Em razão da transição demográfica, mudança de uma população jovem para uma envelhecida, altera-se o panorama epidemiológico relativo à morbidade e mortalidade de uma determinada população. As doenças infecto-contagiosas prevalentes nos jovens tendem a diminuir sua incidência, enquanto as crônico-degenerativas aumentam sua freqüência.10
No processo de envelhecimento, inúmeros agravos à saúde poderão surgir em decorrência das várias alterações fisiológicas e funcionais, peculiares ao grupo de idosos, tornando o indivíduo mais vulnerável às doenças crônicas. O resultado desta constatação implica uma demanda crescente por serviços de saúde, que freqüentemente exigem intervenções onerosas, envolvendo tecnologia complexa.2,7
Outro aspecto a ser considerado na população de idosos é o contingente maior do sexo feminino. Em 2000, dos 14,5 milhões de idosos, 55,1% eram mulheres.9 O aumento da expectativa de vida no sexo feminino é mais significativo do que no masculino, o que pode ser justificado por fatores biológicos e pela diferença de exposição aos fatores de risco de mortalidade.11
Em relação à morbidade, embora o envelhecimento seja um processo natural, nessa fase da vida é comum o aparecimento de doenças crônico-degenerativas, limitações físicas, perdas cognitivas, sintomas depressivos, declínio sensorial, acidentes e isolamento social.10
A avaliação realizada pelo suplemento especial da Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílio (PNAD) - Saúde, de 1998, indagou como o grupo de idosos considerava seu estado de saúde. Constatou que cerca de 83% referiram como regular ou bom. No entanto, essa proporção diminui para 75%, quando se considera a faixa de 80 anos ou mais. Os problemas de saúde detectados foram: hipertensão arterial, doença da coluna e artrite, entre outros. O pior estado de saúde foi relatado pelas mulheres comparado aos homens.1
A hipertensão arterial é uma doença de natureza multifatorial com alta prevalência na população idosa, tornando-se um fator determinante nas elevadas taxas de morbidade e mortalidade desses indivíduos. Acomete quase 60% dos idosos, está freqüentemente associada a outras doenças como a arteriosclerose, diabetes mellitus e síndrome metabólica, conferindo a este grupo alto risco cardiovascular.12-14
As estimativas de prevalência da hipertensão arterial variam muito, dependendo, não só das diferenças reais entre as populações, mas, do ponto de corte definido, do método usado para medir a pressão arterial, da faixa etária avaliada, dos critérios utilizados (pessoas hipertensas tratadas e controladas) e da representatividade da amostra.15-16
A identificação da doença hipertensiva na população é tarefa difícil, pois exige mensuração da pressão arterial e informações a respeito do uso recente de medicação.17 O fato tem estimulado a busca por indicadores simples que poderiam ser utilizados nos estudos de base populacional.18 A hipertensão auto-referida tem sido usada em vários inquéritos de saúde, entre eles, o National Health and Nutricion Examination Survey,19 nos Estados Unidos da América e a PNAD no Brasil.20
Estudo que analisou a validade da hipertensão auto-referida encontrou 72,1% de sensibilidade e 86,4% de especificidade, concluindo que a hipertensão auto-referida é um indicador apropriado à doença hipertensiva.18
Assim, este estudo teve por objetivo avaliar, em mulheres com 60 anos ou mais, a prevalência da hipertensão arterial referida e identificar variáveis relacionadas às características pessoais e sociodemográficas, doenças referidas, dados antropométricos e hábitos de vida.

MÉTODO
Entre janeiro de 2000 e março de 2001, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) coordenou o Estudo Saúde, Bem-Estar e Envelhecimento (SABE), em sete países da América Latina e Caribe, cujo propósito foi realizar uma coleta sistemática de informações sobre as condições de vida e saúde das pessoas idosas. Trata-se de um estudo multicêntrico, transversal, de campo, com abordagem quantitativa realizado em sete cidades, seis delas capitais: Buenos Aires (Argentina), Bridgetown (Barbados), São Paulo (Brasil), Santiago (Chile), Havana (Cuba), Cidade do México (México) e Montevidéu (Uruguai).
No Brasil, a população desse estudo constituiu-se de 2.143 idosos residentes no município de São Paulo. A amostra foi composta pelo somatório de uma amostra probabilística e de uma intencional, para complementar a amostra de idosos em velhice avançada. Para sorteio de domicílios, usou-se o método de amostragem por conglomerados, em dois estágios, sob o critério de partilha proporcional ao tamanho da amostra. Os dados finais foram ponderados, conforme sua representatividade na população. Da amostra total, 1.265 eram mulheres que na ocasião representavam a população idosa feminina residente no município de São Paulo.
O estudo realizado na cidade de São Paulo foi coordenado pelo Departamento de Epidemiologia e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (Processo Nº 67/1999).21
Coleta de dados
Os dados foram coletados, por meio de entrevistas domiciliares, feitas com um instrumento constituído de 11 blocos temáticos*, que abordam dados pessoais, avaliação cognitiva, estado de saúde, estado funcional, medicamentos, uso e acesso aos serviços, rede de apoio familiar e social, história laboral e fontes de ingresso, características da moradia, antropometria, flexibilidade e mobilidade. O instrumento foi elaborado por um comitê regional formado por pesquisadores responsáveis em cada país, além de especialistas nas temáticas específicas do estudo.22
As entrevistas foram realizadas diretamente com a idosa e em alguns casos com um informante substituto, em decorrência do estado cognitivo da mulher. Os coletadores apresentaram-se falando a finalidade do estudo e ressaltando o aspecto sigiloso da entrevista. A participação das mulheres no estudo foi inteiramente voluntária e todas assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, em duas vias, ficando uma em posse da participante e a outra com os pesquisadores. A descrição detalhada da metodologia empregada pode ser encontrada em publicação específica.22
Definição das variáveis
A variável hipertensão arterial referida foi considerada, como variável dependente para fins de análise e de estudo das possíveis associações que foi considerada no estudo como dicotômica, isto é, com o valor zero (sem referência de HA) e um (HA referida). As variáveis independentes foram selecionadas entre as disponíveis, quanto às características sociodemográficas, doenças referidas e características pessoais. Todas essas variáveis foram avaliadas binomialmente, de forma a facilitar a análise dos resultados. As definições, categorias de referência e de contraste encontram-se agrupadas no Quadro 1.
Análise dos dados
Inicialmente, procedeu-se o cruzamento de cada variável independente com a HA. As porcentagens de presença ou ausência da hipertensão arterial referida foram anotadas, segundo as categorias das variáveis independentes. Os valores da odds ratio não ajustados foram calculados, como indicação de possíveis associações. Para avaliação conjunta das possíveis associações das variáveis independentes com a variável dependente, usaram-se a regressão logística binomial e a variável desfecho (HA), tendo as categorias zero e um como acima mencionado. Para facilidade de interpretação, as variáveis independentes foram transformadas em dicotômicas, conforme especificado. A técnica de ajuste do modelo foi realizada "por passos". O modelo inicia-se com todas as variáveis presentes, sendo retirada em cada ciclo, aquela que menos contribuiu para o ajuste. Ao final, permanecem apenas as variáveis cujos odds ratio são significantes ao nível de 5%.23

RESULTADOS
No município de São Paulo, os resultados apontam que a prevalência da hipertensão arterial referida foi de 55,3% em mulheres com 60 a 74 anos e de 60,7% para o grupo acima de 75 anos.
Nos dados das Tabelas 12 e 3, a seguir, constam as análises bivariadas das variáveis independentes com a variável dependente e os valores dos odds ratio não ajustados.






O fato de apresentar idade acima de 75 anos e ser estrangeiro elevou em 25% a chance de ter hipertensão arterial referida. O mesmo ocorreu para falta de disponibilidade de dinheiro, cor da pele informada não branca, ter três filhos ou mais e ter cônjuge que elevaram as chances de ter hipertensão arterial referida em 34%, 35%, 56% e 10%, respectivamente.
Em relação à escolaridade e renda, os achados demonstraram que ter essas variáveis em níveis mais elevados exerceu efeito protetor para hipertensão arterial referida.
As doenças cardíacas e o diabetes foram expressivos fatores associados, pois suas ocorrências aumentaram as chances de hipertensão arterial referida em mais de três vezes, e a presença de doença cerebrovascular cerca de duas vezes. Ressalta-se, ainda, que fatores psicoemocionais, também, elevaram as chances de hipertensão arterial referida, embora em menor magnitude.
A auto-avaliação do estado de saúde confirma o potencial de bom marcador para várias patologias, incluindo a HA que teve seu risco aumentado por 2,23 na categoria regular/mau.
O índice de massa corpórea na faixa mais elevada aumentou em 2,2 vezes a chance de hipertensão arterial referida, enquanto para a razão cintura-quadril o acréscimo foi de 83%. Por outro lado, entre os hábitos de vida, a ingesta de bebida alcoólica teve efeito protetor e o hábito de tabagismo atual ou anterior aumentou em 36% a chance de hipertensão arterial referida.
Quanto as variáveis menopausa (após 50 anos) e fazer uso de terapia de reposição hormonal, apresentaram efeito protetor.
Os dados da Tabela 4 apresentam os resultados do modelo final de regressão logística múltipla. Nesta análise, permaneceram como fatores associados idade, IMC, diabetes, número de filhos, doença cardíaca e o estado de saúde.


Todas as variáveis que permaneceram no modelo são fatores associados ao risco, não se obtendo nenhuma como fator de proteção. As variáveis mais importantes foram: diabetes e doença cardíaca, que aumentaram as chances acima de três vezes de ocorrer hipertensão arterial referida. O estado de saúde citado confirmou ser um bom marcador para a ocorrência da hipertensão arterial referida. Idade mais elevada e maior número de filhos, também, permaneceram significantemente associados em níveis semelhantes. O índice de massa corporal, embora significante, apresentou menor contribuição para a associação com a hipertensão neste estudo.

DISCUSSÃO
Reconhecidamente, a hipertensão arterial é uma doença de alta prevalência nacional e mundial, acompanhada de elevado risco de morbidade e mortalidade que se constitui em um grave problema de saúde pública. Além disso, sua evolução é lenta e silenciosa, o que dificulta a percepção dos indivíduos portadores da doença. Nesse sentido, uma das limitações do atual estudo foi a utilização da informação referida sobre a ocorrência de hipertensão arterial. No entanto, como abordado na introdução, pela facilidade a hipertensão arterial referida tem sido utilizada em grandes inquéritos de saúde de base populacional. Assim, um estudo realizado no Brasil verificou que a hipertensão auto-referida é um indicador apropriado com sensibilidade e especificidade relativamente elevadas.18 Embora, pesquisas feitas em nosso meio apontem que cerca de um quarto24 a metade16 dos indivíduos desconhece sua condição de hipertenso. Por outro lado, os trabalhos mencionam que, em geral, o conhecimento da hipertensão é maior entre as mulheres.24-27
No município de São Paulo, a prevalência da hipertensão arterial referida foi de 55,3% nas mulheres entre 60 e 74 anos e 60,7% no grupo acima de 75 anos. Os dados da PNAD de 1998 mostram que 49,7% das mulheres brasileiras citaram hipertensão arterial, considerando a faixa etária acima de 60 anos.27 Também, utilizando a mesma metodologia, valores semelhantes foram observados no estudo transversal de base populacional com mulheres idosas residentes na área urbana do município de Campinas, que constatou prevalência de hipertensão de 50,4%; 54,1% e 52% nas faixas 60 a 69 anos, 70 a 79 anos e > 80 anos, respectivamente.25
No entanto, pesquisa realizada em Cianorte - Paraná, com avaliação dos níveis pressóricos, verificou maior prevalência de hipertensão arterial (72,4%) nas mulheres na faixa etária de 60 a 69 anos.16 Na cidade de Bambuí - Minas Gerais, o estudo de base populacional medindo a pressão indiretamente encontrou 61,5% dos idosos (homens e mulheres) com hipertensão arterial.24 Outro estudo transversal realizado em Rotterdam - Holanda, com 7.983 participantes, com 55 anos ou mais e avaliação indireta da pressão arterial com ponto de corte em >160/95 mmHg, encontrou menor prevalência de hipertensão entre as mulheres idosas (39%).28 Estes resultados apontam que a doença hipertensiva é um problema de saúde, não só dos grandes centros urbanos, mas também de cidades pequenas, como Bambuí e Cianorte.
Entre os fatores de risco para hipertensão arterial, são citados na literatura: hereditariedade, idade avançada, sexo feminino, grupo étnico, menor nível de escolaridade, condição socioeconômica desfavorável, obesidade, etilismo, sedentarismo, tabagismo e o uso de anticoncepcionais orais.14,25
Neste estudo, os resultados apontaram como fatores associados à hipertensão arterial referida na análise bivariada: idade acima de 75 anos, ser estrangeiro, cor da pele não branca, ter três filhos ou mais, ter companheiro, falta de disponibilidade de dinheiro. Entre as doenças mencionadas, sobressaíram: diabetes, doença cardíaca e cerebrovascular, maiores índices de massa corporal e razão cintura-quadril, além de tabagismo atual ou anterior. Após ajustamento, algumas dessas variáveis foram confirmadas pela análise multivariada, porém outras perderam a importância, provavelmente, por traduzirem seus papéis de associações secundárias. As variáveis que permaneceram no modelo, em ordem decrescente de magnitude, foram: diabetes, doença cardíaca, estado de saúde, idade mais avançada, maior número de filhos e maior IMC.
Destaca-se que o aumento do IMC nas faixas de sobrepeso e obesidade tem sua magnitude caracterizada por se constituir em fator de risco, tanto para hipertensão como para diabetes. Estas doenças contribuem para problemas cardiovasculares que representam a principal causa de morbidade e mortalidade em nosso meio. Estudo desenvolvido com a mesma base de dados da pesquisa SABE demonstrou prevalência de 40,5% de obesidade entre as mulheres acima de 60 anos.29
Os fatores de risco diabetes e doença cardíaca, encontrados na atual pesquisa, estão em consonância com os resultados de outros estudos.25,27-28 Ligado a essas co-morbidades, o IMC elevado também foi um fator que apresentou associação com a hipertensão, semelhante aos observados em outros trabalhos.24-26 Cabe destacar que a avaliação do estado de saúde de forma insatisfatória, provavelmente, tenha resultado da associação dos diferentes fatores, fato comprovado por outros autores.25-26
Quanto à associação do maior número de filhos e hipertensão referida, poderia ser decorrente da implicação de uma condição socioeconômica mais desfavorável.
No que tange à idade, observou-se no estrato superior maior prevalência da hipertensão arterial, o que é esperado, pois a tendência da pressão arterial é de aumento com o passar dos anos, fato comprovado em diferentes populações.14,16,25,27-28
Finalmente, considerando o delineamento deste estudo, uma das limitações foi a impossibilidade de se afirmar a temporalidade dos fatores associados encontrados. Para tanto, é necessário o desenvolvimento de estudos longitudinais, que estão sendo realizados no presente momento. Outro aspecto, que merece ser comentado, é que pesquisas de morbidade auto-referidas podem subestimar as prevalências das doenças, em razão de problemas de memória ou mesmo falta de diagnóstico.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Apesar dos estudos demonstrarem progressos na prevenção, detecção, tratamento e controle da hipertensão nas últimas décadas, o desafio para controlar a doença é grande e parece ser comum, tanto em países desenvolvidos como naqueles em desenvolvimento.
Os dados do presente estudo corroboram os achados já evidenciados na literatura que destacam a importância da faixa etária elevada no aumento da prevalência da hipertensão arterial. Acrescenta-se, ainda, que condições importantes como fatores associados, a saber: doença cardiovascular, diabetes e obesidade demonstraram mais uma vez que os profissionais da saúde devem reunir esforços com ações preventivas, visando a minimizar o aparecimento de complicações decorrentes do quadro hipertensivo.
Embora a cidade de São Paulo tenha sido escolhida por ser considerada uma grande metrópole e, por tal razão, envolver uma ampla diversidade de idosos (diferentes etnias, culturas, estratos socioeconômicos, estruturas sociais, entre outros), mais estudos podem ser necessários, considerando as divergências das regiões brasileiras.

REFERÊNCIAS
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 Endereço para correspondência: Sonia Maria Junqueira Vasconcellos de Oliveira
Av. Dr. Enéas de Carvalho Aguiar, 419
05.403-000 - São Paulo, SP, Brasil.
E-mail: soniaju@usp.br

sábado, 21 de junho de 2014

"Será que não vai acabar nunca?": perscrutando o universo do pós-tratamento do cancêr de mama



"Does this never end?": investigating the universe of the breast cancer post-treatment

"¿Será que ésto no acaba nunca?": el universo posterior al tratamiento del cáncer de mama


Gisele da SilvaI; Manoel Antônio dos SantosII
IMestre em Psicologia. Psicóloga da Secretaria da Saúde do Município Valinhos-SP. Docente do Curso de Graduação em Psicologia da Faculdade Politécnica de Jundiaí do Anhanguera Educacional. São Paulo, Brasil
IIDoutor em Psicologia Clínica. Professor do Programa de Pós-graduação em Psicologia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo. São Paulo, Brasil



RESUMO
O diagnóstico de câncer de mama altera permanentemente a vida da mulher, porém há peculiaridades, dependendo da fase da doença, que precisam ser consideradas. As pesquisas dedicadas ao câncer de mama, no entanto, são escassas quanto ao período da reabilitação (pós-tratamento). Nesse sentido, este estudo descritivo teve como objetivo investigar os eventos estressores presentes na vida de mulheres acometidas durante o período pós-tratamento. Foram investigadas 16 mulheres atendidas em um serviço especializado em reabilitação de mastectomizadas, em 2003. Para coleta de dados foi utilizado um roteiro de entrevista individual semi-estruturada. A análise dos dados foi feita por meio da análise de conteúdo. Os resultados indicaram a presença de estressores físicos relacionados ao seguimento do tratamento, como seqüelas, limitações de movimento, lindefema, acarretando alterações na imagem corporal e medo de ressurgimento da doença. Esses resultados reforçam a importância da atuação dos serviços de reabilitação psicossocial junto a essa clientela.
Palavras-chave: Câncer de mama. Reabilitação. Estresse psicológico. Saúde mental. Adaptação psicológica.

ABSTRACT
The diagnosis of breast cancer permanently affects the woman's life, however there are special characteristics related to each stage of the disease which need to be considered. Studies about breast cancer, nevertheless, do not emphasize the rehabilitation period (post-treatment). The aim of this descriptive study was to investigate the stress events present in the lives of breast cancer patients during their post-treatment period. The sample was composed of 16 women who were assisted at a specialized rehabilitation service for women who had mastectomies in 2003. Data was collected through individual face-to-face semi-structured interviews. The content analysis technique was used for data analysis. The results indicated the presence of physical stressors related to the treatment, such as movement limitations and lymphedema, giving rise to the appearance of the fear of the disease relapsing and alterations of the body image. The results reinforce the importance of providing psychosocial rehabilitation to this population.
Keywords: Breast neoplasms. Rehabilitation. Stress, Psychological. Mental health. Adaptation, psychological.

RESUMEN
El diagnóstico del cáncer de mama altera permanentemente la vida de la mujer, pero, dependiendo de la fase de la enfermedad, existen peculiaridades que necesitan ser consideradas. Sin embargo, las investigaciones dedicadas al cáncer de mama son escasas en lo que se refiere al período de rehabilitación (posterior al tratamiento). En ese sentido, el presente estudio tuvo como objetivo investigar los eventos estresantes presentes en la vida de mujeres con cáncer de mama durante el período posterior al tratamiento. Participaron del estudio 16 mujeres atendidas en un servicio especializado en rehabilitación de mujeres mastectomizadas, en 2003. Para la obtención de los datos, se utilizó una entrevista parcialmente estructurada, de forma individual. En el análisis de los datos se empleó la técnica de análisis de contenido. Los resultados indicaron la presencia de factores físicos estresantes, relacionados al seguimiento del tratamiento, tales como: las limitaciones de movimiento, el linfedema, provocando alteraciones en la imagen corporal, y el miedo de la recaída de la enfermedad. Estos resultados refuerzan la importancia de la actuación de los servicios de rehabilitación psicosocial junto a esa clientela.
Palabras Clave: Neoplasias de la mama. Rehabilitación. Estrés psicológico. Salud mental. Adaptación psicológica.



INTRODUÇÃO
O câncer de mama é o tipo de neoplasia maligna mais comum na população feminina de diversos países.1 As taxas de incidência aumentam a cada ano como reflexo da tendência global à predominância de estilos de vida que fomentam a exposição a fatores de risco. As mais recentes projeções do Ministério da Saúde apontam que somente no Brasil aproximadamente 50.000 novos diagnósticos seriam confirmados em 2006 e que o risco variaria de 38 casos na região Centro-Oeste a 71 casos na região Sudeste para cada 100.000 mulheres. Por essa razão, o controle do câncer de mama constitui uma preocupação crescente para os serviços de saúde pública.2
O diagnóstico de câncer de mama altera permanentemente a vida da mulher, porém há peculiaridades, dependendo da fase da doença, que precisam ser consideradas no planejamento das intervenções dos profissionais de saúde. Comumente o percurso que a paciente com câncer de mama descreve é constituído de quatro momentos: diagnóstico, tratamento, reabilitação e terminalidade.
O tratamento geralmente compreende a realização de cirurgia para remoção da massa tumoral, quimioterapia, radioterapia e, em alguns casos, hormonioterapia. Se tudo correr bem, as três primeiras modalidades preenchem o primeiro ano. Após esse período de adaptação inicial, aqui denominado de "tratamento", a paciente precisa continuar realizando exames periodicamente, a fim de verificar sua condição clínica. Nos primeiros cinco anos os retornos médicos são mais freqüentes a fim de rastrear a possibilidade de metástase ou eventual recidiva da doença. Após esse período intensivo havendo a remissão, a paciente entra no chamado período livre de doença no qual os retornos para exames são progressivamente espaçados, mantendo-se normalmente a freqüência de retorno anual para os controles.
Estudos têm mostrado, no entanto, que ao cabo de cinco anos as implicações físicas e psicossociais decorrentes do adoecimento podem ainda estar presentes.3-4 Aliás, considera-se que a sobrevivência ao câncer de mama é um processo que se inicia no momento do diagnóstico e se perpetua por toda a vida do indivíduo. Isso coloca a necessidade da reabilitação psicossocial. Trata-se de um processo global e dinâmico orientado para a recuperação física e psicológica da mulher acometida pelo câncer de mama, com o objetivo de tratar ou atenuar as incapacidades causadas pela doença e/ou seu tratamento, tendo em vista promover sua reintegração social e qualidade de sobrevida. Segundo tal concepção, a reabilitação está associada a um conceito ampliado de saúde, que incorpora o bem-estar biopsicossocial e espiritual a que todos os indivíduos têm direito.
Estudos têm evidenciado que a sobrevivência é constituída de diferentes fases, cada qual com suas demandas específicas, que afetam o ajustamento psicossocial de maneira diferente.3,5-7 A maior parte dos trabalhos disponíveis no campo da psico-oncologia, no entanto, aborda o período do diagnóstico e do tratamento, havendo poucos estudos dedicados a investigar a situação psicossocial das pacientes no período pós-tratamento.8
Uma vez que a reabilitação física e psicossocial, para essas mulheres, não se esgota com o fim dos procedimentos cirúrgicos, quimio e radioterápicos, pesquisas abordando o período pós-tratamento são cada vez mais requeridas, a fim de conhecer minuciosamente suas especificidades e necessidades. Acresce-se a isso, o fato de que os tratamentos anti-neoplásicos evoluíram muito nas últimas décadas e estão se tornando extremamente sofisticados e resolutivos, o que resulta em aumento da sobrevida e, conseqüentemente, em uma preocupação crescente com a qualidade de vida dos pacientes que sobrevivem ao câncer.
Tendo em vista essas premissas, o objetivo do presente estudo foi identificar os eventos estressores vivenciados no período pós-tratamento do câncer de mama. Tal propósito se justifica em face da escassez de pesquisas dessa natureza desenvolvidas especificamente junto a essa população, necessárias para subsidiar a proposta de intervenções em nível de reabilitação.

MÉTODO
Tipo de estudo
O presente estudo seguiu um delineamento descritivo, com enfoque de pesquisa qualitativa.
Marco teórico
O estresse é definido como uma reação psicológica com componentes emocionais, físicos, mentais e químicos a determinados estímulos estranhos que irritam, amedrontam, excitam ou confundem a pessoa. Considera-se que existam três fases: alerta, quando o organismo se prepara para as reações de luta ou fuga, seguida pela fase de resistência, momento em que tenta uma adaptação ao evento estressor, predominando a sensação de desgaste. Se o estressor é contínuo e a pessoa não possui estratégias para lidar com o estresse, o organismo exaure sua reserva de energia adaptativa e a fase de exaustão se manifesta.9
A vivência do diagnóstico de câncer de mama confronta a mulher com uma série de eventos estressores, compatíveis com o enfrentamento de uma doença que ameaça sua integridade física e que exige cuidados intensivos, além das repercussões emocionais, familiares, laborais e na vida de relações decorrentes de um tratamento longo, invasivo e potencialmente turbulento. O impacto sobre o bem-estar no primeiro ano de tratamento é acentuado, colocando à prova a capacidade adaptativa da paciente que, repentinamente vê a linha de sua existência interceptada pela imersão em uma dimensão da realidade até então completamente desconhecida: o mundo inóspito do hospital, as consultas, exames e procedimentos invasivos, o afastamento das atividades cotidianas e os prejuízos no convívio familiar, sem contar a incerteza quanto ao futuro e o medo do contato com a própria finitude.7
Passada essa etapa mais turbulenta, habitualmente a mulher consegue restabelecer seu equilíbrio biopsicossocial, particularmente quando a doença responde bem ao tratamento. Contudo, continua a ter necessidades especiais e a freqüentar o "universo da doença" com certa regularidade, para lograr sua completa reabilitação. Nessa fase a mulher se defronta com outras fontes potenciais de estresse, podendo se mostrar mais vulnerável.
São considerados estressores os eventos sociais, psicológicos ou ambientais que exigem um ajustamento do indivíduo ou que causem uma mudança no seu padrão de vida. As fases de alerta, resistência ou mesmo exaustão que caracterizam o estresse podem estar presentes em qualquer etapa da trajetória do adoecimento, desde que as demandas colocadas sobre o indivíduo excedam seus recursos e sua capacidade de organizar uma resposta eficiente para preservar a integridade de seu organismo.9
Conhecer esses fatores e as demandas que eles suscitam é um passo primordial para o adequado planejamento das atividades assistenciais com fins de reabilitação.
Casuística
A casuística foi composta por 16 mulheres que já tinham sido submetidas à mastectomia (total ou parcial), radioterapia e/ou quimioterapia e que se encontravam entre um e quatro anos de pós-diagnóstico. Além desses critérios de inclusão, foram recrutadas as que aceitaram participar voluntariamente da pesquisa e que firmaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).
O estudo foi realizado no período de maio a dezembro de 2003. A amostra foi constituída a partir de um levantamento preliminar dos prontuários do Núcleo de Ensino, Pesquisa e Assistência na Reabilitação de Mastectomizadas, do Departamento de Enfermagem Materno-Infantil e Saúde Pública da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (EERP-USP). O número de participantes deste estudo foi delimitado pela saturação dos dados, entendida como o ponto em que as informações que estão sendo analisadas tornam-se recorrentes e repetitivas.10
As participantes tinham idade variando entre 35 e 75 anos e estavam entre 12 e 44 meses do período pós-diagnóstico. Quanto ao procedimento cirúrgico mamário realizado, nove mulheres (56,3%) se submeteram à retirada parcial da mama (cirurgia conservadora), enquanto que sete (43,8%) tiveram toda a mama retirada (mastectomia total). Onze mulheres (68,8%) submeteram-se ao procedimento de quimioterapia, tendo o número de ciclos variado entre seis e 12. Com relação à radioterapia, 14 mulheres (87,5%) submeteram-se a esse procedimento, tendo o número de sessões variado entre 25 e 100. Por fim, 12 mulheres (75%) referiram, no momento da coleta, estarem fazendo uso de hormonioterapia.
Instrumento e materiais
Para a coleta de dados utilizou-se a entrevista semi-estruturada, um gravador e fitas cassete. A entrevista semi-estruturada é caracterizada pela prévia formulação das questões, baseadas em teorias e hipóteses relacionadas ao objeto de estudo, que foram extraídas da literatura e da experiência prévia dos pesquisadores. Há flexibilidade quanto à seqüência e outras questões poderiam surgir no decorrer da entrevista, fruto de novas hipóteses provenientes das respostas dos informantes.
O roteiro de entrevista, formulado especialmente para fins desse estudo, foi previamente averiguado em termos da clareza e adequação da linguagem em um estudo-piloto, realizado com três pacientes, que foram posteriormente descartadas da amostra. O instrumento compõe-se de duas partes: a primeira, que investiga as características sócio-demográficas e clínicas das participantes; e a segunda, que abarca as questões relacionadas à contextualização do universo do período pós-tratamento do câncer de mama. O roteiro em questão enfatizava os aspectos subjetivos relacionados à apreciação que a paciente faz de sua condição de saúde e das reações emocionais desencadeadas pelo convívio com a doença e o tratamento.
Procedimento
As entrevistas foram realizadas individualmente, em situação face-a-face, e gravadas em áudio mediante o consentimento das participantes, em local (sala do serviço de reabilitação ou residência da participante) com condições adequadas de conforto e privacidade. No momento anterior à coleta de dados foram entregues duas vias do TCLE, que as entrevistadas leram e assinaram. Uma via ficou com a pesquisadora e a outra foi entregue à participante. Os registros em áudio foram transcritos na íntegra e literalmente. Posteriormente, esses depoimentos foram submetidos a uma análise de conteúdo temática.10 São três as etapas desse processo de análise: 1) pré-análise: consiste na organização do material e sistematização de idéias; 2) descrição analítica: corresponde à categorização dos dados em unidades de registros e 3) interpretação referencial: tratamento e interpretação dos dados.
Norteado pela Resolução Nº. 196/96 do Conselho Nacional de Saúde, que regulamenta as pesquisas envolvendo seres humanos, o projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da EER - USP (processo Nº 0368/2003).

RESULTADOS: APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO
As narrativas obtidas permitiram-nos constatar as alterações, dificuldades, receios e preocupações advindas do evento do câncer na vida das mulheres no estágio pós-tratamento. Essas respostas individuais correspondem aos eventos estressores.
Os estressores correspondem aos eventos que geraram modificações no cotidiano da participante, aos quais ela deve responder a fim de adaptar-se à nova configuração da vida após o diagnóstico. O exame das respostas obtidas permitiu a construção de um sistema de categorias constituídas pelos eventos relatados. No presente estudo foram analisados os estressores físicos, definidos como aqueles que encerram alterações inscritas no corpo/organismo, que acarretam limitações e incômodos à vida da participante.
Essa categoria abrangeu narrativas de 14 das 16 mulheres que participaram do estudo. Foram encontrados relatos a respeito das alterações provocadas pelo câncer no corpo, ou seja, a percepção de mudanças que envolveram a dimensão física (Tabela 1). Apenas duas participantes, portanto, não referiram vivências de incômodos dessa ordem. O maior número de ocorrências foi observado na categoria – outras seqüelas físicas do câncer e seu tratamento.


O tratamento do câncer de mama inclui intervenção cirúrgica que, certamente acarreta alteração no aspecto estético desse órgão. A perda de uma parte do corpo, de acordo com a literatura,11 é vivenciada como dano à auto-imagem e, portanto, repercute na condição psíquica do indivíduo, ativando um penoso processo de luto e busca de reparação. A amputação de parte ou de toda a mama representa uma situação traumática, potencializada pelos significados psicológicos e culturais atribuídos ao órgão feminino.
Dentre as intervenções cirúrgicas nos diversos tipos de cânceres, a da mama, por deixar sua marca visível no corpo, remete as mulheres permanentemente à situação da perda. Além disso, a mama é um símbolo corpóreo de feminilidade, sensualidade, sexualidade e maternidade, ou seja, trata-se de um órgão que está intimamente relacionado à questão da identidade feminina, alvo de múltiplas e profundas significações pessoais. Portanto, a cirurgia para retirada de massa tumoral não altera apenas a imagem corporal da mulher, como também sua auto-imagem.7,12-13
Cinco participantes referiram incômodos relacionados às alterações percebidas no corpo, em decorrência da cirurgia da mama. Eu sei que eu não tenho uma mama. Entende? E que a mama é um dos atributos femininos, entende? Então eu sei disso (5). Ah, é uma mutilação. Quando você vai vestir uma roupa... fica feio (12).
Estudos apontam que, em geral, quando mais invasivo for o processo cirúrgico do câncer de mama, maior será o grau de alteração vivenciado na imagem corporal.14 No entanto, os resultados obtidos pelos trabalhos que relacionam o tipo de cirurgia realizada ao ajustamento psicossocial não são unânimes. Há autores que encontraram ajustamentos psicossociais semelhantes tanto para as cirurgias mais invasivas como para as mais conservadoras,14-15 enquanto que outros resultados apontaram para a diminuição da satisfação com a imagem corporal nas mastectomizadas.16
No presente estudo, das 16 mulheres participantes, sete submeteram-se à retirada total da mama, sendo que uma delas havia realizado mastectomia radical bilateral. Dessas sete, quatro apontaram alteração com relação à imagem corporal, enquanto apenas uma, dentre as nove que se submeteram à cirurgia conservadora (retirada parcial da mama), apontou incômodo nesse sentido. Os dados aqui encontrados, portanto, corroboram os trabalhos que evidenciam maiores alterações na imagem corporal sofridas pelas pacientes que se submeteram a mastectomia radical.14-16 Com a perda da mama, as 15 mulheres que não haviam se submetido à cirurgia reparadora da mama foram orientadas quanto ao uso de prótese mamária externa, que são colocadas no soutien. Além da melhora no aspecto estético, a prótese é recomendada para ajudar na manutenção postural do ombro e da coluna vertebral.
Os resultados aqui obtidos indicaram que o uso da prótese não se fez sem incômodos. Três participantes apontaram desconfortos decorrentes de sua utilização. A prótese incomodava, prendia, não se movimentava como a outra mama. Havia, ainda, a necessidade de atenção constante para não esquecê-la. A prótese é uma coisa que incomoda, porque a outra mama se mexe quando eu me mexo, essa aqui não (5). Hoje, por exemplo, pela primeira vez na vida eu esqueci de colocar a prótese. Falei: 'Uai, que é isso?'. Aí eu vi que eu tava sem. Fui lá e enchi de papel. Então você tem alguns cuidados a mais, tem que ficar atenta (12).
A necessidade do uso constante da prótese foi mais um fator que, diariamente, remetia as mulheres ao fato incontornável de que elas não eram as mesmas, que algo havia se alterado permanentemente após o câncer. Essa percepção reiterada da mutilação corporal pode levar a um incremento da angústia e dos sentimentos de menos-valia e desamparo.
As alterações físicas decorrentes do câncer de mama e de seu tratamento não se esgotaram com a perda da mama. As limitações de movimento do braço homolateral à mama afetada foram amplamente referidas pelas participantes. Na rádio queimou bastante e ficou grudada a pele e aqui eu fiquei sem movimento. Não sei se foi só da rádio, se por ter cortado os nervinho também né. [...] O braço já não faz, assim, tanto movimento (13).
Não foi apenas o movimento do braço que se alterou. Outros cuidados também tiveram que ser incorporados ao cotidiano das participantes como, por exemplo, manter-se longe do calor do fogo ou evitar a exposição ao sol, não se machucar ou se cortar, não carregar peso, não fazer esforço ou movimentos repetitivos com o braço afetado. As falas de cinco mulheres atestaram as modificações vivenciadas em decorrência dos cuidados necessários para a preservação da integridade do braço. Em relação aos aspectos objetivos do cotidiano, discorreram sobre as limitações que sentiam na habilidade para os afazeres domésticos e, com relação aos aspectos subjetivos, revelaram o mal-estar provocado pela sensação de limitação, de déficit de autonomia. O que mudou assim, de eu não poder fazer as coisas, é que eu tenho limite né, então isso é, eu não acho bom, porque eu sempre fui uma pessoa muito desembaraçada no serviço, aquela coisa toda, e hoje eu sou limitada né. Não pode pegar vassoura, não pode fazer isso, não pode fazer aquilo, não pode passar roupa, e isso pra mim é um empecilho, porque eu sempre fiz né, mexer na minha terrinha, no meu jardim (15).
Investigando a convivência com a incerteza em mulheres em reabilitação do câncer de mama, um outro estudo encontrou que o processo de aceitação das limitações físicas decorrentes da doença levou algumas mulheres a experimentar alterações negativas no seu autoconceito, em decorrência de se perceberem como um objeto inútil e sem possibilidades de transformação.17
O auto-cuidado com relação ao braço, constante e permanente, tem a função de evitar complicações, dentre os quais a mais temida pelas mulheres sem dúvida é o linfedema, que é associado pelas pesquisas da área a piores índices de ajustamento físico e psicossocial em comparação com as mulheres que não o desenvolveram.18-20
Estudo que investigou mulheres norte-americanas que conviviam com o linfedema há quatro anos, em média, apontou que a maioria delas estava bem ajustada tanto no âmbito físico quanto psicológico.21 Algumas delas, no entanto, apresentavam sintomas depressivos e ansiosos, bem como relatavam prejuízos em suas relações sociais. O estudo apontou ainda que o conhecimento médico-científico limitado acerca do linfedema, as informações conflituosas acerca do tratamento e o número reduzido de centros de tratamento para essa complicação foram os fatores relacionados a maiores índices de estresse (distress) nas participantes.
No presente estudo verificou-se que oito participantes desenvolveram linfedema. Atente-se para o fato de que esse número não necessariamente representa um dado estatístico com relação à probabilidade da ocorrência de tal complicação. A alta prevalência de participantes com linfedema, está relacionada ao fato de a amostra ter sido oriunda de um serviço de referência para a reabilitação das seqüelas do câncer de mama.
Das oito mulheres participantes que desenvolveram o linfedema, cinco discorreram acerca dos aspectos negativos na convivência com essa problemática. Trouxeram a cronicidade do quadro, a necessidade de cuidados constantes a fim de que o desconforto do braço, inchado e pesado, não retorne. As alterações vivenciadas nas atividades diárias também foram mencionadas, em decorrência dos cuidados necessários para o tratamento do linfedema. Ele fica pesado, né, fica pesado o braço, é, eu faço mais movimento com esse, né, eu uso mais esse pra pegar as coisas (14). Faz o enfaixamento, aí desincha. Aí passa uns tempos torna a inchar, porque inclusive elas falaram que normal não fica mais. A gente não pode deixar inchar. Por isso tem que usar sempre essa braçadeira (16).
Os dados referentes à vivência do linfedema obtidos por este estudo corroboram os achados da literatura,22 que evidenciam a constante preocupação com o aumento do volume do braço e conseqüente mudança de hábitos. O uso da braçadeira, bem como o recurso ao enfaixamento, como técnicas utilizadas no tratamento do linfedema, dão visibilidade social à doença, fazendo com se desvele a condição de mulher acometida pelo câncer de mama frente ao olhar perscrutador do outro, podendo suscitar nas demais pessoas reações que variam desde a curiosidade até a estigmatização.
Além do linfedema, sete participantes referiram a convivência com alguma outra seqüela advinda do câncer ou de seu tratamento. Foram referidas seqüelas da quimioterapia, como hipersensibilidade bucal ou aversão a determinados cheiros e alimentos associados ao período do tratamento; seqüelas da radioterapia, como a pele fina, pele grudada e queimadura de parte do pulmão; dificuldades sexuais advindas do risco de engravidar e dos sintomas advindos da menopausa induzida (secura vaginal). Por fim, uma mulher mencionou que, a partir do câncer, tornou-se hipertensa, associando esse acontecimento ao impacto psicológico do diagnóstico. Minha vagina tá muito seca (2). Tem alimentos que até hoje não consigo comer porque lembra a quimio, cheiros... Os nomes das meninas da quimio... queria ir lá pra agradecer, mas não consigo (3). Depois que eu fiquei grávida usando camisinha, sabe quando você toma trauma? Com DIU fica grávida, anticoncepcional não pode tomar, camisinha pode estourar... e aí vai fazer o quê? (8). Depois do câncer eu fiquei hipertensa, eu não era não. Minha pressão era baixa. Acho que foi o susto, foi muito grande, eu fiquei hipertensa de repente (12). Porque, com a rádio, a pele fica fininha, se eu passo uma bucha mais forte, assim, eu sinto arder (16).
Em um outro estudo investigou-se a presença de sintomatologia de estresse pós-traumático em 153 mulheres que haviam se submetido à quimioterapia há, em média, 20 anos. Apenas 5% delas reportaram escores sugestivos de transtorno de estresse pós-traumático; 15% reportaram dois ou mais sintomas de estresse pós-traumático, considerados por elas próprias como moderada ou extremamente incômodo; 6% referiram náuseas ou distresscondicionados a cheiros, gostos ou visões que as lembrassem do tratamento; 29% reportaram problemas sexuais atribuídos ao câncer de mama e seu tratamento; 39% referiram linfedema; 33% relataram dormências. Altos escores, quanto ao incômodo associado ao linfedema e dormências, baixo nível educacional, baixo suporte social, alto número de eventos vitais estressantes e intensa insatisfação com os tratamentos recebidos da equipe médica estiveram associados aos piores escores de estresse pós-traumático. Os autores concluíram que a ocorrência de quadro de estresse pós-traumático foi mínima, mas a alta prevalência de sintomas de estresse pós-traumático em resposta ao fato de ter tido câncer foi indicativa da existência de seqüelas psicológicas ao longo de todo esse tempo após a finalização do tratamento.19
Examinando a relação entre as limitações físicas e o ajustamento psicológico em mulheres australianas na fase pós-tratamento do câncer de mama, outro estudo encontrou que as dificuldades no movimento do braço estavam interferindo na execução de suas atividades diárias, gerando desconforto para dormir e dirigir, distúrbios na postura, reduzida capacidade para trabalhos físicos e habilidade diminuída para os afazeres domésticos.18 Tais limitações geraram desconfortos psicológicos para as mulheres, pois evocavam constantemente a presença da doença e a possibilidade de não recuperarem a capacidade plena.
Conforme relatado pelas próprias participantes deste estudo e em consonância com os resultados encontrados por outra investigação,23 o tratamento do câncer de mama foi vivenciado como responsável por alterações permanentes em suas vidas. Mesmo com a finalização do tratamento, os incômodos persistiram, demandando enfrentamento constante. No presente estudo a cronicidade do quadro foi trazida por uma das participantes. Para ela, o câncer foi experienciado como uma "doença que não se acabava", que demandava atenção permanente, como se o trabalho de restaurar o corpo danificado não tivesse fim. É isso que desanima, viu, que nunca termina o tratamento. [...] Tem doença que você vai uma vez só e já acabou. Isso aqui não acaba (4).
Além das seqüelas advindas do tratamento para o câncer de mama, intercorrências com relação à doença foram vivenciadas por cinco participantes. Dentre elas, duas enfrentaram a ocorrência de metástase, uma apresentou recidiva do tumor e outras duas tiveram detectada a presença de novo nódulo, desta vez benigno. Durante o tratamento do câncer de mama eu tive metástase de pulmão. Fiquei muito assustada com isso. Mas com o tratamento regrediu. Não precisei fazer cirurgia. Mas só que a rádio queimou um terço do pulmão esquerdo (5).Eu tive que passar por outra cirurgia. Na mesma mama, mas a, o tumorzinho que estava aqui não era maligno, era benigno (15).
As intercorrências do câncer de mama, além de fazerem com que a mulher depare com a possibilidade de enfrentar novamente o processo de tratamento e reabilitação, presentifica a extrema vulnerabilidade a que está exposta. Esse sentimento de fragilidade da vida acentua ainda mais a proximidade com a finitude, despertando a paciente para questões existenciais, como o sentido da vida e o insondável enigma da morte.
Apenas duas participantes (mulheres 7 e 10) não verbalizaram a presença de qualquer estressor físico, indicando que, para a maioria das pacientes, alterações que se manifestam por via corporal ainda estavam presentes em suas vidas no momento da entrevista, o que sinaliza os efeitos duradouros do conviver com o câncer de mama.

CONCLUSÃO
Mesmo se tratando de mulheres que já conviviam com o câncer de mama há pelo menos um ano e tendo finalizado as terapêuticas cirúrgicas, quimio e/ou radioterápicas, pôde-se constatar que uma ampla gama de eventos estressores relacionados ao adoecimento ainda estavam presentes em suas vidas. Apenas uma participante (mulher 10) não relatou qualquer evento estressor relacionado à problemática do câncer de mama e somente duas não relataram manifestações relacionadas a estressores físicos.
Os resultados desse trabalho vêm mostrar a necessidade de espaços de reabilitação física e psicossocial para essa clientela,24 uma vez que a mulher, com câncer de mama, necessita de cuidados físicos permanentes e que a maioria verbalizou incômodos duradouros decorrentes da doença e de seu tratamento. Esses resultados corroboram estudos anteriores, que indicam a relevância de programas de intervenção centrados nos cuidados de enfermagem.4
Considerando a escassez de trabalhos referentes ao período pós-tratamento do câncer de mama, os resultados obtidos oferecem à equipe interdisciplinar subsídios valiosos para intervir junto às pacientes, a partir do conhecimento das especificidades das demandas na fase de reabilitação.

REFERÊNCIAS
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