Mostrando postagens com marcador PESQUISAS. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador PESQUISAS. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Crianças com autismo têm melhor desempenho em teste de matemática

math11f-1-web
De acordo com um novo estudo, crianças com autismo e QI médio se saíram consistentemente melhor em testes de matemática do que crianças não autistas na mesma faixa de QI.
A superioridade em habilidades matemáticas entre as crianças com autismo foi relacionada a padrões de ativação em uma determinada área do cérebro, normalmente associada com o reconheceimento de rostos e objetos visuais.

“Parece haver um padrão único de organização do cérebro que fundamenta a habilidade superior de crianças com autismo na resolução de problemas matemáticos”, explica o autor principal do estudo, Vinod Menon, professor de psiquiatria e ciências comportamentais na Universidade de Stanford, Estados Unidos.
O estudo incluiu 18 crianças com autismo, com idades entre 7 a 12 anos, e um grupo-controle de 18 crianças sem autismo. Todos os participantes demonstraram habilidades verbais e de leitura normais em testes padronizados, mas as crianças com autismo superaram seus pares sem autismo em testes-padrões de matemática.
Os pesquisadores também monitoraram a atividade cerebral das crianças, usando ressonância magnética, enquanto elas trabalhavam nos problemas de matemática. Os exames cerebrais nas crianças com autismo revelaram um padrão incomum de atividade em uma área do cérebro especializada no processamento de rostos e outros objetos visuais.
“As pesquisas anteriores se centravam quase exclusivamente nos pontos negativos das crianças com autismo”, diz Menon, membro do Instituto de Pesquisa de Saúde Infantil no Hospital Infantil Lucile Packard. “Nosso estudo apoia a ideia de que o desenvolvimento do cérebro em uma pessoa com autismo pode ocasionar não apenas déficits, mas também levar à melhoria de algumas capacidades cognitivas notáveis. Acreditamos que esta notícia pode ser reconfortante para os pais”.
Menon conta que as crianças com autismo, por vezes, exibem talentos ou habilidades excepcionais. Por exemplo, algumas conseguem dizer instantaneamente o dia da semana de qualquer data do calendário dentro de um determinado intervalo de anos, enquanto outras possuem habilidades matemáticas impressionantes.
“Saber as datas do calendário, provavelmente, não vai ajudá-lo a ter sucesso acadêmico ou profissional”, comenta Menon. “Mas ser capaz de resolver problemas numéricos e desenvolver boas habilidades matemáticas pode fazer uma grande diferença na vida de uma criança com autismo”.
Cerca de uma em cada 88 crianças tem alguma forma de autismo, de acordo com os Centros dos EUA de Controle e Prevenção de Doenças. O Brasil ainda não possui uma pesquisa centralizada para identificar a taxa de incidência do autismo na população. Segundo dados da ONU, existem aproximadamente 70 milhões de autistas em todo o mundo. [Medical Xpress]

Apesar de ser uma doença, autismo não é defeito, mas sim pode ter muitas vantagens

Segundo o Dr. Laurent Mottron, professor de psiquiatria da Universidade de Montreal, os profissionais de saúde precisam parar de ver as diferenças do autismo como defeitos, pois assim não entendem completamente a doença.
O médico diz que, em algumas esferas, as pessoas com autismo têm vantagens sobre as pessoas sem a condição.

“Os dados recentes e minha própria experiência pessoal sugerem que é hora de começar a pensar no autismo como uma vantagem em alguns aspectos, não como uma cruz para carregar ou um defeito para corrigir”, argumenta Mottron.
Por exemplo, quando os pesquisadores veem que a ativação em regiões do cérebro das pessoas autistas é diferente do cérebro dos outros, eles relatam essas diferenças como déficits, ao invés de simplesmente evidências, às vezes bem sucedidas, de organização do cérebro.
Ao enfatizar os pontos fortes das pessoas com autismo, decifrar como elas aprendem e evitar uma linguagem que o coloca o autismo como um defeito, os pesquisadores podem moldar a discussão sobre a condição na sociedade.
A ideia do médico não é minimizar os desafios do autismo. “Um em cada 10 autistas não consegue falar, 9 em cada 10 não têm emprego regular e 4 em cada 5 adultos autistas ainda são dependentes de seus pais”, disse Mottron.
A questão é que as pessoas com autismo podem fazer contribuições significativas para a sociedade no ambiente certo. O ambiente de pesquisa é um deles.
Várias pessoas com autismo trabalham no laboratório de Mottron, e uma pesquisadora autista em particular, Michelle Dawson, já fez grandes contribuições para a compreensão da doença através do seu trabalho e discernimento.
Pessoas com autismo têm, frequentemente, memórias excepcionais, e podem se lembrar de informações que leram semanas atrás.
Elas também são menos propensas a lembrar erroneamente de algo, o que vem a calhar em um laboratório de ciência. Michelle, por exemplo, pode relembrar corretamente e instantaneamente os métodos usados para estudar a percepção do autismo quando precisa.
Uma pesquisa recente mostrou que as pessoas com autismo muitas vezes superam os outros em tarefas auditivas e visuais, e também são melhores em testes de inteligência não verbais.
Em um estudo realizado por Mottron, com um teste que envolveu completar um padrão visual, pessoas com autismo terminaram 40% mais rápido do que aquelas sem a condição.
Na verdade, a deficiência intelectual é sobre-estimada entre pessoas com autismo, porque os pesquisadores utilizam testes inadequados. Elas são na verdade muito inteligentes.
“Ao medir a inteligência de uma pessoa com deficiência auditiva, ninguém hesitaria em eliminar os componentes do teste que não poderiam ser explicados usando a linguagem de sinais. Por que não deveríamos fazer o mesmo para os autistas?”, disse Mottron. “Eu já não acredito que a deficiência intelectual é intrínseca ao autismo. Para estimar a taxa de verdade, os cientistas devem usar apenas testes que não exijam nenhuma explicação verbal”.
Outros especialistas concordam que não devemos ver exclusivamente os déficits do autismo, no entanto, ele ainda deve ser pensado como uma doença, e não apenas uma diferença.
Pessoas com autismo têm problemas graves de funcionamento no seu dia-a-dia. Intervenções adequadas podem melhorar a vida dessas pessoas. “Uma narrativa abrangente do autismo deve levar em consideração os pontos fortes e os pontos fracos da doença”, disse Rajesh Kana, professor de psicologia.
Embora no passado os pesquisadores tenham se concentrado principalmente nos déficits do autismo, o campo agora tem uma visão mais ampla e profunda da desordem.
Compreender os pontos fortes do autismo é importante para dar apoio para aqueles com a doença. Por exemplo, se uma criança tem habilidade verbal mínima, então você provavelmente deve encontrar uma forma visual de ajudá-la. “Qualquer intervenção deve visar os déficits, mas trabalhar com os pontos fortes”, disse Kana.[LiveScience]

Aumento de autismo pode estar ligado a pais inteligentes

Cientistas estão analisando uma teoria que afirma que pais inteligentes têm mais chances de ter filhos autistas. Uma equipe de pesquisadores da Universidade de Cambridge está explorando a ligação entre pais que tem profissões como engenheiros, cientistas e programadores de computador e o desenvolvimento de seus filhos.
Simon Baron-Cohen, diretor do Centro de Investigação do Autismo na universidade, disse que há sinais de que adultos que trabalham com ciência e matemática são mais propensos a ter filhos autistas.

Em 2001, um relatório revelou que os matemáticos tiveram maiores taxas de autismo do que outras profissões. Um estudo em 1997 mostrou que os filhos e netos de engenheiros tinham maior probabilidade de serem autistas.
O professor Baron-Cohen afirmou que pessoas que têm trabalhos relacionados com sistemas, análise de sistemas, por exemplo, podem ter um cérebro extremamente masculino por causa de níveis aumentados de testosterona.
A nova investigação vai analisar casais que trabalham com sistemas para descobrir se seus filhos tem maior probabilidade de desenvolver autismo. Os resultados estarão disponíveis em cerca de um ano, de acordo com os pesquisadores. [Telegraph]

Por que o autismo é quatro vezes mais comum em homens

O autismo é quatro vezes mais comum em homens do que em mulheres. Agora, uma nova pesquisa chega mais perto de descobrir por que.
Segundo os pesquisadores, a testosterona e o estrogênio têm efeitos opostos sobre um gene apelidado RORA. Nos neurônios, a testosterona diminui a capacidade das células de expressar ou se ligar ao gene, enquanto o estrogênio aumenta essa capacidade.

Tais resultados são baseados em testes de crescimento de neurônios em laboratório. Normalmente, o trabalho das células no gene RORA é ligá-lo a vários outros genes. Quando uma célula tem altos níveis de testosterona, os níveis de RORA escasseiam, o que afeta todos os genes a que RORA deveria se ligar.
A pesquisa também mostrou que os tecidos cerebrais de pessoas com autismo apresentam níveis mais baixos de RORA do que o das pessoas sem a condição.
A nova pesquisa apóia estudos anteriores que mostraram que níveis elevados de testosterona no feto são correlacionados com traços autistas. Os cientistas acreditam que níveis mais elevados de testosterona fetal podem colocar um feto em risco de autismo. Porém, a pesquisa não prova que baixos níveis de RORA causam o autismo, só que eles estão associados com a doença.
Ainda assim, outros estudos têm sugerido que uma deficiência de RORA poderia explicar muitos dos efeitos observados no autismo. Por exemplo, o gene protege os neurônios contra os efeitos do estresse e da inflamação, ambos elevados no autismo.
RORA também deve ajudar a manter o ritmo circadiano do corpo em dia, e as pessoas com autismo frequentemente experimentam distúrbios do sono. Além disso, ratos que foram geneticamente modificados para não possuírem o gene se envolveram em uma série de comportamentos sugestivos de autismo.
Diferentemente da testosterona, o estrogênio aumenta os níveis de RORA nas células. Isto significa que as mulheres podem ter uma “proteção” contra o autismo: mesmo que seus níveis de RORA sejam baixos, o estrogênio pode ajudar um pouco.
No entanto, outros cientistas sugerem que, na verdade, a maior prevalência do autismo no sexo masculino é por que os genes no cromossomo X desempenham um papel na doença. Como as mulheres têm dois, e os homens apenas um (combinado com um cromossomo Y), as meninas têm uma cópia de “backup” de qualquer gene mutado. Embora esta teoria seja plausível, até o momento nenhum gene no cromossomo X tem sido inequivocamente associado com o autismo.
Os pesquisadores alertam que o RORA pode não ser o único gene envolvido na doença, mas que provavelmente é um dos fatores mais críticos. [LiveScience]

Vacinem seus filhos! Mais um estudo confirma que vacina não causa autismo

Segundo um novo estudo, mercúrio não causa autismo. Essa é mais uma de muitas pesquisas que concluem que os níveis de mercúrio na urina de crianças com autismo não é superior aos níveis de mercúrio na urina de crianças sem a doença.
A ideia desacreditada que uma forma do mercúrio, chamada etilmercúrio, por vezes utilizada em vacinas, pode levar ao autismo levou à redução das taxas de vacinas e aumentos nos casos de doenças evitáveis no mundo, tais como sarampo, rubéola e caxumba.

Mas, mesmo quando o mercúrio deixou de existir nas vacinas de alguns países a partir de 2001, as taxas de autismo continuaram a aumentar.
Os pesquisadores coletaram amostras de urina de 54 crianças com transtornos do espectro do autismo, e compararam com outros três grupos: 115 crianças da população em geral, 28 crianças que frequentavam escolas especiais (principalmente por causa de dificuldades de aprendizagem), e 42 crianças que não tinham autismo, mas tinham um irmão com a condição.
Não houve diferenças, entre qualquer um dos grupos, na concentração de mercúrio encontrada na urina. Os pesquisadores também observaram que os testes de outros metais pesados, tais como o lítio, manganês, cádmio e chumbo, também foram os mesmos em todos os grupos.
Estudos anteriores demonstraram que o etilmercúrio, por vezes utilizados em vacinas, não pode atravessar a barreira sangue-cérebro.
Já uma forma de mercúrio que tem sido associada a problemas do sistema nervoso, chamado metilmercúrio, pode entrar no cérebro a partir do sangue.
Estudos anteriores que analisaram os níveis de mercúrio na urina em crianças com autismo tiveram resultados contraditórios, mas eles envolveram testes de urina de crianças que receberam tratamentos de quelação, o que reduz o nível de mercúrio e outros metais no sangue.
Tratamentos de quelação, que são às vezes impostos a crianças com base na ideia de que podem tratar o autismo ou melhorar os seus sintomas, podem representar riscos para a saúde das crianças. [MyHealthNewsDailyFoto]

Mulheres obesas ou com outros problemas de saúde tem 60% mais chance de ter filhos autistas

Já se sabia que diabetes e pressão alta são dois quadros de saúde que, durante a gravidez, aumentam a chance de complicações no período da gestação e no parto. Um novo estudo, conduzido pela Universidade da Califórnia (EUA), vai além: os pesquisadores afirmam que tais condições aumentam em 60% os riscos de o bebê nascer com autismo.
Mil crianças, com idades entre 2 e 5 anos, foram avaliadas no estudo. Destas mil, 517 tinham autismo e 172 apresentavam outros problemas de desenvolvimento. Com base nos dados das mães de cada criança, descobriu-se que há 60% a mais de chance de gerar um bebê com autismo entre as mulheres obesas.

Estes números são alarmantes quando analisados junto a outra informação: segundo os pesquisadores, 34% das mulheres em idade fértil dos Estados Unidos são obesas, e 8,7% sofrem de diabetes. Combinado a isso, o número de crianças autistas no país cresceu em 78% desde 2002.
Mas por que estas duas coisas teriam relação? Ainda não há consenso entre os cientistas. A teoria mais aceita defende que o quadro de saúde da mãe diabética agrava certas condições imunológicas e metabólicas que, segundo estudos recentes, estão relacionadas ao autismo no nascimento.
Por esta razão, os cientistas acreditam que há uma ligação entre a piora nos hábitos de vida – alimentares, especialmente – da população com o autismo. Não seria surpreendente, segundo eles, que o aumento de mães obesas fosse parte da “culpa”. Mesmo assim, são necessários mais estudos para que este vínculo possa ser confirmado. [Web MD]