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quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Principais Conceitos da Psicologia Analítica de Jung

Semelhanças e Diferenças entre a Psicanálise de Freud e a Psicologia Analítica de Jung, Principais conceitos de Jung e características da prática clínica junguiana
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Diferenças entre Freud e Jung
Para abordar esse tema, é preciso primeiro conhecer alguns dos principais tópicos da teoria de Carl Gustav Jung e também um pouco de sua trajetória. Jung atuava na psiquiatria quando conheceu o trabalho de Freud que, na época, já se coadunava com seu pensamento e passou a contribuir muito para o atendimento de seus pacientes.
Assim começou a união entre esses dois pensadores, o que colaborou muito para o crescimento pessoal e profissional de ambos, possibilitando o surgimento e desenvolvimento de duas grandes teorias da psicologia, um legado muito valioso nos consultórios, entre outras áreas, até os dias de hoje.
Duas teorias foram citadas porque eles não permaneceram unidos por muito tempo. Isso porque após divergências em seus pensamentos, foi necessário que cada um seguisse e desenvolvesse seu próprio caminho. Dessa maneira, Freud continuou enriquecendo sua psicanálise e Jung criou sua psicologia analítica, estudando em paralelo temas como mitologia, cultura e literatura, religião e alquimia e os utilizando em sua teoria, interessado em saber os efeitos psíquicos desses temas nos homens e em fazer analogia com o funcionamento da psique. Hoje elas são consideradas duas abordagens diferentes dentro da psicologia, mas é importante saber que a psicologia analítica possui muitos fundamentos da psicanálise, pois tem esta em sua base. A análise junguiana está então, dentro da corrente psicanalítica, porque trabalha com o inconsciente.
Ambas consideram de suma importância para o trabalho analítico a análise do inconsciente (inclusive no trabalho com sonhos) e utilizam o discurso verbal como ferramenta. Porém, a psicanálise faz uso da associação livre, que consiste em deixar o paciente falar livremente o que lhe vem à cabeça, para que tudo seja objeto de análise.
E a postura do analista seria a de um observador e ouvinte que analisa tudo que o paciente traz, colocando-se atrás do mesmo para não interferir em seu processo e deixá-lo o mais a vontade possível. Pelo menos foi essa a postura que Freud passou na época, com o uso do divã.
Na psicologia analítica o psicólogo deixa o paciente livremente, mas não tanto assim, fazendo intervenções quando necessário e conduzindo ou orientando o discurso, não de maneira a influenciar, mas de modo a manter o indivíduo em seu discurso, não permitindo que ele perca o foco e vá para caminhos que, muitas vezes, podem ser distrações a serviço da resistência e de mecanismos de defesa. A postura do analista nesse caso já é diferente, pois ele se coloca como uma outra personalidade a frente do paciente, mostrando-se como uma outra pessoa passando pelos mesmos processos que o outro, apenas mais analisado e treinado para que possa ajudá-lo. Com isso, Jung defendia que a personalidade do analista está envolvida e também era um dos fatores que determinava aquela relação e aquele processo. Defendia ainda, que ambos estavam numa jornada, aprendendo, se descobrindo e se influenciando mutuamente, em busca de seus inconscientes.
Jung compartilhava com Freud a questão da transferência, porém, colocou uma diferença. Jung acrescentou que o analista deve ter conhecimento da transferência que está acontecendo ali, mas que não deve fazer uso dela. Deve, portanto, ter cuidado diante disso, pois o paciente fica muito frágil e suscetível diante do analista, assim como qualquer pessoa transferida por outra.
psicologia analítica utiliza também outras ferramentas além do discurso verbal. Elas podem ser expressões artísticas de todos os tipos, como desenhos, pinturas e argila, por exemplo. Também a amplificação, que possibilita a associação de mitologia e contos de fadas ao discurso do paciente, seja ele o relato de um sonho, fantasia, ou até mesmo de alguma situação de vida. Há ainda a imaginação ativa, que já existia entre os alquimistas, e que consiste em uma interação com os conteúdos do inconsciente através de sua personificação. Ou seja, seria imaginar livremente (utilizando a intuição e o sentimento, e não a razão) tais conteúdos específicos em questão e também seu relacionamento com eles vivos. Outra técnica utilizada é a caixa de areia, onde o sujeito pode manusear a areia seca ou molhada e acrescentar miniaturas, criando cenários em um ambiente ao mesmo tempo livre e protegido, tanto pela relação terapêutica quanto pela própria caixa. Todas essas técnicas proporcionam o diálogo entre consciente e inconsciente, ativando o desenvolvimento da personalidade.
Dois fatores foram decisivos na cisão do relacionamento entre Jung e Freud, suas discordâncias a respeito da natureza do inconsciente e sobre a libido. Para Freud o inconsciente é visto como o repositório de memórias e pulsões negadas e/ou reprimidas da consciência desde o nascimento até a morte da pessoa, cujos conteúdos são oriundos principalmente da infância e lutam sempre para vir à consciência. Sua manifestação trazia à tona o que a censura permitia passar pelos mecanismos de defesa. Nos sonhos, as imagens oníricas vinham o mais disfarçadamente possível, para que pudesse passar pela censura, e possuíam o objetivo de realização de desejos reprimidos ou vinham simplesmente porque eventos da vida ou conflitos interiores surgiam incomodando a consciência, fazendo com que tais conteúdos se manifestassem através dos sonhos.
Jung partilhava dessa opinião, mas acrescentou que, além disso, o inconsciente possuía outro aspecto além do pessoal, que seria sua parte coletiva, onde estariam presentes os arquétipos, que são imagens primordiais herdadas por todos devido ao fato de tais situações terem se repetido tantas vezes nas psiques na história da humanidade. Para Jung as imagens dos sonhos e das fantasias não vêm daquela forma difícil de ser entendida porque a censura atua para que o sujeito não se depare com o material recalcado, mas sim porque é próprio do inconsciente se comunicar de forma simbólica (e o próprio conceito de símbolo diz que nunca poderemos esgotá-lo totalmente, ficando um aspecto seu sempre inconsciente), ou seja, não porque vem disfarçado, mas sim porque o inconsciente só sabe se manifestar dessa maneira, não possuindo uma linguagem mais semelhante a que temos na consciência. Por isso é importante saber as associações do paciente, pois se o inconsciente dele usou tais imagens, é importante ver a relação que ele tem com elas. O objetivo do inconsciente é passar uma mensagem, ser reconhecido e integrado, compensar a atitude da consciência e proporcionar maior plenitude ao homem, e só não faz isso de forma mais clara porque não possui as ferramentas necessárias, fazendo então à sua maneira, mas isso não significa que ele tenta dificultar disfarçando, para proteger a consciência.
Para Freud a libido era considerada uma energia psíquica que direciona o sujeito na busca de prazer e estava relacionada aos fenômenos psicossexuais, mudando de objeto à medida em que o homem ia amadurecendo, como nas fases de seu desenvolvimento (oral, anal e fálica), sempre buscando a maturação sexual, caracterizada por um forte Eu e a capacidade de retardar o desejo por recompensas. Jung defendia que a libido não tinha somente a natureza sexual, mas tinha um sentido mais amplo, se manifestando por qualquer necessidade do indivíduo, à medida e no momento que ela fossem surgindo, como a fome, a sede, a sexualidade, a intelectualização etc.
Freud acreditava que não era possível uma cura completa, mas que a análise poderia ajudar a pessoa a abrandar as dificuldades inerentes à condição humana e, principalmente, entender e transformar os traumas infantis, deixando de ficar presa a eles de forma neurótica, mas encarando-os de forma mais saudável, mudando para objetos e objetivos mais saudáveis. Para Jung o objetivo da análise era a individuação, um caminho que cada um percorre de forma única e individual na direção de sua unidade interna através de forças interiores que sempre objetivam levar os indivíduos ao centro de seu interior, o Self.
 Jung - frase
Conceitos Junguianos
            Jung cresceu em uma casa que possuía uma enorme biblioteca, onde ele leu inúmeros assuntos diferentes e com isso foi um estudioso das mais diversas áreas, como as religiões orientais, a alquimia, a parapsicologia e a mitologia, entre outras. Dessa forma, sua análise sobre a natureza humana leva em consideração todos esses assuntos e isso faz com que ele desperte interesse e seja estudado por várias áreas além da psicologia.
Um dos principais conceitos de Jung e, pode-se dizer, o objetivo de todo homem para ele, é o da individuação, que seria um processo de desenvolvimento pessoal que envolve o estabelecimento de uma conexão entre o ego, centro da consciência, e o Self, centro da psique total, o qual, por sua vez, inclui tanto a consciência como o inconsciente. Para Jung, existe interação constante entre a consciência e o inconsciente, e os dois não são sistemas separados, mas dois aspectos de um único sistema, por isso é tão importante manter a comunicação e o equilíbrio do eixo ego-Self. A psicologia junguiana está basicamente interessada no equilíbrio entre os processos conscientes e inconscientes e no aperfeiçoamento do intercâmbio dinâmico entre eles, lutando sempre contra a unilateralidade e buscando sempre o equilíbrio entre os pares de opostos, conscientizando-os e integrando-os à consciência através da comunicação do eixo ego-Self, mas sem cair na enantiodromia, que seria passar de um oposto a outro sem fazer as devidas transformações e sem encontrar o equilíbrio entre eles.
Em relação à consciência, Jung desenvolveu as atitudes de extroversão e introversão, e as funções psicológicas pensamento, sentimento, sensação e intuição, usando tais conceitos no que chamou de Tipos Psicológicos. Segundo ele todos possuímos ambas as atitudes e ambas as funções, apenas em diferentes proporções, o que faz com que uns sejam mais extrovertidos, outros mais introvertidos, uns possuam mais desenvolvidas uma função em detrimento de outras etc.
extroversão é uma atitude objetiva e a introversão é uma atitude subjetiva. Essas duas atitudes se excluem mutuamente, pois  não podem coexistir simultaneamente na consciência embora possam alternar, e realmente o façam, uma com a outra. Uma pessoa pode ser extrovertida em determinadas ocasiões e introvertida em outras. Entretanto geralmente predomina uma dessas duas atitudes num determinado indivíduo durante a sua existência.
A função pensamento discrimina, julga e classifica os fenômenos a partir da lógica da razão, buscando avaliar objetivamente os “prós” e “contras” da natureza desses fenômenos. Nomeia e conceitua os objetos. De uma forma sintética, a função pensamento exprime o que é um objeto. Estabelece a relação lógica e conceitual entre os fatos percebidos. A função sentimento faz a avaliação dos fenômenos a partir de uma dimensão valorativa – eles são agradáveis ou não. Tal como o pensamento, julga, porém, não pela lógica da razão, mas pela lógica de valores pessoais – que, por sua vez, recebe influências dos valores sociais. O conceito de sentimento não deve ser confundido com os conceitos de emoção e afeto. Os sentimentos estão associados a uma dimensão valorativa de julgamento, já a emoção é um afeto de grande intensidade de energia chegando a alterar funções orgânicas, tais como batimento cardíaco e ritmo respiratório alterados por afetos de amor, ódio, ciúme, entre outros. A função sensação privilegia as informações recebidas pelos órgãos dos sentidos, constatando a presença sensorial das coisas que nos cercam no contexto do “aqui e agora”.
Corresponde à soma total das percepções dos fatos externos que ocorrem através dos órgãos dos sentidos. Por fim, a função intuição vai além da percepção (sensação), buscando os significados, relações e possibilidades futuras das informações recebidas.
Trata-se de uma apreensão perceptiva dos fenômenos (pessoas, objetos e fatos) pela via inconsciente. A intuição “vê” a natureza “oculta” desses fenômenos. A função intuição está associada a um tipo de percepção que antevê possibilidades de acontecimentos. Corresponde aos pressentimentos, palpites e impressões.
Pensamento e Sentimento são funções racionais e Percepção e Intuição são funções irracionais. E as funções psíquicas formam dois pares de funções opostas, entretanto, complementares: o pensamento é oposto, porém, complementar ao sentimento. E a sensação é oposta, porém, complementar à intuição.
Jung também estruturou as funções em função principal, que é a mais desenvolvida pelo sujeito, é usada de forma consciente; função auxiliar, que é a segunda mais desenvolvida, também utilizada de forma consciente, auxilia a função principal; função terciária, que possui desenvolvimento rudimentar, age num plano mais inconsciente; e função inferior, que é a mais indiferenciada, menos desenvolvida ou infantil, permanecendo num plano quase que exclusivamente inconsciente.
Todos os seus outros conceitos têm mais relação com o inconsciente. Em relação à dinâmica da personalidade, pode-se entender que no início da vida o bebê está ainda numa fase indiferenciada da mãe. Por não ter desenvolvido ainda um Eu próprio, compreende que ele e mãe são uma única individualidade, estando, portanto, numa fase urobórica, onde não há limites ou fronteiras onde um começa e o outro termina. À medida que vai se desenvolvendo ele vai desenvolvendo as pulsões de vida e de morte, e aos poucos vai se diferenciando da figura materna, constituindo-se como um Eu diferenciado. Esse, porém, é apenas o início desse desenvolvimento e dessa diferenciação, pois durante a vida será necessário haver a diferenciação do ego também com o Self no processo de individuação.
Conforme a criança vai crescendo, os primeiros grupos sociais com quem convive são a família e a escola. Nesses ambientes ela percebe que recebe aprovação por algumas coisas que faz e reprovação por outras, experimentando bons sentimentos e recompensas nas primeiras, e ruins na segunda situação. Com isso ela aprende a fazer mais aquilo que recebe aprovação, pois precisa do amor e da aceitação desses primeiros grupos sociais, principalmente dos pais e professora, para que possa se desenvolver de maneira confiante e saudável. Dessa maneira ela começa a desenvolver o arquétipo da persona, que seriam os diferentes papeis sociais que as pessoas desenvolveriam para que pudessem conviver e se adaptar em sociedade. Isso é necessário para que se possa viver de forma saudável, desde que o indivíduo transite entre suas diferentes personas de maneira a não se apegar demais a apenas uma ou algumas, deixando outras esquecidas, o que o manteria numa atitude unilateral, causando um desequilíbrio em sua personalidade. Personas seriam então os papeis que ocupamos na sociedade.
Exemplos de persona seriam a de mãe, a de filho, a de sogra, a de irmão, a de policial, a de médico, a de professor, a de esposa etc. Saudável é quando o homem assume a persona de policial no trabalho, de pai e marido em casa, de filho na casa dos pais e assim por diante. Se ele assume, por exemplo a persona de policial em casa, terá problemas decorrentes disso, tanto em sua psicologia interna, devido à unilateralidade e desequilíbrio, quanto de relacionamento com os membros da família.  Outro exemplo negativo seria se assumisse no trabalho e em casa sempre a persona de filho, o que poderia fazer com que sua esposa precisasse ser mãe dele ao invés de mulher; que seus filhos não o respeitassem tanto ou que ele disputasse coisas com eles; ou ainda que não fosse visto como um bom profissional no trabalho.
Em consequência do arquétipo da persona, outro arquétipo começa a se formar, o da sombra. Na sombra estariam contidos todos os aspectos que a criança reprimiu em si para que tivesse a aceitação que desejava, fazendo somente as coisas que saberia que receberia aprovação social. Além disso, a sombra também contém aspectos que a própria pessoa considera negativo, independente do social, ou ainda, aspectos que até ela mesma desconhece, por não ter consciência. Ela também pode conter aspectos positivos e desconhecidos do sujeito, que ele desconhece ou que não considera positivo. A sombra, portanto, é inconsciente e por isso costuma ser projetada no outro. Quanto maior e mais inconsciente é a sombra, mais a pessoa a projeta e mais fica em desequilíbrio, o que pode lhe causar muitos problemas, pois sua energia psíquica está toda represada nesse seu aspecto, ficando os outros carentes dessa energia, por isso é necessário que a pessoa se conscientize dela.
Para Jung, a criança é a extensão da psicologia de seus pais e está sujeita às influências deles, estando suas experiências posteriores e relacionamentos adultos, dependentes da forma como irão internalizar as figuras de seus pais e relacionamento deles e com eles. E quando se fala em internalizar tais figuras, não necessariamente se fala da figura real, mas também da imagem arquetípica de mãe e de pai. Segundo ele, ao nascer a criança tem sua consciência toda dentro do inconsciente, ou seja, ela é só inconsciente coletivo. Depois, vai aos poucos expandindo sua consciência, à medida que vai tendo experiências, e desenvolvendo seu inconsciente pessoal. Dessa forma o ego fica no centro da consciência, mas não sendo ele o todo, e sim apenas uma parte do todo que é o Self, centro da psique total.
Como já foi visto, o conceito de inconsciente para Jung pode ser dividido em dois, o pessoal e o coletivo. Independente de qual seja, Jung concebia que a linguagem do inconsciente seria por imagens, símbolos e fantasias, por isso seria difícil decifrá-lo, por ser um tipo de linguagem diferente (imagens) da utilizada pela consciência (palavras). Ele também trouxe a ideia de que o inconsciente possui função compensadora da consciência, ou seja, se o ego está muito focado em uma única direção, o inconsciente se manifestaria sempre numa direção oposta, com a intenção de mostrar outro ângulo à pessoa e também para buscar o equilíbrio do sistema psíquico.
inconsciente pessoal para Jung se originava a partir do coletivo e, como Freud, também considerava que continha conteúdos mentais inacessíveis ao ego, reprimidos durante a vida e um lugar psíquico com seu caráter, suas leis e funções próprias. Acrescentou que também conteria conteúdos percebidos apenas de forma subliminar.   E o inconsciente coletivo seria a parte do inconsciente que contém aspectos que nunca foram conscientes, os arquétipos, bases filogenéticas e instintivas da raça humana que foram herdadas pela psique devido às experiências repetidas que as pessoas foram tendo durante toda a história da humanidade. Nesse inconsciente estaria contido o inconsciente pessoal e seus conteúdos refletem processos arquetípicos. As manifestações do inconsciente coletivo aparecem como motivos universais, ou seja, se repetem independente da época ou cultura. Inclusive foi observando isso que Jung chegou à conclusão da existência desse inconsciente.
Exemplo disso foi o sonho que ele analisou de um paciente psicótico a respeito do falo do sol ser a origem dos ventos, e tempos depois ter encontrado a mesma referência num mito de uma antiga religião persa, tendo certeza de que não tinha como o paciente ter tido acesso a esse dado.
Através do método da livre associação, Jung identificou relações entre idéias que das quais os pacientes não podiam ter conhecimento prévio, nem por ter ouvido ou lido a respeito. Indo adiante em suas pesquisas, ele encontrou paralelos entre as tramas e os símbolos dos sonhos de todo tipo de pessoas: desde seus pacientes até prisioneiros nas cadeias americanas e indígenas no meio da África. Não somente, ele se deu conta que havia temas recorrentes na história da cultura humana, expressos tanto na mitologia como na literatura. A conclusão de Jung foi que o inconsciente não podia ser somente pessoal. Há um nível mais profundo que é coletivo, pertencente a todo indivíduo do planeta. (NOGUEIRA, 2010 Mai 13)
Jung falou também dos complexos, seriam grupos de ideias ou imagens carregadas emocionalmente, que possuem em seu núcleo um arquétipo correspondente. Dessa maneira, os arquétipos são os núcleos dos complexos, existindo um para cada situação da vida, de tal maneira que Jung chamou de arquétipo também o ego. Pelo fato dos complexos serem carregados de emoção, e estarem ligados a seu núcleo arquetípico por um vínculo energético, quando constelados ou ativados, são naturalmente acompanhados por um afeto. Por essa razão e pelo fato de serem sempre em parte ou totalmente inconscientes, acabam sendo relativamente autônomos, o que faz com que, quando constelados por alguma situação que tenha relação com eles, tenham o poder de tomar à frente do ego na consciência e agirem por si. Isso é possível porque a constelação faz com que ganhem uma quantidade grande de energia psíquica que ultrapassa a energia do ego, que só volta ao controle da consciência quando a energia do complexo em questão se esvazia, fazendo com que ele perca a força e volte ao inconsciente.
Quando totalmente inconsciente de seu complexo, o ego ao retornar ao controle, pode ficar surpreso e arrependido por ter agido de tal maneira, não entendendo o que o levou a fazer aquilo. Se a pessoa possui uma persona muito bondosa, provavelmente sua sombra é bem grande e, se nem ela e nem os outros a seu redor tiverem consciência disso, o susto pode ser bem grande quando o complexo da sombra, por exemplo, vem à tona em alguma situação. Por isso é tão importante conscientizar o máximo de conteúdos ou complexos possível, pois eles só assaltam a consciência quando são negados e reprimidos por ela, pois seu único objetivo é ser reconhecido pela mesma. Uma vez reconhecidos, conscientizados e trabalhados, o sujeito poderá perceber quando estiverem sendo constelados por alguma situação e, conscientemente, terão o poder de escolher quando e como usará seus aspectos. Isso é possível de ocorrer porque a energia psíquica do ego estará maior, uma vez que os conteúdos não estão mais tão arraigados ao inconsciente e também porque o ego mais consciente e trabalhado, estará mais fortificado.
A conscientização dos complexos e o trabalho decorrente disso, ocorrem através do diálogo entre os conteúdos do indivíduo, ou seja, não basta só tomar consciência dos aspectos de sua sombra, por exemplo, é necessário ir aos poucos integrando-os à consciência. Isso é um trabalho longo e paulatino, que deve ser feito por toda a vida e, de forma resumida, é nisso que consiste a individuação. Por isso ela nunca está terminada, pois sempre haverá conteúdos a serem reconhecidos e integrados.
Esse diálogo ou comunicação entre o ego e o Self ocorre através do eixo ego-Self, quando este está funcionando direito, sem interrupções, e é feita através de imagens, onde o ego aos poucos vai tendo acesso e se relacionando com o inconsciente. Se há uma interrupção nesse eixo, ego e Self não se comunicam direito e pode haver uma neurose, ficando a pessoa egoica demais e sem contato com seus conteúdos internos. Nesse caso é necessário o fortalecimento desse eixo e o aumento do relacionamento dessa pessoa com suas imagens e conteúdos inconscientes. Quando essa interrupção é grande demais, existe uma fenda entre ego e Self e pode ocorrer a psicose, que é quando o ego se desestrutura por completo e só o inconsciente passa a existir, estando o ego mergulhado em suas imagens. Nesse caso é necessário o fortalecimento do ego e o resgate dele das imagens do inconsciente, através do próprio relacionamento com elas.
Como foi visto, o ego também é considerado um arquétipo e é o centro da consciência, sendo o responsável por dirigir nossa vida consciente, nossas ações e escolhas, buscando sempre proteger a consciência de qualquer coisa que a ameace. Apesar das pessoas acharem que ele é tudo, que elas são ele, ele é apenas uma parte do sistema psíquico. A outra parte é o inconsciente e nele se encontra o Self, que realmente é a essência de cada um, sendo o objetivo de todos ir de encontro a esse verdadeiro centro e se tornar ele, ou seja, a individuação, como já foi dito.
Self, portanto, é o arquétipo central, responsável pela ordem e totalidade da personalidade. É formado pelo consciente e pelo inconsciente juntos e é o centro da psique total. Geralmente é representado por símbolos que remetam a essa totalidade, como mandalas, círculos e imagens impessoais.
Há ainda os arquétipos da anima e do animus, que são responsáveis por auxiliar o ego a entrar em contato com o inconsciente, afim de aprofundar sua relação com o mesmo na busca e no caminho da individuação. Anima é a parte interior feminina da psique do homem e animus a parte interior masculina da psique da mulher, servindo então ao equilíbrio do sistema psíquico, uma vez que compensam a atitude masculina ou feminina da consciência.

A prática na clínica junguiana
            A prática junguiana na clínica é psicanalítica porque trabalha com o inconsciente, e tem muitos pontos em comum com a psicanálise, afinal, Jung esteve junto com Freud por um tempo e compartilha de suas ideias. A diferença principal é que ele acrescentou coisas. Então, pode-se dizer que a prática clínica de Jung é bem semelhante à de Freud, apenas com algumas diferenças nos conceitos teóricos, principalmente na adição de alguns, como o do inconsciente coletivo, que foi adicionado ao conceito de inconsciente puramente pessoal de Freud.
Diante disso, é possível ver que a psicologia junguiana compartilha com a psicanálise a questão conceitual do recalque e do inconsciente, com a questão da formação dos sintomas; e a questão prática da forma de trabalhar, pois ambas estão interessadas em proporcionar o surgimento do discurso do inconsciente.
Como já mencionado, a diferença aparecerá na escuta desse inconsciente, pois não necessariamente ele trará conteúdos recalcados daquele paciente, mas sim a manifestação de conteúdos arquetípicos que nunca foram conscientes no sujeito, que nunca foram vividos por ele, mas foram trazidos pelo inconsciente coletivo por algum motivo, o que deve ser analisado com ele de acordo com seu momento atual. Jung defendia a ideia de uma psique autorreguladora, que está sempre buscando sua organização, mesmo em psiques em estados bem caóticos. Dessa forma, às vezes a maneira que encontra de proporcionar essa organização, é trazendo conteúdos mitológicos, por exemplo, em que sendo analisados e associados com a vida do paciente, uma transformação ou entendimento pode surgir daí.
É importante frisar que a manifestação do inconsciente (pessoal ou coletivo) e o trabalho do mesmo, não funciona apenas para resolver conflitos, mas acima de tudo, tem o objetivo de desenvolver todas as potencialidades daquele indivíduo, mobilizando a consciência e buscando o desenvolvimento como um todo, que seria o processo de individuação.
Outro tópico que é importante esclarecer, é o do uso das religiões, mitos, alquimia etc. Jung por muito tempo foi considerado místico e não levado a sério pela comunidade científica por estudar tais assuntos. Porém, ele nunca esteve interessado em obter respostas sobre eles, mas sim em analisar os efeitos de tais manifestações na psique do homem. Além disso, analogias entre a vida, sonhos e fantasias do paciente com mitos, contos de fadas, processos alquímicos ou relatos religiosos funcionam de forma a enriquecer a gama de associações e de experiências, proporcionando insights e autoconhecimento, e nunca devem ser vistos de forma literal.
Como já foi exposto, junguianos utilizam muitas técnicas expressivas para auxiliar o discurso e a manifestação do inconsciente. Além das já mencionadas, pode-se usar também expressões corporais como a dança, ou ainda os desenhos, modelagem, trabalho com o barro etc. Cada um escolhe aquela que preferir, mas todas possuem o mesmo objetivo: trabalhar o que é expresso, seja no discurso ou por sonhos, e buscar entender e interpretar, com a finalidade de proporcionar o conhecimento e a comunicação entre consciente e inconsciente.
De acordo com esse objetivo, fica claro que a abordagem junguiana não trabalha com a busca da cura, porque não acredita haver uma cura específica. Para a psicologia analítica, a “cura” seria encontrar a si mesmo, o grande si mesmo, e não o ego limitado e sempre parcial. O objetivo seria a pessoa se tornar aquilo que ela realmente é em essência, através de um trabalho de conscientização e aproximação de consciência e inconsciência pela vida toda, em movimentos circum-ambulatórios, indo e vindo e cada vez se aproximando mais. Ou seja, o objetivo da análise junguiana é a busca da individuação. Porém, sempre respeitando a capacidade do ego do paciente em lidar com seu inconsciente, e também a intenção do paciente, pois uns podem apenas querer resolver alguns sintomas ou questões específicas, outros permanecem após isso e entram em processo analítico.
Por fim, a abordagem junguiana não prioriza tanto o diagnóstico, pois o que mais importa é como ela vai lidar e se organizar diante daquilo, e qual o significado que aquilo tem para a pessoa.

Por Rafaella Santos Silveira
Psicóloga

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Sobre o Processo Quântico da Consciência


Quem somos nós? De onde viemos? Para onde vamos? Eis alguns questionamentos que carregamos ao longo da vida e, segundo C. Gustav Jung (1987), estarão mais presentes a partir da metanóia (ou segunda metade da vida) - palavra grega que tem duas raízes: meta, que significa tanto “grande mudança” quanto “além”, e noia, derivada de nous, uma palavra de múltiplos e complexos significados, inclusive “consciência superior” -, quando o homem passa a se questionar sobre o sentido da vida, em busca da espiritualidade. Respondê-los tem sido o grande desafio das ciências, que realizam estudos e pesquisas na tentativa de elucidar tais mistérios.
O que trazido neste trabalho não carrega consigo a pretensão de verdade, mas constitui-se apenas num modo de compreensão da realidade. Nada posso dizer sobre a origem ou finalidade do homem, visto que o processo ainda se dá, isto é, há sempre um “sendo” (devir, vir-a-ser), uma constante transformação que parece ter a ver com aquilo que Jung denominou “individuação” – ou principium individuationis -que consiste em realizar ou concretizar conscientemente o pleno potencial de cada um. O que cabe a este trabalho é apenas a comunicação de uma observância.  

O Processo Quântico da Consciência

Penso que o fato de não conseguirmos responder às questões colocadas acima nos leva a tentar, de algum modo, elucidar a experiência chamada vida. Desse modo, o homem é suficientemente livre para organizar sua experiência conforme a observa. Um modo de pensar essa experiência me levou à idéia de que, se a realidade não está pronta e o nosso olhar sobre ela possibilita novas organizações da mesma, isto é, se podemos afirmar que a mente cria a realidade, então talvez seja também possível construirmos um modelo que dê a essa experiência um sentido, uma ordem, um funcionamento próprio. Contudo este modelo ainda não foi descoberto (ou inventado) pela física (atualmente considerada quântica), enquanto ciência natural, isto é, esta última ainda não pôde criar (ou sequer imaginar) um modelo atômico que atenda aos novos estudos que relacionam a consciência com a realidade, levando em consideração que a valoração de uma ciência está muito mais relacionada com o que ela pode produzir de novo (ainda que este novo não seja um conceito) do que com aquilo que ela já traz enquanto saber – porque não dizer última “verdade”.

Jung (1986) acreditava que os eventos da vida possuem uma relação sincrônica. Esta relação é composta de um sujeito vivenciando sua experiência subjetiva e atemporal, e um objeto aparentemente manifesto fisicamente por uma consciência que o observa. Nessa relação o sujeito necessita momentaneamente se identificar com a consciência para, a partir daí, relacionar-se com o objeto percebido. Contudo, Jung (1986) compreendia que essa relação não partiria nem de um pólo nem do outro, pois na duração do evento (duração esta percebida pela intuição) tanto o sujeito quanto o objeto participam simultaneamente do acontecimento, isto é, o acontecimento é resultado do colapso entre a consciência que observa e a apreensão de uma possibilidade (dentre diversas) da realidade. A causalidade estaria, então, na compreensão da relação dos eventos como causa e efeito, o que para Jung ainda é limitado para explicar as relações não-causais, as quais ele chamou de sincronicidade. Tal conceito seria uma quarta condição a priori da experiência (as outras três são espaço, tempo e causalidade), sendo estes “conceitos formulados através de hipóteses nascidas da atividade discriminadora da mente consciente... as coordenadas indispensáveis para descrever o comportamento de corpos em movimento que são, por conseguinte, de origem essencialmente psíquica” (JUNG, 1990, p.28 apud CLARKE, 1993).
Desse modo, a sincronicidade poderia ser considerada como “um exemplo especial de uma regularidade não-causal” (ibid, p.139-40), um princípio a priori de ordem, no qual os eventos estariam relacionados de forma significativa, isto é, os fatos teriam relação entre si não somente pelas conexões causais aos quais eles estão submetidos – que as coordenadas tempo e espaço conseguem abarcar – mas também conexões dotadas de significância para o desenvolvimento da consciência, que circunscreve em si mesma nossas dimensões moral, psicológica e espiritual. Para Jung, isso significava que o mundo psíquico do significado e da intenção não estava jogado aleatoriamente no universo – como um órfão cósmico – todavia ele, juntamente com o mundo da vida e da matéria, formava um único cosmo. Nesse sentido a mente seria, então, um retrato dessa ordem cósmica, enquanto parte integrante do funcionamento das leis da natureza.
Contudo, o que registra e repensa a experiência? Não vejo outro recurso do que a própria consciência, uma consciência que se volte para o seu próprio processo e participe da realidade tanto quanto a realidade participa dela. Nesse sentido, a consciência pode se perceber em diferentes níveis de organização do Cosmos, o que me levou a pensar em sete categorias (ou “conjuntos”) que vão do Macro ao Microcosmo. Assim, a primeira categoria em que a consciência poderia se reconhecer seria a totalidade do organismo vivo: o nosso sistema corpóreo (onde geralmente nos posicionamos, isto é, nossa consciência se percebe egoicamente enquanto participante da matéria em sua totalidade e é justamente a atitude reflexiva do ego enquanto não pertencente a esse conjunto corpóreo que possibilita o desenvolvimento da consciência); a segunda categoria seria o “conjunto” de órgãos; a terceira o “conjunto” de tecidos; a quarta o “conjunto” de células; a quinta o “conjunto” de moléculas; a sexta o “conjunto” de átomos; e a sétima categoria seria o “conjunto” das partículas subatômicas. Entretanto, vale a pena fazer uma ressalva: é justamente a perda desta visão de conjunto que possibilita a extrema nitidez, clareza e certeza da dinâmica do Cosmos (leis gerais da Natureza). Na verdade, usei a palavra “conjunto” muito mais para delimitar as fronteiras de cada categoria e as conceber como universais em suas particularidades do que para defini-las como um todo distinto das outras partes. Assim, justifica-se o uso da palavra entre aspas.
Uma vez que a consciência começa a se reconhecer como participante do “conjunto” de partículas subatômicas, ao meu ver ela passa a pertencer ao funcionamento do Cosmos, da organização do Universo. Mas como realmente funciona esse Todo ordenado?
Admitindo-se agora que a consciência pertence ao “conjunto” das partículas subatômicas, recorremos à Física para nos ajudar a compreender essa dinâmica. Atualmente a física quântica, ainda que não tenha chegado à imagem de um modelo atômico que explique o funcionamento do Universo a partir do Princípio de Incerteza de Heisenberg - onde não precisamos se o elétron se apresenta como partícula ou como onda – continua a adotar estados estacionários que constituem os níveis de órbita dos elétrons: K, L, M, N, O, P e Q.
Segundo Heidegger, a consciência - enquanto fenômeno - nasce das dinâmicas ou modos de realização da realidade de todo e qualquer real. Ela se processa no exercício operativo que o homem realiza em sua temporalidade, ou seja, em seu tempo histórico. O ser não pode ser sem as próprias condições espaciais e temporais para se exercer. Ele somente é este sendo porque também a realidade está se realizando, isto é, em processo. Visto que a consciência exercita uma fenomenologia, conforme foi afirmado acima, ela agora participa do “conjunto” das partículas subatômicas que transitam entre os referidos estados estacionários, tendo como objetivo identificar a existência dos nódulos energéticos (ou complexos) a fim de dissolvê-los para possibilitar o fluxo natural da energia psíquica.
Para uma consciência que se exprime na temporalidade da existência, a necessidade do seu próprio desenvolvimento somente surge quando um emaranhado de afetos, com todo seu potencial energético, irrompe-lhe a consciência levando o homem a pensar sobre si e sua relação com o mundo. O alcance de um novo nível quântico se dá na medida em que o homem sustenta a tensão originada pela presença daqueles afetos. Tanto mais for carregado energeticamente, isto é, quanto mais quanta dinâmicos estiverem atuando na relação de tensão com outros quanta dinâmicos, maior a probabilidade de se realizar o salto quântico para um nível mais desenvolvido da consciência. Isto poderia ser melhor compreendido pela tensão entre consciência e inconsciente presente na teoria junguiana. Em Jung (1990) existe um movimento em direção a uma compreensão dialética dos dois, quando nas Obras Completas vol. 8 pgf. 385 ele fala, e.g., de uma consciência na qual o inconsciente predomina, assim como de uma consciência na qual a consciência de si mesmo predomina, ou seja, uma consciência tão ampla que engloba tanto a consciência de si mesmo quanto o inconsciente (enquanto possibilidade de realização do ser). Assim, o chamado “inconsciente” é sempre consciência do próprio inconsciente. Todavia, em que consistiria de fato esta tensão? Ora, para Hegel esta tensão dialética proveniente de um jogo de forças – como um conflito entre tese e antítese, resultando numa síntese –não recebeu o nome de conflito entre afetos, o que por sua vez aparece nos escritos de Nietzsche.
Quando há um sujeito em contato com seus afetos, a compreensão da natureza dos mesmos possibilita um caminho que antes foi representado por aquilo que Jung denominou “função transcendente”. Segundo este autor, a “função [...] ‘transcendente’ resulta da união dos conteúdos conscientes e inconscientes” (JUNG, 1981, Vol. VIII p. 69). Dito de modo outro: um sujeito que tem conhecimento da natureza inconsciente de seus afetos é capaz de conectar-se ao seu centro ordenador (centro este denominado por Jung de “Si-mesmo”), na medida em que este se apresenta como resultado de um esforço contínuo da tomada de consciência dos afetos que lhe traspassam. Então, vendo seus afetos se chocarem num jogo de forças, o indivíduo passa a ter liberdade na escolha daquele que fundamentará sua ação. Daí, a ação realizada afeta os outros e também o próprio indivíduo. Por feedback do meio social de sua ação na realidade, o indivíduo passa a ter consciência da relação positiva entre o afeto “do comando” (aquele que age sobre todos os outros) e o meio. Como num laboratório, há que se valorar (avaliar, interpretar) constantemente os afetos presentes em cada situação.
Quando se chega a esse nível de observância, o indivíduo é capaz de sustentar as ações nesse “ótimo” encontrado dentro de si: aquele lugar por Nietzsche denominado de “pathos” da distância (neste contexto a palavra tem o sentido de “a dosagem certa de paixão”). Nele, o indivíduo se mantém como quem sustenta o doloroso embate entre os afetos inconscientes e a consciência que tende a recebê-los em processo de transformação.
Assim, posso compreender que esse esforço contínuo de sustentação do conflito é o que constitui a função transcendente: sustentar a imagem (símbolo) através da recordação – constante rememoração para que ela possa se firmar enquanto afeto (quanta dinâmico) – e suportar a vontade racional de interpretar o seu significado. Entendo que a “ponta” é o encontro da consciência com o inconsciente, quando cessam todas as polaridades e se constela a união dos opostos, dos princípios feminino e masculino. O modo como eles se apresentam tem relação com os modos de apresentação do neutrino - ou “pequeno neutro”-: são três tipos jocosamente chamados de “sabores” (o elétron-neutrino, o múon e o tau), que ainda não têm seu funcionamento compreendido pela ciência física, mas que a meu ver correspondem a esta dinâmica dos princípios mencionados, com acréscimo do vetor correspondente à função transcendente, um princípio que não pode ser causado por nenhum outro, por ser ele mesmo causa de si próprio). Penso que a ciência física deve ainda levar em consideração a possível existência do quarto tipo de neutrino – o chamado neutrino estéril -, o que daria mais sentido à dinâmica dos princípios, pois para mim o entendimento do funcionamento desta somente poderia se dar pela presença de um quarto princípio: aquele para o qual o homem é destinado, isto é, um princípio equivalente à finalidade da existência do homem.
Resumidamente, portando-se a um gráfico bidimensional, poderíamos compreender o eixo C (consciência) como correspondente a um esforço de interpretação e o eixo I (inconsciente) como correspondente a um “acolhimento” das imagens originárias. Se todo pensamento carrega um afeto, conforme escreveu Nietzsche, então cada vez que existir um esforço do pensar esse pensamento será dotado de uma imagem constituída de densidade afetiva. Atentemos para a percepção de que tais eixos representam um conflito inicial do ego, como se correspondesse a uma primeira etapa do processo de individuação. Estarei a discorrer sobre a etapa posterior num momento próximo deste trabalho.
No que diz respeito ao ego, afirma Jung:
“[...] é um dado complexo, formado primeiramente por uma percepção geral do nosso corpo e existência, e a seguir, pelos registros da nossa memória. Todos temos uma certa idéia de já termos existido, quer dizer, de nossa época em vidas passadas; todos acumulamos uma longa série de recordações. Esses dois fatores são os principais componentes do Ego, que nos possibilitam considerá-lo como um complexo de fatos psíquicos. A força de atração desse complexo é poderosa como a de um ímã: é ele que atrai os conteúdos do inconsciente, daquela região obscura sobre a qual nada se conhece. Ele também chama a si as impressões do exterior que se tornam conscientes do seu contato. Caso não haja esse contato, tais impressões permanecerão inconscientes. O Ego é o centro de nossas atenções e de nossos desejos, sendo o cerne indispensável da consciência” (JUNG, 2000, p. 29).
A arte de guiar conscientemente a psique para a autêntica vivência do que Jung chamou de “experiência religiosa” sugere uma observância apurada das imagens oriundas do inconsciente. Porém, para que tais imagens possam chegar à consciência da forma mais fidedigna possível, faz-se necessário que o ego – unidade potencial da personalidade que media o mundo interno e externo - esteja em plena observância de si. Não basta a existência de um ego que faça o diálogo entre a consciência e o inconsciente, mas também um ego que, no contínuo conhecimento de si, na contínua descoberta de si, possa ser apenas veículo das imagens do ser originário. Desse modo, o diálogo entre o inconsciente e a consciência dar-se-ia muito mais por um fluxo imagético do que por interpretação analítica, realizada por meio do intelecto.
Uma conduta fundamentada nesta observância proporciona a experiência do “religere” (observação cuidadosa de si mesmo), num sentido mais ontológico que o “religare” (religar, reunir, tornar a unir). Todavia, a tarefa de voltar os olhos para seu próprio processo, quando o mundo contemporâneo estimula a alienação da sociedade de consumo - e onde os males da mesma não são mais do que o conjunto dos males individuais - encontra-se por demais dificultosa para indivíduos imersos nesta circunscrição. Costumo dizer que não se orientar pelos valores, crenças e convenções é um ato de coragem, é um “dizer sim” nietzschiano à vida. Mas, como a alma é “naturaliter religiosa” - isto é, possui em sua natureza mesma uma função de reconexão com seu centro ordenador -, ao homem cabe esta experiência do “relegere” (recolher, compreender, revisitar, reler). Ele até pode negar a experiência religiosa, entretanto este “não” também estará impulsionado pela sua vontade de realização de si e, diante da força avassaladora do inconsciente, nada a ser dito restaria para o mesmo. Sua vontade jamais se sobrepõe à potência do Si-mesmo.
No eixo ego-self inicialmente é preciso dispor o ego para percorrer os níveis de consciência, como se ele próprio se constituísse como um veículo de transição até o Self.Aqui surge, porém, um obstáculo. Tendo reconhecido o ego, torna-se necessário um acompanhamento dele – aquilo que em Hegel compreende-se como “olhar do filósofo” -, como se pegássemos alguém pelo braço e levássemos até determinado lugar. Assim, o filósofo deve carregar o ego (como se fosse ele, porém tendo a consciência de que essa atitude – essa pseudo-identificação - é necessária apenas para dar início ao processo) até percorrer todo o trajeto circumambulatório. Como afirmei anteriormente, o obstáculo de agora consiste em como o filósofo posicionará o ego, e este fator é de extrema relevância, já que a partir daí configurar-se-á o percurso em espiral a ser trilhado pela consciência.
Nesse sentido o filósofo, enquanto ego, deve se prostrar em observância do conflito entre a consciência e o inconsciente, não se identificando nem como sujeito nem como objeto de conhecimento, mas sim sustentando a tensão dialética originada do conflito entre ambos. Este conflito entre a consciência e o inconsciente nada mais é senão o conflito daquilo que Nietzsche, num póstumo de 1888, chamou de “quanta dinâmicos numa relação de tensão com todos os outros quanta dinâmicos...” (KGW VIII 3, 14 [79]). Acontece que atualmente concebemos a consciência que possuímos como o último recurso para nossa compreensão da realidade. Partimos dela e a ela retornamos como se fosse o único instrumento (terminado em si mesmo) que temos, ou melhor, como se nós já fôssemos ela, em sua totalidade.
Supondo que a nossa época esteja isenta de espiritualidade - o que a mim parece visível - faz sentido encerrarmo-nos no modelo de consciência vigente em nossa contemporaneidade perdendo a riqueza dos questionamentos, acerca de nossa origem ou finalidade, reflexões estas que talvez possibilitassem um novo olhar sobre a nossa singular presença no mundo? Porque será que nós mesmos nos boicotamos de um progresso que compete a cada um realizar? Porque será que nos prendemos a modelos quando, no exercício de nossa criatividade, a realização de um novo (olhar, pensamento, construção científica) seria a fonte de um desenvolvimento coletivo? Isso pressupõe um processo de reflexão que nos retira do que até então tem se vigorado como último recurso ao qual recorremos quando se trata de identificação do ego. Um homem imerso nos valores vigentes do mundo atual é um homem ausente de contato consigo mesmo, fora da sua “ethos” (morada), e por isso distante de uma ética que se constitui não enquanto norma de conduta, mas sim como constante avaliação daquilo que lhe é útil ou não, daquilo que lhe convém ou não. Eis o grande obstáculo: pensar na natureza inconsciente do que nos constitui, pensar que o homem não finda nesse modelo de consciência vigente atualmente (mais direcionado para os processos neurofisiológicos originados no cérebro, segundo mostram os estudos da neurociência).
Para esclarecer melhor aquilo que Nietzsche chamou de “quanta dinâmicos”, posso dizer também sobre um jogo de forças, vetores quânticos que se chocam mutuamente no interior do indivíduo, tensionando-o em busca de uma síntese. Nesse sentido, quem age sobre todos esses vetores é o “afeto do comando” (ou a resultante que Jung denominou “Função Transcendente”), o afeto que se sobressai na relação conflituosa entre a consciência e o inconsciente. Para explicitar de forma mais acessível o que vem a comunicar a expressão “afeto do comando”, deveria eu recorrer a uma breve explanação ao que Nietzsche denominou “vontade de potência”, o que não me parece salutar neste trabalho. Em Além do Bem e do Mal, por exemplo, ele afirma que “a vontade não é apenas um complexo de sentir e pensar, mas, sobretudo, um afeto: aquele afeto do comando” (1992a, p.24). Por isso que o filósofo, temporariamente identificado com o ego, deve sustentar o conflito de forças para que o “sendo”, no seu vir-a-ser, se constitua enquanto expansão da consciência, fazendo com que o ego experiencie novos estados, naturalmente mais elevados.
A cada síntese elaborada um novo estado de consciência é alcançado, um salto quântico é dado. Como tudo o que é novo causa temor, espanto, ou perplexidade, o ego se percebe também meio confuso nessa nebulosidade em que agora ele se encontra. Ora, justamente nesse instante o ego - ser - não é nem o que ele era nem o que ele está por vir-a-ser. Ele é, ainda sob meu ponto de vista, uma nuvem quântica formada de ondas (visto que, durante a transição de um estado para outro, não existem as coordenadas de tempo e espaço: elas voltarão a surgir quando o ego alcançar uma nova órbita, ou estado de consciência). Até lá os elétrons estarão a se organizar para dar estabilidade ao ego que ainda “tateia” um assento, pois só poderá novamente reconhecer-se enquanto tal quando alcançar o próximo estado estacionário.
Se antes falava do ego enquanto complexo energético, coloco que a cada estado de consciência alcançado aquele complexo anterior tende a se dissolver, possibilitando um amálgama – porque não dizer uma união - entre o ego e a consciência (por muitos chamada de Consciência Moral), isto é, quando já não há mais distinção o entre o que somos e aquilo que possuímos enquanto valores morais, quando nos tornamos a nossa própria consciência:
 “A consciência que de espontânea passa a reduzida se o objeto da experiência for tão grande que diminua o indivíduo, é responsável por um domínio da moral, algo também de certa forma incomensurável. Entendemos por isso que qualquer ação praticada pelo sujeito não pode ser julgada conforme expectativas criadas e sim como algo resultante de um conceito destituído de mensuração. Somente ao aprender a conviver com a moralidade sem falsos moralismos é que o sujeito pode resgatar o Eu perdido para noções pouco cristalizadas, por isso mais condizentes com a humanidade a ser resgatada” (Madalena Machado, in Moral e Dialética n'O Homem Duplicado).
De modo mais objetivo e detalhado, parece que no decorrer do processo de individuação o ego, que até então se configurava como um nódulo (um condensado e por isso sólido), tende a perder e a ganhar energia bem como acontece com os elétrons quando interagem entre si e emitem radiação. Contudo, isto somente ocorrerá se a carga energética presente no vetor for equivalente (tiver a mesma carga, porém com spin contrário) à carga do complexo (nódulo energético) a ser dissolvido. (vale ressaltar que penso os complexos como tendo o mesmo comportamento dos elétrons: cargas negativas que giram nos seus estados estacionários em torno do núcleo – Self ou Si-Mesmo -, não previsíveis mas passíveis de dissolução quando submetemos a psique a uma leitura mais apurada de seu funcionamento).
A meu ver, a dinâmica dos complexos corresponde à dinâmica dos elétrons em torno do núcleo atômico. Para Jung os complexos são os caminhos que nos permite chegar ao inconsciente: “A via régia que nos leva ao inconsciente, entretanto, não são os sonhos, como ele [Freud] pensava, mas os complexos, responsáveis pelos sonhos e sintomas” (JUNG, [1971]1984). Segundo ele, os complexos referem-se a agrupamentos de idéias carregadas de afeto, são autônomos e possuem funcionamento e memória próprios. A psique pode ser abordada como uma constelação de complexos, sendo que os mesmos possuem um conteúdo peculiar:
“Complexo é a imagem de uma determinada situação psíquica de forte carga emocional e, além disso, incompatível com as disposições e situações habituais da consciência. Esta imagem é dotada de poderosa coerência interior, tem sua totalidade própria e goza de um grau relativamente elevado de autonomia. (...), está sujeita ao controle das disposições da consciência até um certo limite e, por isto, se comporta na esfera do consciente como um (...) corpo estranho e animado de vida própria” (JUNG, 1984, p. 99).
Apenas o conhecimento deste agrupamento de idéias afetivas pela consciência não garante que este deixe de perturbar o funcionamento da psique, mas pode-se dizer que a conscientização é o primeiro passo para a redistribuição da energia psíquica contida nele. Libertando esta energia do aprisionamento do complexo, ela pode fluir e distribuir-se em direção a novos conteúdos em busca de um equilíbrio psicológico. Jung ([1971]1984) considerava este fenômeno um dos fatores mais importantes do processo terapêutico e, na minha opinião, ele se configura como fundamental para o processo de cura dos pacientes.

Uma vez que o ego tenha se tornado a própria consciência do sujeito, as tensões de forças (relação de quanta com outros quanta dinâmicos)  não deixarão de existir, só que desta vez a função transcendente constituir-se-á no conflito entre o ego e o inconsciente, como constituinte de uma segunda etapa do processo, a fim de alcançar o que Jung chamou de Si-Mesmo, “a soma total dos conteúdos consciente e inconsciente” (Obras Completas, vol.11, parág. 140) ou ainda, nietzschianamente falando, quando o indivíduo “torna-se o que se é”. Nesse percurso do complexo energético – reunião de elétrons vistos como partículas (o ego é denso, enquanto afetado por vetores quânticos) – na medida em que eles liberam ou absorvem determinada quantidade de energia, haverá saltos quânticos em que seu tamanho será diretamente proporcional ao quanta absorvido ou liberado pelos elétrons. A título de informação, o “quanta” foi proposto por Max Planck em sua tentativa de provar que a radiação eletromagnética é  constituída por pacotes individuais (que também são chamados de fótons). A quantidade elementar, indivisível, dessa energia é denominada “quantum”. Portanto, o afeto seria um feixe de luz (quantum) que transmite energia através de pacotes individuais (quanta ou, mais precisamente, fótons).
Durante a transição dos elétrons entre a órbita antiga e a que está para ser alcançada eles vivem numa espécie de neblina, um espaço nebuloso em que os elétrons comportam-se como se estivessem “espalhados por uma ampla região do espaço” (D’ESPAGNAT, vol. 241, p.128). O ego, enquanto um complexo (reunião de quanta de energia), encontra-se “perdido” numa espécie de poeira quântica – o que antes eu chamei de uma consciência ainda em formação – em busca de uma nova estabilidade. Para isso são emitidos “sensores” temporários que vão – como possíveis caminhos da consciência – até a próxima órbita na qual os elétrons podem assentar-se. Na teoria quântica estes “sensores” são chamados de “transições virtuais”, ao passo que a sua nova “casa” é denominada “transição real”. A liberação destes sensores equivale às imagens originadas no inconsciente para orientar a direção dos elétrons na tentativa de assentá-los numa nova órbita.
Definir esse temporário ser ainda não me parece possível. Concordo com Danah Zohar, quando ela argumenta que “a física quântica, e mais especificamente um modelo mecânico-quântico da consciência, permite que vejamos a nós mesmos – nossas almas, se quiser – como parceiros integrais dos processos da natureza, tanto na matéria como da matéria” (ZOHAR, 1990, p.47). Se o ser é um “sendo”, possivelmente somos capazes de acompanhar sua dinâmica, contemplar a beleza imanente do Cosmos manifesta nas conexões acausais (coincidências significativas denominadas por Jung de “sincronicidade”) que se estabelecem de forma harmônica com o Universo.
O vetor que simboliza a função transcendente poderia ser compreendido como um feixe de luz (quantum) que atravessa o indivíduo. Para melhor esclarecimento acerca do que vem a ser “função transcendente”, Jung nos diz:
“(...) temporalmente, com uma onda de depressão e desespero... no âmbito da transformação da personalidade... a conscientização e vivência das fantasias determinam a assimilação das funções inferiores e inconscientes à consciência, causando efeitos profundos sobre a atitude consciente... Não discutirei agora em seus pormenores a forma desta mudança da personalidade. Quero sublinhar apenas o fato de que se trata de uma mudança essencial. Dei o nome de função transcendente a esta mudança obtida através do confronto com o inconsciente” (JUNG, 1984, p. 234).
Tendo o indivíduo percorrido os diversos níveis de consciência, não mais ocorrerá a identificação (como por exemplo: “isto diz respeito a mim”) com os afetos (feixes de luz) que o interpelem. Nessa “camada” a natureza dos “problemas” passa a ser outra. O nível nada tem a ver com a complexidade dos “problemas”, daquilo que afeta, e sim com a natureza mesma dos afetos. Na verdade, o que muda no decorrer do processo é o modo como nos relacionamos com as questões surgidas na vida. Somente quando somos afetados podemos pensar em compreender o que nos causou esta “sensação”, qual a origem desta densidade energética. Quanto mais se compreende a natureza dos afetos, mais o indivíduo se distancia do campo energético (morfogenético) em que por hora era afetado.
Quando um paciente em seu processo terapêutico, por exemplo, começa a discorrer sobre suas questões, naturalmente o seu discurso revelará sua densidade afetiva, isto é, em todo discurso há uma carga afetiva (psicofísica) que poderá ser calculada se o terapeuta estiver a ler, através do intelecto, o módulo, a direção e o sentido do vetor (do afeto enquanto vetor deslocamento).
Se porventura em algum momento o terapeuta se identificar com o afeto, ou seja, se durante o deslocamento do afeto ele for “atingido” (ou afetado passivamente, como afirma Spinoza) provavelmente haverá uma reação contrária do paciente, já que ele ainda não tornou-se consciente da natureza dos seus próprios afetos, o que inviabiliza a precisão da leitura.

Considerações Finais

Este trabalho, conforme foi dito inicialmente, não carrega a pretensão de verdade nem qualquer outra pretensão que não tenha como objetivo valer-se do conteúdo para comunicar, isto é, para tornar claro o que para muitos, tanto quanto para mim, ainda se apresenta obscuro.
O fato de encontrarmos, no interior deste trabalho, nomes de pensadores e filósofos anteriores a nossa época somente significa a tentativa de dialogar com aqueles que porventura voltaram o pensamento para tais questões, ajudando no esclarecimento do que hoje compreendemos como necessário para o progresso da humanidade.

Os termos aqui utilizados não podem ser definidos porque ainda não se tornaram conceitos. Na medida em que a construção do pensamento tornar clara a idéia que pretende transmitir, aí sim surgirá o conceito e então poderá ser colocado como definição.
Tenho ciência de que muito do que aqui se encontra escrito foi mencionado anteriormente por Carl Gustav Jung. Isso não deve se constituir como um peso na medida em que lanço observações e reflexões de natureza mesma. Qualquer ser humano que se debruce sobre o sentido da vida, sobre o sentido do homem no mundo certamente irá se aproximar de tais pensamentos. Portanto, é de boa procedência que tomemos como de grande valia a contribuição dele para os estudos no campo da psique, mas que estejamos abertos para novas construções e novos olhares sobre os mesmos fenômenos.     

Fonte: https://psicologado.com/abordagens/psicologia-analitica/sobre-o-processo-quantico-da-consciencia © Psicologado.com