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quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Por que devemos ter cuidado com remédios naturais?



A muito tempo se usa remédios naturais para combater os mais variados tipos de problemas. Os “raizeiro”, como são chamadas as pessoas que vendem esse tipo de remédio, são uma tradição em nossa cidade. A grande aceitação dos remédios naturais pela população tem muito a ver com a cultura local.
            No Mato Grosso do Sul, Estado de grande biodiversidade e com grande influencia de povos que praticam o uso das plantas para combater doenças ou sintomas (como é o caso dos indígenas), é comum que as pessoas busquem na natureza, uma alternativa para amenizar seus males e combater doenças.    
                   O termo Remédio natural refere-se a qualquer substância disponível na natureza que tem propriedades passiveis de prevenir, tratar ou curar patologias (doenças). Remédios naturais abrangem terapias com medicação à base de ervas, componentes animais, minerais, ou vegetais.
            A crença de que medicamento natural não faz mal é muito difundida entre as pessoas. Os meios de comunicação ultimamente tem estimulado o uso de plantas como alternativa para combater doenças muito comuns entre a população, como é o caso da hipertensão, depressão e diabetes. Também temos visto muito a divulgação de plantas que prometem retardar o envelhecimento, emagrecer ou evitar doenças que ocasionam muito medo à população, como o câncer e o mal de Alzheimer.
            Acontece que o uso de remédios naturais não é tão inofensivo assim. A crença de que eles não causam nenhum tipo de efeitos colaterais e podem ser utilizados por qualquer pessoa é errada e, às vezes, pode ocasionar riscos muito maiores que os benefícios. Acontece que a maioria dos remédios naturais tem muito mais que uma substância ativa (aquela que vai fazer a diferença na hora do tratamento) atingindo muitos órgãos diferentes do nosso corpo. Alguns medicamentos a base de plantas tem seu principio ativo isolado e são chamados de fitoterápicos, dessa forma, quando lançados no mercado preveem em sua bula reações adversas e efeitos colaterais.
            Listamos, abaixo, algumas plantas cujos preparados naturais ou medicações fitoterápicas podem ser prejudiciais à saúde, principalmente de gestantes, diabéticos ou hipertensos, que utilizam medicamentos de uso continuo. No caso das gestantes, sempre é bom lembrar que, alguns princípios ativos contidos em um simples chá, podem ocasionar diversos problemas, incluindo o aborto espontâneo.

ALCACHOFRA – NÃO DEVE SER UTILIZADA  POR QUEM USA  DIÚRETICOS,COMO FUROSEMIDA ,HIDROCLORTIAZIA E CLORTALIDONA, POIS AUMENTAÇÃO O RISCO  DE QUEDA REPENTINA DA PRESSÃO ARTERIAL, AUMENTA A EXCREÇÃO DE POTÁSSIO LEVANDO A HIPOCALEMIA       (OCASIONA EXCESSO DE CAIMBRA E DORES).
 
ALHO – NÃO DEVE SER USADO  DIABÉTICOS  QUE FAZEM USO DE INSULINA ,POIS CAUSA DIMINUIÇÃO EXCESSIVA DOS NIVEIS DE AÇUCAR NO SANGUE.
- USUÁRIOS DE CAPTOPRIL E PROPRANOLOL DEVEM EVITAR COMPOSTOS COM EXTRATO DE ALHO   POIS POTENCIALIZA A AÇÃO DO MEDICAMENTO LEVANDO A HIPOTENSÃO  SEVERA.  TAMBÉM DEVE SER EVITADO POR PESSOAS COM PROBLEMAS DE TIREÓIDE.
BOLDO – NÃO DEVE SER UTILIZADA COM MEDICAMENTOS ANTICOAGULANTES, POIS PODE CAUSAR SANGRAMENTOS.


CAMOMILA - PROLONGA A AÇÃO DOS ANTIDEPRESSIVOS, FENOBARBITAL E DIAZEPAN.
NÃO DEVE SER INGERIDO EM EXCESSO POR  GESTANTES POIS DIFICULTA A  ABSORÇÃO DE FERRO.

CÁSCARA SAGRADA - AUMENTA PERDA DE POTÁSSIO E POTENCIALIZA O EFEITO DA DIGOXINA PODENDO CAUSAR TAQUICARDIA E AUMENTO DE PRESSÃO;



CASTANHA DA ÍNDIA – NÃO DEVE SER UTILIZADO PARA DIABÉTICOS ( INSULINO DEPENDENDES ), PESSOAS QUE UTILIZAM  AAS, IBUPROFENO,  ANTINFLAMATÓRIOS NÃO ESTEROIDES,RANITIDINA E HIDROXIDO DE ALUMINIO.È  IRRITANTE DO TRATO GASTRO INTESTINAL.

CIMÍCÍFUGA – POTENCIALIZA  EFEITO DE MEDICAMENTOS ANTI-HIPERTENSIVOS,PORTANTO NÃO ACONSELHAVEL AOS HIPERTENSOS, E SE USADO COM METRONIDAZOL PODE CAUSAR NÁUSEAS E VÔMITOS. NÃO DEVE SER USADO POR PESSOAS QUE UTILIZAM ANTICONCEPCIONAIS ORAIS, POIS  PODE DIMINUIR A EFICÁCIA DO MEDICAMENTO.

EQUINÁCEA – PODE SER UTILIZADO  NO MÁXIMO POR 8 SEMANAS, NÃO DEVE SER UTILIZADO POR QUEM TEM OU TEVE TUBERCULOSE, ESCLEROSE MULTIPLA, AIDS.Se UTILIZADO COM CETOCONAZOL E AMIODARONA PODE SER MUITO PREJUDICIAL  AO FIGADO.

ERVA-CIDREIRA – INTERAGE COM MEDICMENTOS PARA O SISTEMA NERVOSO E CAUSAM  AUMENTO DE  SEUS EFEITOS SEDATIVOS.

                            CENTELLA ASIÁTICA - USADO COM DEXAMETASONA, POTENCIALIZA O PROCESSO DE CICATRIZAÇÃO.

ERVA DE SÃO JOAO (HYPERICUM)                                                                               
-INIBE A ABSORÇÃO DE FERRO, NÃO SENDO RECOMENDADA PARA GESTANTES E LACTANTES, BEM COMO PESSOAS QUE  POSSUEM ANEMIA.
  - EM CONJUNTO COM ANTICONCEPCIONAIS ORAIS, PODE RESULTAR EM GRAVIDEZ INDESEJADA E AUMENTA O RISCO DE HEMORRAGIA.
- QUANDO UTILIZADO COM DIGOXINA E TEOFILINA DIMINUI  OS NÍVEIS SANGUINEOS, COMPROMETENDO SUA AÇÃO.
- COM OMEPRAZOL CARBAMAZEPÍNA, NIFEDIPINA, SINVASTATINA, TEOFILINA, AMITRIPTILINA, IMIPRAMINA E MIDAZOLAM, OCORREM POTENCIAÇÃO DAS REAÇÕES ADVÉRSAS COMO BOCA SECA, FADIGA, DISTURBIO DE SONO, AGITAÇÃO, ANSIEDADE E CONSTIPAÇÃO, POIS AUMENTA O TEMPO DO MEDICAMENTO NO SANGUE.
- ATENÇÃO – NUNCA UTILIZE HIPERICO COM INIBIDORES DE APETITE, BRONCODILATADORES, E ANTIDEPRESSIVOS COMO AMITRIPTILINA E IMIPRAMINA, ISSO PODE CAUSAR DANOS PELA CHAMADA SINDROME SEROTONINÉRGICA.
- TAMBÉM O HIPÉRICO DEVE SER TOMADO SEMPRE LONGE DAS REFEIÇÕES.

ERVA DOCE OU ANIS – QUANDO UTILIZADA COM DIAZEPAM,  HALOPERIDOL, CLORPROMAZINA, E QUALQUER MEDICAMENTO SEDATIVO, PROLONGA  O EFEITO  DOS MESMOS.


EUCALIPTO – A ADMINISTRAÇÃO ORAL DE OLEO DE EUCALIPTO( SEJA PURO OU COM MEL) POR LONGO PERÍODO DIMINUI A CAPACIDADE DE RACIOCÍNIO E AUMENTA A IRRITABILIDADE,PRINCIPALMENTE SE  UTILIZADO AO MESMO TEMPO COM ALCOOL, DIAZEPAM, CARBAMAZEPINA OU FENOBARBITAL.
- A APRESENTAÇÃO EM FORMA DE ÓLEO DEVE SER EVITADA POR DIABÉTICOS, POIS POTENCIALIZA OS EFEITOS DA GLIBENCLAMIDA  E METFORMINA.

GENGIBRE - COMPROMETE   A  AÇÃO DE MEDICAMENTOS COMO LANSOPRAZOL, RANITIDINA E OMEPRAZOL.
- AUMENTA RISCO DE SANGRAMENTO QUANDO UTILIZADO COM AAS, IBUPROFENO, HEPARINA, VARFARINA E NAPROXENO.
- PODE INTERFERIR NA AÇÃO DE MEDICAMENTOS PARA O CORAÇÃO, COMO A DIGOXINA.
- EM DOSES ELEVADAS DESENCADEIA SONOLÊNCIA
- DIMINUI OS NÍVEIS DE AÇUCAR NO SANGUE SENDO CONTRA-INDICADO PARA PACIENTES QUE UTILIZEM INSULINA, METFORMINA E GLIBENCLAMIDA, BEM COM PARA OS DIABÉTICOS EM GERAL.

GINKGO BILOBA – AUMENTA O RISCO DE SANGRAMENTO PARA PACIENTES QUE UTILIZEM AAS, IBUPROFENO E HEPARINA.
-                      DIMINUI A AÇÃO DE ANTICONVULSIVANTES (FENITOÍNA) , QUANDO UTILIZADOS COM MEDICAMENTOS ANTIDEPRESSIVOS.POTENCIALIZA EFEITOS COLATERAIS COMO CEFALÉIAS( DOR DE CABEÇA) ,TREMORES, SURTOS MANÍACOS.
-                      QUANDO USADO COM SERTRALINA PODERA DESENCADEAR UM AUMENTO NOS BATIMENTOS CARDÍACOS, AUMENTO DE TEMPERATURA CORPOREA, AUMENTO DE SUOR, RIGIDEZ MUSCULAR E AGITAÇÃO.
-                      ALTAS DOSES DE GINKGO PODERÃO REDUZIR A FERTILIDADE EM HOMENS E MULHERES.

GINSENG – AUMENTA O RISCO DE SANGRAMENTO QUANDO UTILIZADOS COM AAS, IBUPROFENO E HEPARINA.


- DEVE SER EVITADO POR PACIENTES DIABÉTICOS QUE SE UTILIZEM INSULINA, GLIBENCLAMIDA E METFORMINA  POIS POSSUI GRANDE EFEITO HIPOGLICEMIANTE (DIMINUI O AÇUCAR NO SANGUE)  E PODE LEVAR A HIPOGLICEMIAV SEVERA.
- PRODUZ FALHA DE CICLOS MENSTRUAIS, AUMENTO NAS MAMAS DE HOMENS E DIFICULDADE DE MANTER EREÇÃO, BEM COMO AUMENTO DA LIBÍDO.
- O USO DE GINSENG COM ANTIDEPRESSIVOS (IMAOS) PODERÁ DESENCADEAR TREMORES, CEFALÉIA E INSÔNIA.
- ALTERA A PRESSÃO SANGUINEA E DIMINUI A EFETIVIDADE DE MEDICAMENTOS CARDÍACOS.
- PODERÁ OCASSIONAR EFEITO DE VARIAÇÃO CONTINUA DE PRESSÃO SANGUINEA O QUE É CONTRA INDICADO PARA  HIPERTENSOS.
- NÃO É RECOMENDADO A MULHERES GRAVIDAS OU EM FASE DE AMAMENTAÇÃO; A RELATO DE MORTE NEONATAL E DESENVOLVIMENTO DE CARACTERÍSTICAS MASCULINAS EM BEBÊS DO SEXO FEMININO APÓS A MÃE TER UTILIZADO GINSENG DURANTE A GRAVIDEZ.

GUACO – AGE AUMENTANDO A AÇÃO DAS TETRACICLINAS, CLORAENICOL, GENTAMICINA E PENICILINAS.



GUARANÁ – POTENCIA A AÇÃO DE ANALGÉSICOS.

HORTELÂ PIMENTA – INIBE  GRANDE PARTE DA ABSORÇÃO DE FERRO, O QUE É CONTRA INDICADO PARA GESTANTES, CRIANÇAS E ANÊMICOS.

KAVA- KAVA –  SE UTILIZADA POR MAIS DE TRÊS MESES PODE CAUSAR PROBLEMAS AO FÍGADO. NUNCA DEVE SER UTILIZADA COM AMIODARONA, PARACETAMOL, CETOCONAZOL E ANTIFUNGICOS ADMINISTRADOS POR VIA ORAL, POIS OS EFEITOS  COLATERAIS DO USO CONTINUO INCLUEM HEPATITE, CIRROSE E INSUFICIÊNCIA HEPÁTICA.
- REDUZ A EFICACIA DO LEVODOPA
- POTENCIALIZA OS EFEITOS DOP ALCOOL, FENOBARBITAL, CARBAMAZEPINA, HOLOPERIDOL, FENITOÍNA E BIPERIDENO, ENTRE OUTROS.
MARACUJÁ – NÃO DEVERÁ SER UTILIZADO AO MESMO TEMPO COM DIAZEPAN, CLONAZEPAN, FENOBARBITAL, LORAZEPAN, CODEINA E OUTROS MEDICAMENTOS DA ESPÉCIE, POIS POTENCIALIZA A AÇÃO DOS MESMOS.

SALGUEIRO - PRODUZ EFEITOS TOXICOS AOS RINS SE UTILIZADO COM PARACETAMOL E  AAS.DIMINUI A ABSORÇÃO DE FERRO.
SENE – AUMENTA A PERDA DE POTÁSSIO E POTENCIALIZA A AÇÃO  DA DIGOXINA. EM USO PROLONGADO INTENSIFICA A AÇÃO DE MEDICAMENTOS ANTIARRÍTIMICOS, COMO A QUINIDINA, E AFETA OS CANAIS DE POTÁSSIO.
NÃO DEVE SER UTILIZADO COM HIDROCLORTIAZIDA E FUROSEMIDA POIS POTENCIALIZAM SUA AÇÃO.

SAW PALMETTO – PODE INTERAGIR COM ESTRÓGENOS PRESENTES EM TERAPIA DE REPOSIÇÃO HORMONAL E EM ANTICONCEPCIONAIS, PREJUDICANDO SUA ABSORÇÃO.LIMITA A ABSORÇÃO DE FERRO.
VALERIANA -  POTENCIALIZA OS EFEITOS DOS MEDICAMENTOS PARA DORMIR, ANTIDEPRESSIVOS , ANESTÉSICOS E ALCOOL. PODE CAUSAR VÔMITO SE UTILIZADA COM METRONIDAZOL E DISSULFIRAN. EM DOSES PROLONGADAS É PREJUDICIAL AO FÍGADO




MEDICAMENTOS NATURAIS COM POTENCIALIDADE ABORTIVA QUE NÃO DEVEM SER UTILIZADOS DURANTE A GESTAÇÃO:

                                                                                                     

NOME POPULAR
NOME CIENTÍFICO
FAMÍLIA
1
SENE
Senna Alexandrina Mill.
Fabaceae
2
Arruda
Ruta graveolens L.
Rutaceae
3
Boldo
Pneumus boldus Molina
Monimiaceae
4
Buchinha-do-norte
Lufta operculata
Cucurbitaceae
5
Marcela
Egletes viscosa
Asteraceae
6
Canela
Cinnamomum verum
Lauraceae
7
Quina-quina
Coutarea hexandra
Ribiaceae
8
Cravo
Syzygium aromaticum
Myrtaceae
9
Aroeira
Astronium urundeuva
Anacardiaceae
10
Agoniada
Himatanthus lancifolius
Apocynaceae















Giani A. Z. Nogueira
Farmacêutico Especialista em Saúde Pública

terça-feira, 14 de novembro de 2017

CHÁS, PLANTAS E MEDICAMENTOS : GUIA DE INTERAÇÕES 2017



Chas, plantas, frutos e interações com medicamentos: Será que um chá para emagrecer e outros chás de plantas e produtos naturais podem interferir com os medicamentos que compra na farmacia? Como medida de precaução o Observatório de Interações Planta-Medicamento (OIPM), da Universidade de Coimbra, fez a avaliação do risco e destacou, dentro dos grupos terapêuticos mais consumidos, tais como medicamentos para a hipertensãodiabetes e colesterol elevado entre outros, quais as interações mais comuns  chas, plantas e frutos. Sabia, por exemplo, que um simples chá de hipericão pode “cortar” o efeito da pílula anticoncepcional?
Neste artigo vou responder ás seguintes questões:
  • Anticancerígenos: Quais as interações com chás, plantas e frutos?
  • Anti-hipertensores: Quais as interações com chás, plantas e frutos?
  • Antidiabéticos: Quais as interações com chás, plantas e frutos?
  • Anticoagulantes: Quais as interações com chás, plantas e frutos?
  • Antidepressivos: Quais as interações com chás, plantas e frutos?
  • Pilulas anticoncepcionais: Quais as interações com chás, plantas e frutos?
  • Analgésicos e antiinflamatórios: Quais as interações com chás, plantas e frutos?
  • Antibióticos: Quais as interações com chás, plantas e frutos?
  • Colesterol elevado: Quais as interações com chás, plantas e frutos?
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Um fator de grande preocupação na auto-medicação é o facto de que em média 70 % das pessoas que tomam medicamentos ditos naturais não dizem ao médico que os estão a tomar. É de entendimento comum que o que é natural não faz mal, e não só não dizem ao médico, como ignoram que o “chá” que tomam diariamente pode ter interferências diretas com o medicamento prescrito pelo seu médico.
– O efeito dos anti-hipertensores (medicamentos para baixar a pressão arterial) pode ser potenciado pela gingko ou pelo alho (quando consumido em grandes quantidades na alimentação, ou em suplementos). Situação inversa pode acontecer, a sua actividade pode ser contrariada em casos de consumo de grandes quantidades de chá verde ou preto (da planta do chá Camellia sinensis) ao longo do dia, uma vez que este chá contém cafeína, que aumenta a pressão arterial. O mesmo pode acontecer com o ginseng asiático e o alcaçuz.
– Por sua vez os efeitos dos medicamentos usados para controlar os níveis de açúcar na diabetes podem ser exacerbados se ao mesmo tempo se consumirem plantas como o aloé, goma de guar, psílio, sementes de linhaça, o ginseng americano, noni, mirtilos, bardana, sabugueiro, entre outros. Daqui podem resultar episódios de hipoglicémias que geralmente se associam à medicação e nunca com produtos que estão a ser consumidos simultaneamente.
– O efeito de medicamentos para baixar o colesterol (sinvastatina ou atorvastatina) pode ser diminuído pelo consumo continuado da erva de S. João ou da salvia, ou mesmo por elevada quantidade de sumo de laranja diariamente. Pode contudo ocorrer uma maior permanência destes mesmos medicamentos no organismo devido ao consumo de outras plantas tais como o ginseng, aloé, raiz dourada. Esta situação pode resultar numa maior incidência de efeitos secundários e toxicidade associados ao medicamento, tal como a rabdomiólise e consequentes dores musculares.
Gingko biloba pode ainda interagir com medicamento anticoagulantes (ex: varfarina), medicamentos antiagregantes plaquetares (ex. ácido acetilsalicílico), medicamentos anti- hipertensores (ex. nifedipina, nicardipina), antidepressivos (ex: trazodona), cardiotónicos (ex. digoxina), entre outros.
Aloe vera pode também interagir com cardiotónicos (ex. digoxina), diuréticos tiazídicos, antiagregantes plaquetares (ex: ácido acetilsalicílico), anestésicos (ex. sevoflurano desencadeando hemorragias dado que diminui a agregação plaquetar) e ainda com alguns antineoplásicos.
chá verde pode interagir com anticoagulantes (ex. varfarina) e medicamentos usados no tratamento de cancro (ex. bortezomib).

Chás, plantas, alimentos e medicamentos: Quais as misturas a evitar?

Existem chás , plantas e alimentos que interferem de forma muito acentuada na actividade terapêutica de alguns medicamentos muito importantes, tais como:
  • Anticancerígenos
  • Anti-hipertensores
  • Antidiabéticos
  • Anticoagulantes
  • Antidepressivos
  • Pilulas anticoncepcionais
  • Analgésicos e antiinflamatórios
  • Antibióticos
Alguns chás de uso corrente e generalizado, tais como o chá verde, chá preto, chá de camomila, chá de hipericão podem alterar significativamente os objectivos terapêuticos do doente. Em alguns casos a dose do medicamento é potenciada noutros é diminuida de forma bastante perigosa.

Cancro: Quais as Interações com plantas?

Podem alterar o efeito terapêutico dos anticancerígenos por potenciar a toxicidade ou diminuir a eficácia, a saber:
  • Açafrão-da-índia
  • Açaí
  • Alcaçuz
  • Aloe
  • Bagas de goji
  • Cardo mariano
  • Chá preto
  • Chá verde
  • Dente-de-leão
  • Equinácea
  • Hipericão
  • Mangostão
  • Noni
  • Pau d’arco

Açafrão da India
Açafrão da Índia
Açai
Açai

Plantas que podem diminuir a absorção da medicação ou aumentar a sua eliminação do organismo, diminuindo o efeito terapêutico do anti-cancerígeno, a saber:
  • Aipo,
  • alcachofra,
  • bétula,
  • boldo,
  • cáscara sagrada,
  • cavalinha,
  • dente-de-leão,
  • ruibarbo,
  • sene,
  • urtiga,
  • uva-ursina

Dente de leão
Dete de leão

Hipertensão: Quais as interações com plantas?

Podem alterar o efeito dos anti-hipertensores se tomados em grandes quantidades ou em suplementos, a saber:
  • Bagas de goji
  • Alho

Bagas de Goji
Bagas de Goji

Podem diminuir demasiado a pressão, provocando hipotensão, a saber:
  • Ginkgo,
  • Oliveira
  • Pirliteiro
Podem provocar um aumento de pressão arterial, contrariando o efeito dos anti-hipertensores, a saber:
  • Alcaçuz
  • Beringela
  • Chá preto
  • Chá verde
  • Ginseng asiático

Chá preto
Chá preto

Diabetes: Quais as interações com plantas?

Podem aumentar os efeitos dos antidiabéticos e insulina, resultando em hipoglicemia ( glicémia muito baixa ), a saber:
  • Açafrão-da-índia
  • Aloé
  • Bagas de goji
  • Bardana
  • Canela
  • Gengibre
  • Ginseng
  • Goma de guar
  • Mirtilos
  • Noni
  • Psílio
  • Sabugueiro
  • Sementes de linhaça

Noni
Noni
Aloé
Aloé

Colesterol elevado: Quais as interações complantas?

O efeito de medicamentos para baixar o colesterol (sinvastatina ou atorvastatina) pode ser diminuído pelo consumo continuado de:
  • Erva de S. João,
  • Salvia,
  • Sumo de laranja em quantide elevada diariamente.
Pode contudo ocorrer uma maior permanência destes mesmos medicamentos no organismo devido ao consumo de outras plantas tais como:
  • Ginseng,
  • Aloé,
  • Raiz dourada.
Esta situação pode resultar numa maior incidência de efeitos secundários e toxicidade associados ao medicamento, tal como a rabdomiólise e consequentes dores musculares.

Doenças tromboembólicas: Quais as interações com plantas?

Interagem com os anticoagulantes e podem aumentar o risco de hemorragias, a saber:
  • Açafrão
  • Alfalfa
  • Alho
  • Aloé
  • AngélicaB
  • Bagas de goji
  • Camomila
  • Cardo mariano
  • Castanheiro-da-índia
  • Clorela
  • Gengibre
  • Ginkgo
  • Palmeto
  • Pirliteiro

Cardo mariano
Cardo mariano
Folhas de Ginkgo
Folhas de Ginkgo

Podem diminuir a eficácia dos anticoagulantes, aumentando o risco de AVC e enfarte, a saber:
  • Chá preto
  • Chá verde
  • Hipericão
  • Noni
  • Urtiga

Hipericão
Hipericão

Depressão: Quais as interações com plantas?

Podem alterar o efeito de ansiolíticos e antidepressivos fármacos, a saber:
  • Açafrão-da-índia
  • Alcaçuz
  • Camomila
  • Cardo mariano
  • Centelha asiática
  • Dente-de-leão
  • Erva-cidreira
  • Erva-de-gato
  • Ginkgo
  • Hipericão
  • Lavanda
  • Mangostão
  • Passiflora
  • Tília
  • Valeriana

Mangostão
Mangostão
Valeriana
Valeriana

Pílulas anticoncepcionais: Quais as interações com plantas?

Podem diminuir a eficácia da pílula em situações pontuais, a saber:
  • Amieiro negro
  • Anho-casto
  • Cáscara sagrada
  • Clorela
  • Dente-de-leão
  • Hipericão
  • Sene
  • Trevo vermelho

Trevo vermelho
Trevo vermelho
Anho Casto
Anho casto

Analgésicos e anti-inflamatórios: Quais as interações com plantas?

Aumenta a toxicidade e o risco de hemorragias e nódoas negras, a saber:
  • Alho
  • Açafrão-da-índia
  • Alcaçuz
  • Angélica
  • Camomila
  • Cardo mariano
  • Harpagófito
  • Lavanda
  • Mangostão
  • Noni
  • Palmeto
  • Trevo vermelho

Chá de camomila
Chá de camomila

Antibioticos: Quais as interações com plantas?

Pode diminuir a eficácia e segurança do medicamento, a saber:
  • Açafrão-da-índia
  • Alcaçuz, alecrim
  • Alho
  • Ananás
  • Dente-de-leão
  • Equinácea
  • Funcho
  • Noni
  • Toranja



Concluindo

Existe a ideia generalizada, numa inportante parte da população, que um “chazinho de plantas”…portanto “natural” se não faz bem mal não faz! Acontece que existem imensas interacções entre chás e plantas com muitos dos medicamentos importantes que tomamos com regularidade. Chega-se mesmo ao ponto de dizer que têm efeitos anti-cancerigenos plantas que os estudos científicos mais rigorosos nada provaram e alguns aliás até provaram o contrário ou seja que essas plantas podem atrasar os efeitos anti-cancerigenos dos medicamentos prescritos aos doentes oncológicos! Significa portanto que podem haver interacções muito graves entre plantas e alguns medicamentos, colocando, em alguns casos, em risco a vida dos doentes.
Fale com o seu médico ou Farmacêutico e leve os medicamentos que está a tomar e decida em conjunto o que é melhor para si. Para quem gosta de chás e eu também gosto 🙂  a boa notícia é que existe tanta escolha que certamente pode encontrar, com a ajuda do seu médico e Farmacêutico, o mais adequado para si ou seja aquele que lhe dê prazer a tomar mas também lhe traga algum benefício terapêutico.
Fique bem!
Franklim Moura Fernandes
Referências: