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segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Infecção De Ouvido: Causas, Sintomas E Fatores De Risco

Você sabe dizer se a sua dor é na verdade uma infecção de ouvido? Os sintomas de infecções de ouvido geralmente incluem dores de ouvido ou dor latejante, às vezes acompanhada de febre e sinais de inflamação perto das orelhas como vermelhidão ou fluido vazando para fora. Se este for o caso, procure orientação médica.
Normalmente, os antibióticos são usados para tratar infecções de ouvido, mas eles podem causar efeitos colaterais, como náuseas, diarreia e erupções cutâneas, além de alterar a saúde intestinal e, possivelmente, contribuir para futuras infecções (1). Outras abordagens mais naturais também podem ajudar.
Neste artigo eu vou abordar as causas, sintomas, tratamentos e fatores de riscos para a infecção de ouvido. Não deixe de ler e compartilhar.

O Que É Infecção De Ouvido?

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A Infecção De Ouvido Acontece Quando Bactérias Ou Vírus Causam Inflamação Na Região
As infecções de ouvido ocorrem sempre que bactérias ou vírus afetam o seu ouvido (seja nas partes externa, médio ou interna), causando inflamação. Existem vários tipos de infecções na região mais comuns que afetam crianças e adultos, mas as mais comuns são:
>> Infecção do ouvido médio: As infecções agudas do ouvido médio são comumente referidas pelos médicos como otite média aguda. Elas afetam comumente as crianças e incluem o tipo de infecção chamada orelha do nadador (2).
>> Infecções do ouvido interno: Estas são muito mais raras do que as infecções do ouvido médio. Os médicos referem-se a infecções do ouvido interno como neurite vestibular e labirintite. Estas são infecções que inflamam o ouvido interno ou os nervos que conectam o ouvido interno ao cérebro, causando sintomas como disfunção sensorial, problemas auditivos, vertigem e tontura.
Infecções de ouvido são contagiosas?
As infecções de ouvido podem ser bacterianas ou virais.
Elas geralmente não são contagiosas, no entanto, alguns casos bacterianos podem ser. Por exemplo, se alguém desenvolve o ouvido do nadador ao nadar em água contaminada com bactérias nocivas, então as bactérias em si são contagiosas.
No entanto, a grande maioria das infecções de ouvido não são contagiosas, porque elas são sintomas de respostas imunes próprias de cada pessoa, como reações alérgicas (3).
Da mesma forma, se uma infecção de ouvido é causada devido a um vírus ou outra doença, o vírus/ doença em si é provavelmente contagiosa, mas não a infecção do ouvido.

Sintomas Da Infecção De Ouvido

Entre os sintomas mais comuns da infecção de ouvido estão:
  • Dores de ouvido: a pessoa pode sentir o ouvido pulsando ou latejando, especialmente com o movimento ou durante o sono;
  • Dificuldade para dormir: Especialmente ao dormir de lado, quando o ouvido é pressionado contra o travesseiro;
  • Febre: A febre pode, às vezes, ser alta em crianças pequenas (acima dos 38°C). Além do aumento da temperatura, os sintomas podem incluir calafrios ou suores, tontura, dor de estômago, perda de apetite, vômitos, dores musculares e fadiga;
  • Vermelhidão no Tímpano: o médico é capaz de observar isso ao olhar para o canal auditivo. Às vezes, o tímpano pode até mesmo ficar muito inchado e com presença de fluido;
  • Comichão no ouvido: um dos sintomas pode ser a coceira na região;
  • Dor ao redor das orelhas: o pescoço e a cabeça também podem doer.
  • Sintomas em bebês: muitas vezes é difícil identificar a causa da dor em crianças pequenas, mas muitos têm a tendência de coçar as orelhas e se tornam irritáveis;
  • Fluido vazando das orelhas: às vezes, infecções de ouvido podem causar a secreção de um fluido espesso e pegajoso para, que pode estar claro ou misturado com pus e sangue. Fluído e pus atrás do tímpano é chamado efusão, e vazamento de fluido da orelha é chamado otorreia.
  • Tontura: infecções no ouvido interno podem causar alterações sensoriais, incluindo alterações auditivas, tontura, perda de equilíbrio, náuseas e vertigens.
Complicações a longo prazo?
Apenas em casos raros uma infecção do ouvido avança dura mais de uma ou duas semanas, quando isso acontece é necessário procurar tratamento médico para evitar complicações. Alguns sintomas de infecção de orelha a longo prazo podem incluir:
>> Complicações auditivas: Em casos graves, a infecção do ouvido pode fazer com que as membranas mucosas inchem e secretam fluido durante várias semanas, mesmo após a infecção inicial diminuir. Isso é chamado de otite média com efusão (OME), também conhecida como cola orelha, que é causada pela cavidade timpânica enchendo-se.
Esse problema ocorre com mais frequência em infecções do ouvido médio e geralmente desaparece por conta própria, no entanto, quando persiste por vários dias sem tratamento, podem causar alterações na audição e equilíbrio.
Embora seja raro, os danos auditivos podem contribuir para atrasos na fala e outros desafios de linguagem de desenvolvimento, caso a criança não receba tratamento para superar essa condição.
>> Mastoidite: Esta é uma infecção bacteriana das membranas que revestem o osso mastóide, um osso do crânio que está localizado perto da orelha. Quando não tratada, pode resultar em danos permanentes.
>> Meningite: Outra infecção das membranas que reveste o cérebro e a medula espinhal, que pode causar danos nos nervos, dor, febres muito altas e bactérias para se espalhar para osso.

Fatores De Risco Para Infecção De Ouvido

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Muitas Infecções De Ouvido Acontecem Quando A Pessoa Está Se Tratando De Uma Gripe Ou Resfriado
Crianças com menos de 6 anos de idade desenvolvem infecções de ouvido mais frequentemente, principalmente se elas passam muito tempo perto de outras crianças, fazem natação ou se sofrem com alergias. Porém, adultos também podem ter infecção de ouvido.
Existem várias causas gerais para o problema…
Muitas infecções de ouvido começam quando alguém está tratando outra infecção ou doença, especialmente infecções respiratórias ou gripes. Isso porque essas doenças aumentam a produção de secreção e as bactérias no corpo, que podem atingir também o canal auditivo.
No caso de uma infecção do ouvido médio, verificou-se que outras doenças causam inflamação das membranas que revestem a trompa de Eustáquio no ouvido (o canal que liga a orelha média à faringe).
A orelha do nadador é outra infecção de orelha causada pelas bactérias dentro do canal do ouvido, geralmente devido ao acúmulo da cera. As bactérias podem entrar no canal auditivo através da água e, em seguida, se instalam ali, onde elas podem se proliferar e causar infecções.
As infecções de ouvido também são causadas por alergias, especialmente infecções do ouvido médio. As alergias podem afetar todo o sistema respiratório superior e levar à infecção porque fazem com que fluídos líquidos se acumulem no ouvido.
Mas por que as crianças e bebês têm infecções de ouvido com mais frequência do que os adultos? Isso é explicado porque os tubos de Eustáquio dos bebês e crianças são mais curtos e mais estreitos do que nos adultos. Isso faz com que eles fiquem inflamados e entupidos com fluído mais facilmente.
A infecção de ouvido também costuma doer mais em crianças, porque os nervos na região são mais sensíveis.
Mas além da pouca idade, há outros fatores de risco para o desenvolvimento de infecções de ouvido que incluem:
  • Alergia sazonal ou alergias alimentares (isso pode incluir doença celíaca, alergia a ácaro, entre outros);
  • Doenças que afetam os ouvidos, como sinusite;
  • Crianças ou bebês que usam chupeta, vão para creche ou são alimentadas com fórmulas. O leite materno aumenta a função imunológica em lactentes, porque fornece nutrientes essenciais e anticorpos necessários para que o organismo se defenda de bactérias (4);
  • Em relação ao desenvolvimento da orelha do nadador, frequentemente nadadores, surfistas, mergulhadores e outros indivíduos que estão expostos a locais úmidos e quentes estão em risco aumentado de infecções recorrentes (5);
  • Fumar cigarros ou usar outras drogas que são tóxicas e diminuem a sua imunidade. Inclusive, fumar próximo das crianças (expondo-as ao fumo passivo) pode aumentar o risco para infecções de ouvido (6);
  • Nadar em água contaminada.
Quaisquer outros hábitos de vida que diminuam a função imunológica, como o alcoolismo, doenças autoimunes, falta de sono, tomar drogas imunossupressoras e até mesmo ser excessivamente estressado, podem aumentar suas chances de ter uma infecção de ouvido.

Tratamento Para Infecção De Ouvido

Poucos pais estão cientes que os antibióticos não são sempre necessários ou mesmo úteis para tratar as infecções de ouvido dos seus filhos (7), pois a maioria das infecções de ouvido são realmente causadas por vírus, não por bactérias.
A exceção ocorre para crianças menores de 2 anos; infecção que se desenvolvem depois do contato com água potencialmente contaminada ou em casos em que há fluído visível vazamento da orelha. Nestes casos, a infecção é provavelmente causada por bactérias.
Nestes casos, os antibióticos são úteis e necessários para tratar os sintomas de infecção bacteriana do ouvido, mas devemos ter cuidado para que eles não sejam usados em excesso. O mau uso de antibióticos pode causar efeitos colaterais, como contribuir para náuseas, erupções cutâneas, alterações na saúde intestinal e até mesmo diminuição da função imunológica global.
Em paralelo ao tratamento médico, você pode usar alguns tratamentos naturais que vão ajudar a resolver o problema. A compressa quente ou bolsa de água aquecida aplicada ao ouvido são úteis para aliviar a dor.

Prevenção Da Infecção De Ouvido

Algumas atitudes simples podem auxiliar a prevenir a infecção de ouvido, veja quais:

1. Amamentação

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Bebês Amamentados Correm Menos Risco De Sofrer Com Infecções De Ouvido
Pesquisas mostram que bebês amamentados são menos propensos a ter infecções de ouvido – além de muitos outros problemas relacionados como alergias, infecções respiratórias, pneumonia, bronquiolite e infecções virais, como a meningite.
O leite materno ajuda na construção do sistema imunológico da criança, fornecendo nutrientes necessários para o desenvolvimento da criança, além de transmitir substâncias imunoprotetoras da mãe para seu filho que as fórmulas não têm.

2. Dieta Saudável

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Uma Dieta Saudável Ajuda A Fortalecer Sua Imunidade
Certas mudanças na alimentação podem ajudar a reduzir alergias e inflamações respiratórias, juntamente com o aumento da imunidade contra infecções.
Por isso, reduza a ingestão de alimentos inflamatórios, incluindo alimentos industrializados, processados e açucarados; e alérgenos comuns, como laticínios, glúten, camarão e amendoim.
Consuma mais vegetais e frutas, alho, gengibre, açafrão, ervas, água, peixe, proteínas e alimentos probióticos, para fortalecer o seu organismo.

3. Umidade

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Proteja Seu Ouvido Da Umidade
Não remova a cera de ouvido, proteção natural do órgão.
Também tome cuidado com a umidade. Proteja o canal auditivo com tampões ao nadar para prevenir as infecções.
A maioria dos males de ouvido desaparecem por conta própria e só requerem alguns cuidados, mas se sintomas como dor e febre durarem mais de três dias (principalmente em crianças), então procure seu médico para discutir o tratamento mais adequado para a possível infecção.
As infecções de ouvido ocorrem com mais facilidade quando sua imunidade está baixa. Por isso, é fundamental nutrir seu corpo com alimentos de verdade e desintoxicar o organismo.
Para limpar o seu organismo você pode incluir os sucos detox na sua dieta. Eu preparei um Guia GRATUITO com os 10 melhores sucos detox para você começar a tomar já, basta preencher o formulário abaixo.
Para quem prefere, o conteúdo deste artigo está disponível também em vídeo a seguir. Basta dar o play!

Vídeo: Dor No Ouvido, Otite, Como Proceder?

Abraços e fique com Deus!
Dr. Juliano Pimentel

sábado, 31 de outubro de 2015

Sinusite aguda em crianças


 
Levon Mekhitarian NetoI; Shirley PignatariII; Sérgio MitsudaIII; Antonio Sérgio FavaIV; Aldo StammV
IMestre em Ciências da Saúde pelo curso de pós-graduação do Hospital Heliópolis -SP
IIProf. Adjunta Assistente da Disciplina de ORL Pediátrica da UNIFESP
IIIOtorrinolaringologista do Hospital Prof. Edmundo Vasconcelos
IVDocente do Curso de Pós-Graduação do Hospital Heliópolis
VDoutor em Otorrinolaringologia pela UNIFESP



RESUMO
Das complicações da sinusite, as que envolvem a região orbitária são mais freqüentes.
OBJETIVO: Este trabalho tem por objetivo mostrar a incidência de celulite orbitária (CO) como complicação de sinusite aguda em crianças. Forma de Estudo: Retrospectivo.
MÉTODO: Após autorização específica, foram avaliados todos os prontuários de pacientes pediátricos, com idade até 12 anos, com diagnóstico de complicação orbitária por sinusite, admitidos na Clínica de ORL e Pediátrica do HPEV no período de 1985 a 2004. Os casos foram analisados segundo o sexo, idade, quadro clínico, seio paranasal acometido, período médio de internação, exames de imagem realizados e tratamento instituído.
RESULTADO: No período de 1985 a 2004, foram diagnosticados 25 pacientes portadores de CO, apresentando uma incidência de 6%, predomínio do sexo masculino, com média de idade de 6,5 anos. O seio paranasal mais acometido foi o maxilar. 24 pacientes apresentavam edema periorbitário. Todos os 25 pacientes apresentavam velamento sinusal ao Rx. Um paciente apresentava deslocamento do globo ocular e proptose e a TC mostrava abscesso subperiosteal. O período médio de internação foi de 4 dias. 25 pacientes receberam tratamento antibiótico endovenoso e 2 foram submetidos a tratamento cirúrgico associado.
CONCLUSÃO: A incidência de complicações orbitárias pós-sinusite são infreqüentes, com diagnóstico precoce evoluem bem com tratamento clínico. A cirurgia pode ser necessária em alguns casos.
Palavras-chave: aguda, celulite, complicações, crianças, orbitária, sinusite.



INTRODUÇÃO
A infecção bacteriana dos seios paranasais é uma das condições mais freqüentes tanto na população adulta quanto nas crianças. Quase sempre secundária a uma infecção viral de vias aéreas superiores, a sinusite costuma manifestar-se com rinorréia, obstrução nasal, cefaléia e febre, entre outros sinais e sintomas.
Entre as complicações da sinusite, as que envolvem a região orbitária são as mais freqüentes, geralmente associada ao comprometimento dos seios etmoidais em pacientes mais jovens1-7. Isto se deve principalmente às íntimas relações anatômicas entre a cavidade orbitária e o seio etmoidal assim como à fragilidade da parede etmóido-orbitária principalmente nas crianças8,9. Estima-se que as complicações da sinusite na era pré-antibiótica ocorriam em 1 a cada 5 pacientes, e as taxas tanto de morbidade quanto de mortalidade relacionadas à celulite orbitária eram bastante altas, com 17 a 20% deste pacientes evoluindo para óbito por meningite ou apresentando perda visual permanente do olho afetado10-13. Atualmente estas seqüelas não chegam a 5% dos casos.
Como a sinusite não era facilmente diagnosticada antes do advento do antibiótico, raramente a celulite orbitária era associada aos quadros sinusais10. Nos dias de hoje, acredita-se que esta relação seja de aproximadamente 70%10 e que 60 a 80% das doenças inflamatórias da órbita originam-se das cavidades sinusais. São considerados quadros graves, e em algumas situações o tratamento deve incluir a drenagem cirúrgica da coleção purulenta e do seio paranasal acometido.8,9,13-15.
Embora atualmente as complicações orbitárias pós-sinusite sejam menos freqüentes, principalmente pela facilidade dos estudos por imagem que permitem um diagnóstico mais preciso e precoce, assim como pelo uso de antibióticos de amplo espectro que auxiliam no tratamento adequado do processo infeccioso, estes quadros continuam ocorrendo apresentando-se com a mesma gravidade se não diagnosticados e tratados adequadamente.
A drenagem venosa periorbitária é realizada por veias avalvulares que interconectam os seios paranasais com a órbita, o seio cavernoso e os tecidos faciais10,12,16. Este livre sistema de anastomose permite que a tromboflebite e flebite progridam a estas estruturas adjacentes17.
A maioria dos investigadores clínicos denomina celulite orbitária qualquer complicação orbitária supurativa ou não, classificando os casos de acordo com a severidade e extensão do processo infeccioso18,19.
Em 1948 Smith e Spencer20 apresentaram uma classificação para as complicações das sinusites utilizada numa série de pacientes adultos, enfatizando que as categorias seriam apenas uma divisão artificial de um processo contínuo, etapas deste processo de acordo com a severidade da doença. Chandler et al., em 1970, modificaram esta classificação e desde então tem sido utilizada internacionalmente21,22.
Em todas as classificações propostas a proptose parece ser o achado que diferencia os estágios mais severos da complicação. A proptose pode ainda ser usada como um guia de indicação da localização do abscesso. Se a proptose é simétrica há uma chance maior de envolvimento do conteúdo orbitário, mas se é assimétrica o abscesso pode ser localizado no quadrante orbitário oposto. Em geral, quanto maior a proptose, mais severa é a inflamação ou o tamanho do abscesso21.
Em pacientes que desenvolvem celulite orbitária, 10% mostram uma perda visual temporária da acuidade visual no olho afetado23. Outras complicações podem ocorrer com menos freqüência e incluem meningite, osteomielite frontal, abscesso intracraniano, etc.
O tratamento destas complicações requer um time de vários especialistas como o otorrinolaringologista manejando a infecção sinusal, o oftalmologista cuidando das complicações visuais e o pediatra cuidando da parte clínica. O tratamento clínico consiste na administração de altas doses de antibióticos endovenosos capazes de cruzar a barreira hematoencefálica e monitorização da resposta através de sintomas e sinais sistêmicos e visuais11. De acordo com Lusk12, se há progressão do edema, diminuição da acuidade visual e/ou declínio abrupto no estado clínico, a tomografia computadorizada ou ressonância magnética deve ser realizada. Comprovando a presença de um abscesso, imediata intervenção cirúrgica deve ser instituída, por método convencional ou endoscópico funcional.
O objetivo deste trabalho é mostrar a incidência da celulite orbitária como complicação de sinusite aguda, em crianças internadas na clínica de pediatria e otorrinolaringologia do Hospital Prof. Edmundo Vasconcelos, classificando o quadro clínico (classificação de Chandler) e o tratamento instituído.

MATERIAL E MÉTODO
Este trabalho baseou-se no estudo retrospectivo dos prontuários de pacientes admitidos na Clínica de Otorrinolaringologia e Pediatria do Hospital Prof. Edmundo Vasconcelos no período de 1985 a 2004 com diagnóstico de complicação orbitária decorrente de sinusite.
Foram incluídos os pacientes com até 12 anos de idade, que foram analisados segundo o sexo, idade, seio paranasal acometido, período médio de internação, exames de imagem realizados e tratamento utilizado.
O quadro clínico foi avaliado segundo a Classificação de Chandler21:
Grupo I: celulite pré-septal, edema das pálpebras sem flutuação e não associado com perda visual ou limitação da mobilidade extraocular.
Grupo II: celulite orbital sem abscesso, edema difuso dos tecidos gordurosos na órbita sem abscesso em formação.
Grupo III: celulite orbital com abscesso subperiosteal, formação de abscesso entre o periósteo e osso da órbita, deslocamento do globo ocular, com ou sem limitação da mobilidade, com ou sem diminuição da acuidade visual.
Grupo IV: celulite orbital com abscesso da gordura orbital, proptose severa, podendo ser de direção frontal e não lateralmente ou inferiormente deslocando-o como num abscesso subperiosteal, severa limitação da motilidade ocular com ou sem oftalmoplegia, com ou sem perda visual.
Grupo V: Trombose do seio cavernoso, flebite orbital se estende dentro do seio cavernoso e cruza o plexo venoso basilar para o outro lado, resultando em doença bilateral.

RESULTADOS
Entre 1985 e 1999 foram atendidos no Serviço de Otorrinolaringologia e Pediatria do Hospital Prof. Edmundo Vasconcelos 25 crianças com diagnóstico de complicação orbitária de sinusite aguda (Tabela 1).


Entre essas crianças, 17 eram do sexo masculino e 8 do sexo feminino, conferindo uma relação aproximada de 2 homens para 1 mulher. A média de idades destes pacientes foi de 6,5 anos (Tabela 2).


As queixas mais comuns (24 pacientes) foram edema e hiperemia de pálpebras sem perda de acuidade visual (Grupo I de Chandler). Um paciente apresentava proptose e diminuição da mobilidade ocular compatível com o Grupo III da classificação de Chandler.
A Tabela 3 mostra a distribuição dos pacientes em relação a idade, sexo e seios paranasais comprometidos.


O período médio de internação dos 25 pacientes foi de 4 dias, variando entre 1 e 11 dias.
Em relação aos exames por imagem, todos os 25 pacientes apresentavam Rx simples demonstrando espessura da mucosa maior que 4mm, níveis hidroaéreos, ou opacificação total do seio acometido.
Dos 25 pacientes, 2 pacientes foram submetidos à tomografia computadorizada que demonstrava aumento de espessura da mucosa, nível hidroaéreo, área de opacificação total do seio frontal e etmoidal acometidos.Um deles mostrava abscesso subperiosteal à TC.
A Tabela 4 lista os antibióticos utilizados durante o período de internação.


Dois pacientes receberam tratamento cirúrgico complementar (drenagem transnasal endoscópica dos seios paranasais). Além disso, o paciente portador de abscesso subperiosteal foi submetido à drenagem por via externa. Em todos os casos os antimicrobianos foram utilizados por um período de pelo menos 14 dias com boa evolução do quadro infeccioso com regressão completa.

DISCUSSÃO
As complicações das rinossinusites agudas parecem ocorrer com mais freqüência nas crianças do que nos adultos e estão ligadas diretamente às íntimas relações anatômicas dos seios paranasais com estruturas da cabeça, pescoço e tórax. Embora a literatura relate a incidência de cerca de 7%2 nos dias de hoje, nosso estudo mostrou ser relativamente incomum. Acreditamos que uma das razões para a baixa incidência dessas complicações em nosso Hospital, possa de dever ao fato de tratar-se de um hospital privado. Neste caso, o fator sócio econômico e intelectual dos familiares deve seguramente exercer uma influência positiva, em relação ao diagnóstico e tratamento precoces.
Nos estudos de literatura a maioria dos pacientes estava abaixo de 6 anos (50% nos estudos de Fearons) ou abaixo de 4 anos (50% no estudo de Hawkins). Shahin24, revisando todos os grupos de idade, encontrou 75% dos pacientes na faixa etária abaixo de 16 anos e 33% abaixo de 4 anos. Entretanto, crianças mais velhas e adultos tendem a ter complicações orbitárias mais severas.
A celulite orbital pode ocorrer após trauma ou cirurgia intraorbitária, mas ela é mais freqüentemente encontrada em crianças como uma complicação de sinusite, particularmente de sinusite etmoidal3,5,12. Embora Chandler et al. tenham descrito e classificado a patogênese da infecção orbitária em relação à sinusite aguda, percebemos que esta é uma classificação que não contempla todos os tipos de complicação que podem ocorrer secundárias aos quadros sinusais, tais como as complicações osteolíticas de seio frontal, ou mesmo as complicações intracranianas. Além disso, há uma contradição nesta classificação ao incluir a trombose de seio cavernoso entre as complicações orbitárias, uma vez que se trata de uma complicação intracraniana. Entretanto, como ainda é a classificação mais utilizada internacionalmente, foi a que adotamos.
Dos nossos 25 pacientes com complicação de rinossinusite aguda, 16 casos (64%) estavam na faixa etária abaixo de 5 anos, 4 casos entre 5 e 9 anos e 5 casos entre 9 e 12 anos. Estes resultados vão de encontro à literatura médica, segundo a qual este fato poderia ser associado a fatores anatômicos peculiares dos pacientes mais jovens, como a fragilidade da separação entre o conteúdo orbital e o labirinto etmoidal, presença de grande número de suturas (abertas nas crianças) e forames neurovasculares na parede medial da órbita, forames mais largos, ossos mais porosos, facilitando a disseminação da doença e a ocorrência de deiscências na parede medial da órbita20-22,25.
Foi interessante notar que, entre os nossos casos, a incidência das complicações foi significantemente maior no sexo masculino (17-68%) do que no sexo feminino (8-32%).
Na série de pacientes de Shahin24 o etmóide foi o mais comum dos seios afetados em pacientes com complicação orbital. O seio maxilar foi o segundo, e o frontal o próximo. O envolvimento do seio esfenoidal é raro, mas Fearon descreveu um caso de sinusite esfenoidal associado com severa encefalopatia central e deterioração visual.
Em todos os estudos na literatura o Haemophilis influenzae tipo B foi o mais comum microorganismo em hemocultura12. Staphylococcus foi o patógeno mais encontrado em secreção aspirada do seio maxilar (Fearon).
Em nossos pacientes foi realizada cultura de secreções dos seios paranasais nos 3 casos submetidos à sinusectomia e o material colhido intraoperatoriamente. Não houve crescimento bacteriano nestas culturas. Esse resultado pode ser associado à antibioticoterapia instituída previamente à cirurgia.
Nos 2 casos cirúrgicos a decisão de operar estava ligada à situação do doente não estar evoluindo bem mesmo com tratamento clínico após 24-48h, comprometimento de mais de um sítio anatômico. Além disso, um dos pacientes apresentava um abscesso subperiosteal orbitário promovendo proptose e limitação da mobilidade ocular. Em relação aos exames complementares de imagem, a tomografia computadorizada foi solicitada nos 2 casos mais graves, possibilitando a localização precisa do seio paranasal acometido, do abscesso orbitário e sua extensão. Todos os pacientes apresentaram boa evolução, sem seqüelas.

CONCLUSÃO
Os resultados do nosso estudo nos permitiram concluir que:
A incidência de complicações orbitária por sinusite é pouco freqüente em crianças (6% em nosso estudo), e embora a maioria dos casos seja diagnosticada nos estádios iniciais, possibilitando uma boa evolução com tratamento clínico, trata-se de uma doença grave, e a cirurgia pode ser necessária.

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 Endereço para correspondência:
Levon Mekhitarian Neto
R. José Maria Lisboa 397 Jardim Paulista
01423-000 São Paulo SP
Este artigo foi submetido no SGP (Sistema de Gestão de Publicações) da RBORL em 9 de março de 2005. cod. 47.