Dormimos cerca de oito horas por noite, todas as noites (ou quase). E se não dormimos, as consequências são imediatas: fadiga mental, dificuldade de encontrar as palavras, de fazer contas de cabeça, de se manter atento, de tomar decisões. Fica óbvio que o sono não é apenas “o outro” estado de funcionamento do cérebro, mas uma necessidade básica para que o cérebro trabalhe direito enquanto acordado da próxima vez. Até mesmo consolidar o aprendizado do dia – ou seja, transferir informações de maneira duradoura para a memória – depende de sono naquela noite.
Mas nada disso explica por que dormimos. Por que é mandatório dormir, a ponto de a insônia completa e permanente acabar sendo letal a humanos, camundongos e até mesmo moscas?
Foi apenas no final de 2013 que a neurociência finalmente teve uma forte candidata a resposta, vinda do laboratório da Dra. Maiken Nedergaard, nos EUA: o sono parece ser a oportunidade do cérebro para que metabólitos (quer dizer, produtos do metabolismo normal do cérebro) potencialmente tóxicos sejam eliminados, permitindo às células começar um novo dia limpas, ao invés de nadando em suas próprias excreções.
O interesse inicial da equipe de Maiken Nedergaard não era o sono em si, mas estudar o espaço intersticial do cérebro: o volume situado do lado de fora das células, por onde circula o líquido que banha as células e “lava” embora tudo aquilo que elas excretam, inclusive os tais metabólitos. Para estudar o espaço intersticial, a equipe injetava um corante que se espalhava por esse espaço no cérebro de camundongos acordados sob o microscópio, com seu cérebro exposto por uma janela implantada no crânio.
O experimento devia ser um tanto monótono para os animais, pois estes acabavam adormecendo. Foi o que levou à descoberta. Com o animal acordado, o corante injetado ficava apenas na superfície do cérebro. Mas, para a surpresa dos pesquisadores, assim que o animal adormecia, era como se uma torneira de corante houvesse sido aberta: o líquido agora se espalhava rapidamente pelo espaço intersticial.
Investigando o fenômeno inesperado, a equipe demonstrou que a circulação de líquido pelo espaço intersticial é mínima no cérebro acordado, quando o espaço interesticial é reduzido. Mas a transição para o sono leva a uma expansão de 60% desse espaço, o que aumenta enormemente a circulação de líquido. Na prática, o resultado é que a remoção de toxinas produzidas pelo funcionamento das células essencialmente só ocorre durante o sono; no cérebro acordado, com pouca circulação de líquido, elas vão se acumulando.
Ao menos um desses metabólitos, aliás, é forte candidato justamente a fator causador do sono: adenosina, produzida e liberada por neurônios e células gliais durante o funcionamento do cérebro acordado. Quanto mais adenosina se acumula, mais difícil fica se manter acordado, motivado e atento – e maior é a sensação de sonolência. É fácil pensar em como o cérebro, acordado, fica gradualmente prejudicado conforme se acumulam os produtos tóxicos do seu próprio funcionamento, como a própria adenosina. Quanto mais tempo se passa acordado, mais difícil é continuar acordado – e mais forte, portanto, é a tendência a adormecer.
Dormir parece ser a solução para o problema: um estado transitório, mas obrigatório, repetido todos os dias após um certo número de horas acordado, acumulando lixo. Dormir limpa o cérebro, levando embora adenosina e o que mais houver se acumulado. E assim você acorda pronto para... começar tudo de novo.
Assistência à saúde mental é uma das maiores necessidades não atendidas. Praticamente uma em cada duas pessoas nos Estados Unidos sofrerá de depressão, ansiedade ou algum outro tipo de doença mental em certo momento da vida e cerca de 1 em cada 17 americanos atualmente sofre de doença mental grave. Jovens estão particularmente propensos a esses problemas. Ainda assim, milhões de pessoas que vivem nessas condições não recebem assistência. Nos últimos anos, o sistema de saúde, o governo federal e os governos estaduais tomaram medidas para mitigar essa situação, mas o progresso tem sido lento e os cortes orçamentários e as tramitações legais colocam em risco várias dessas medidas.
Apesar de a doença mental atingir qualquer pessoa, independentemente de classe econômica, a preocupação é maior com as de baixa renda. Cerca de um em cada seis adultos que vivem pouco acima da linha de pobreza ou abaixo dela apresenta problemas graves de saúde mental nos Estados Unidos. Sem acesso a tratamentos com custos geralmente proibitivos para sua disponibilidade econômica, muitos passam maus bocados mantendo um emprego que, embora ainda não os desqualifique formalmente como incapacitados, os deixa sem cobertura de planos de saúde. Um estudo recente bastante amplo, realizado na Califórnia, mostrou que somente 32% das pessoas sem planos de saúde e com doenças mentais receberam algum tratamento e que menos de 12% obtiveram ajuda adequada.
O ônus humano e econômico é enorme, ainda que quase sempre velado. De acordo com a Associação de Doenças Mentais dos Estados Unidos (Nami, na sigla em inglês), doenças mentais não tratadas custam para o país mais de US$ 100 bilhões por ano em perda de produtividade. Hospitais e clínicas locais arcam com doenças físicas crônicas associadas, escolas precisam abrir mais vagas para educação especial e em fóruns e prisões há um grande número de pessoas com doenças mentais sem tratamento. O suicídio destaca-se entre as 15 causas de morte mais comuns nos Estados Unidos – na população jovem aparece na lista dos três primeiros – e 90% dos casos podem ser atribuídos a doenças mentais.
A gravidade do problema força os políticos a tomar uma atitude. Por volta de 2002, 29 estados americanos obrigaram os planos de saúde a cobrir doenças mentais nos mesmos termos que doenças físicas, o que fez a taxa de suicídios nesses estados ter redução média de 5%. Equalizar a cobertura, porém, significa pouco para quem não dispõe de plano de saúde – e os governos estaduais têm cada vez menos condições de tomar providências. De acordo com a Nami, nos últimos três anos alguns estados cortaram até 39% do orçamento destinado a saúde mental. O decreto para a Defesa do Paciente e Assistência Acessível, que o presidente Barack Obama transformou em lei em 2010, pode ajudar a sanar essas falhas. A lei exige que os planos de saúde ofereçam cobertura para a “saúde comportamental”, incluindo assistência à saúde mental e ao vício e abuso de drogas, como um benefício indispensável à saúde.
Essas medidas, no entanto, correm um risco legal. No fim deste mês a Suprema Corte americana ouvirá os prós e os contras à constitucionalidade do decreto. Se a Corte julgar que os estados não precisam estender seus programas de assistência médica, como o decreto atualmente exige, ela poderá excluir 16 milhões de americanos do sistema que provê cobertura médica para doenças mentais. Uma decisão judicial para impedir a aquisição de planos de saúde dos estados com subsídios federais privará outros 16 milhões de assistência médica. Abandonar a lei acabaria também com os planos de construir centros nacionais para tratamento de depressão e para melhorar a forma como os serviços de saúde comportamental são integrados nos sistemas de assistência médica padrão.
Se a lei cair, o Congresso precisará restabelecer suas providências mais básicas e, mesmo que ela permaneça, todos nós temos mais o que fazer. Apenas a assistência médica não garante que as pessoas receberão o tratamento adequado; médicos e assistentes sociais precisam trabalhar juntos para garantir isso. Empresas farmacêuticas devem reativar os canais de pesquisa em busca de novas drogas, que têm sido extremamente desprezadas. Além disso, todos nós devemos nos livrar do estigma que ainda tendemos a associar a essas doenças. A recompensa será que milhões de nossos amigos, vizinhos e filhos terão a oportunidade de se tornar mais saudáveis, felizes e membros produtivos da sociedade.
Sentir-se abatido de tempos em tempos é algo normal que faz parte da vida. Mas quando o vazio e o desespero tomam conta do seu dia-a-dia, tornando-se permanente, afetando-lhe a motivação e o sentido da vida, pode ser depressão. Mais do que apenas o humor diminuído, os pontos baixos da depressão podem afetar-lhe a sua funcionalidade e deixar de ter prazer na vida, como anteriormente tinha. Deixa de interessar-se pelos amigos, família, lazer, hoobies, trabalho, saúde, você sente-se esgotado o tempo todo, e só aguentar o passar do dia pode ser avassalador. Quando você está deprimido, as coisas podem parecer-lhe inúteis, sem sentido, mas com ajuda e apoio você pode ficar melhor e pouco a pouco sair dessa tormenta. Mas primeiro é importante que você perceba algumas coisa acerca da depressão. Aprender sobre a depressão, e como lidar com a depressão, incluindo a identificação dos seus sinais, sintomas, causas e tratamento é o primeiro passo para superar o problema.
A questão da depressão é uma área complexa, mas é uma área que tem vindo a crescer no esclarecimento do seu tratamento. Quase todos os dias novas informações são transmitidas, ajudando na orientação do nosso conhecimento e o que fazer. Independentemente das várias formas de intervenção e das diferentes respostas ao tratamento por parte das pessoas que sofrem com o problema da depressão, ainda assim a grande maioria pode e consegue aprender como reduzir de forma significativa os seus níveis de depressão ou até mesmo um alívio total da angústia provocada por este terrível problema. As pessoas que podem obter grande alívio da depressão inclui todas aquelas que pensam que nunca irão conseguir ultrapassar os seus problemas pessoais e que consequentemente a sua depressão irá durar para sempre.
O QUE É A DEPRESSÃO?
Todos nós sentimos e passamos por altos e baixos no nosso humor. A tristeza é uma reação normal às situações de vida, tais como lutas, zangas, perdas, derrotas e decepções. Muitas pessoas usam a palavra “depressão” para explicar estes tipos de sentimentos, mas a depressão é muito mais do que tristeza. Algumas pessoas descrevem a depressão como “viver num buraco negro” ou ter um sentimento de desgraça constante. No entanto, algumas pessoas deprimidas não se sentem tristes por tudo, em vez disso, sentem-se sem significado na vida, como se a vida fosse vazia e apática.
Seja qual for o sintoma, a depressão é diferente da tristeza normal ou da simples desmotivação, na medida em que anula o seu dia-a-dia, interferindo com a sua capacidade de trabalhar, estudar, comer, dormir e divertir-se. Os sentimentos de desamparo, desesperança, inutilidade são intensos e implacáveis, com pouco ou nenhuma alívio.
EM QUE É QUE A DEPRESSÃO DIFERE DA TRISTEZA OCASIONAL?
Enquanto todos nós, ocasionalmente, podemos ficar tristes ou “em baixo”, normalmente estes sentimentos tendem a passar muito rapidamente. Por outro lado, alguém com depressão tem experiências de extrema tristeza ou desespero, que dura pelo menos duas ou mais semanas. Os indivíduos deprimidos tendem a sentir-se impotentes e sem esperança culpando-se por terem esses sentimentos. O sentimento de culpa é muito vincado. A depressão interfere com as atividades da vida diária, tais como trabalhar ou concentrar-se em tarefas, ou mesmo comer e dormir. Outros possíveis sintomas da depressão incluem dores crónicas, dores de cabeça ou dores de estômago. Algumas pessoas podem sentir-se irritadas ou agitadas por longos períodos.
As pessoas que estão deprimidas podem sentir-se oprimidas e exaustas deixando completamente de participar em certas actividades quotidianas. Elas podem deixar de interessar-se por assuntos relacionados com a família e amigos. Deixam de importar-se com as suas vidas. Perdem o sentido de futuro, deixam de ter prazer nas coisas que anteriormente lhe eram significativas. A pessoa deixa de acreditar que consegue dar a volta à situação e por consequência deixa de fazer planos para o futuro. Algumas pessoas deprimidas podem chegar a ter pensamentos de morte ou suicídio como já referi anteriormente. Esta parece-lhes ser uma solução para os seus problemas, mas na verdade não passa de um erro de raciocínio. Um conjunto de caminhos deturpados pela condição em que a pessoa se encontra.
VOCÊ ESTARÁ A SOFRER DE DEPRESSÃO?
Se você se identifica com vários dos seguintes sinais e sintomas, não sentido nenhuma diminuição de dia para dia, você pode estar a sofrer de depressão clínica:
Você não consegue dormir ou dorme em excesso. Você tem dificuldades de concentração, ou sente que algumas das tarefas que fazia facilmente são agora um tormento. Você sente-se desesperançado e desamparado. Você não consegue controlar os seus pensamentos negativos por mais que se esforce. Você perdeu o apetite ou não consegue parar de comer. Você está muito mais irritadiço e com humor diminuído do que é habitual. Você tem pensamentos de que não vale a pena viver (se for o caso procure ajuda imediata). SINAIS E SINTOMAS DA DEPRESSÃO
A depressão varia de pessoa para pessoa, mas há alguns sinais e sintomas que são comuns. É importante lembrar que esses sintomas podem ser parte de algumas dificuldades normais da vida. Mas quanto mais sintomas você tem, mais fortes eles ficam, mais tempo eles duram, o mais provável é que você esteja a sofrer com incapacidades ligadas à depressão. Quando estes sintomas são esmagadores e incapacitantes, é quando é hora de procurar ajuda.
Sinais e sintomas comuns da depressão:
Sentimentos de desamparo e desesperança. Um panorama desolador, pensa que nunca mais nada irá ficar melhor e que independentemente dos seus esforços, não há nada que você possa fazer para melhorar sua situação. Perda de interesse nas atividades diárias. Falta de interesse nos passatempos anteriores, lazer, atividades sociais, ou sexo. Você perdeu a sua capacidade de sentir alegria e prazer na vida. Alterações no apetite ou no peso. Significativa perda de peso ou ganho de peso com uma alteração em mais de 5% do peso corporal num mês. Alterações do sono. Ou insónia, especialmente acordar nas primeiras horas da manhã, ou dormir demais (também conhecido como hipersonia). Irritabilidade ou inquietação. Sente-se agitado, e inquieto. O seu nível de tolerância à frustração é baixo, tudo e todos lhe provoca nervos. Perda de energia. Sente-se cansado, lento, e fisicamente esgotado. Todo o seu corpo pode sentir-se pesado e até mesmo pequenas tarefas são difíceis de realizar ou a demorar mais tempo para serem concluídas. Auto-aversão. Fortes sentimentos de inutilidade ou culpa. Você critica-se duramente a si mesmo por falhas percebidas e erros. Problemas de concentração. Dificuldade para se concentrar, tomar decisões, ou lembrar as coisas. Dores inexplicáveis. Um aumento do número de queixas físicas, como dores de cabeça, dores nas costas, dores musculares e dor de estômago. DEPRESSÃO E SUICÍDIO
A depressão apresenta-se como um elevado factor de risco para o suicídio. O desespero e a desesperança que se manifesta junto com a depressão pode levar a pensamentos sobre o suicídio, a pessoa sente que colocar término à vida é a única maneira de escapar à dor. Pensamentos de morte ou suicídio são um sintoma grave de depressão, por isso qualquer conversa ou comportamento que dê indícios dessa possibilidade deverá ser levado a sério. Normalmente não é apenas um sinal de alerta que a pessoa está a transmitir: é um grito de socorro.
Os sinais de alerta para o suicídio incluem: Falar em morrer ou prejudicar-se a si mesmo Expressar sentimentos fortes de desespero ou de se sentir encurralado Uma preocupação incomum com a morte ou em morrer Comportar-se de forma imprudente, como se tivesse um desejo de morte (por exemplo, excesso de velocidade , passar no sinal vermelho) Querer telefonar ou visitar algumas pessoas para dizer adeus Verbalizar frases como “As pessoas ficariam melhor sem mim”ou “qualquer dia acabo com isto tudo.” Mudança repentinas mudando de um comportamento extremamente deprimido para agir de forma calma e alegre Atenção: Se você acha que um amigo ou algum membro da sua família está pensando em suicídio, manifeste a sua preocupação e procure ajuda profissional imediatamente. Falar abertamente sobre pensamentos suicidas e sentimentos podem salvar uma vida.
Muito importante: Se você está a sentir pensamentos suicidas, pode muito provavelmente ser um sintoma da depressão. Quando você está se sentindo extremamente deprimido ou suicida, os problemas parecem ser esmagadores e permanentes. Mas com o tempo, você pode conseguir sentir-se melhor, especialmente se você procurar ajuda. Se estiver a ter pensamentos sobre a morte, pondere. Certamente existem muitas pessoas que querem apoiá-lo durante este momento difícil, por isso, não hesite e peça ajuda! Ou em último caso telefone para a linha de emergência do seu país: 112 (Portugal), 911 (Brasil).
AS VÁRIAS FORMAS DE DEPRESSÃO
Existem muitas razões para a depressão, existindo igualmente várias formas e expressões da depressão. Para algumas pessoas a depressão é algo comum na sua família, tendo uma tendência para se sentirem infelizes. Outras ficam deprimidos porque sentem-se mal com eles próprios, têm um pensamento tremendamente pessimista, sente-se corroídos pela preocupação e problemas, ou ficam estressados pela discrepância entre as suas expectativas e a realidade da sua vida. A depressão pode manifestar-se depois de um acontecimento traumático ou após uma situação de elevado estresse, ou na perda de alguém ou alguma coisa significativa. Os tentáculos da depressão podem ser óbvios, quando a pessoa diz para ela própria que a sua vida só pode piorar. No entanto algumas pessoas afetadas pela depressão projetam um senso de cordialidade e bem-estar aparente para disfarçar a sua dor. Disfarçar a depressão pode ser compreensivo. Torna-se funcional quando serve o propósito de manter uma relação positiva, quer com a vida quer com as pessoas. Mas, é inadequado quando a pessoa pretende evitar resolver o seu problema.
A depressão raramente pode reduzir-se a uma simples questão ou situação, apontando apenas para uma causa. Se for o seu caso, se isto lhe for transmitido por alguém, esteja alerta, pode estar a ser conduzido de forma irresponsável e inapropriada, o que lhe poderá vir a causar ainda mais problemas no futuro. Pondere uma segunda opinião.
Quando se liga a um autoconceito pobre e a uma tendência para catastrofizar sobre o desapontamento, injustiça, perda, a depressão pode ser recorrente. Talvez pense que quando está deprimido, o tipo de depressão que sente é imaterial. Em parte, isto está correto. Todas as formas de depressão envolvem uma profunda tristeza ou humor diminuído e uma elevada probabilidade de ter pensamentos distorcidos, depressivos e depreciativos.
Dica: Sabendo o tipo de depressão que você tem, pode ajudar a compreender melhor os seus sintomas e procurar o tratamento mais eficaz.
Apresento em seguida cinco tipos comuns de depressão:
DEPRESSÃO MAIOR (DEPRESSÃO UNIPOLAR)
A depressão maior é caracterizada pela incapacidade de aproveitar os prazeres da vida e experiência. Os sintomas são constantes, variando de moderada a grave. Sem tratamento adequado, a depressão maior geralmente dura cerca de seis meses. Algumas pessoas experimentam apenas um episódio depressivo único durante toda a sua vida, mas geralmente, a depressão maior é um transtorno recorrente. No entanto, existem muitas coisas que você pode fazer para melhorar o seu humor e reduzir o risco de recorrência. Não sofra desnecessariamente, procure ajuda.
A depressão maior pode seguir-se a uma perda normal, uma perda catastrófica de algo extremamente importante (a casa de habitação) ou qualquer condição que seja percebida como traumática. Pode emergir de um padrão de ansiedade generalizada ou auto-verbalizações negativas.
DEPRESSÃO ATÍPICA
Depressão atípica é um subtipo comum de depressão maior. Ele apresenta um padrão de sintomas específicos, incluindo um elevador humor temporário em resposta a acontecimentos positivos. Você pode sentir-se temporariamente melhor depois de receber uma boa notícia, ou quando saí para uma festa com os amigos. No entanto, este impulso de humor é passageiro. Outros sintomas da depressão atípica incluem ganho de peso, aumento do apetite, sono excessivo, sensação de peso nos braços e pernas, e sensibilidade à rejeição. Tal como outras formas de depressão, você pode obter alívio e tratamento através de Terapia Cognitivo-comportamental
DEPRESSÃO DISTÍMICA (DEPRESSÃO LEVE RECORRENTE)
A distímia é um tipo de depressão crónica leve. São mais os dias em que se sente moderadamente deprimido, que os que não se sente, embora você possa ter breves períodos de humor normal. Os sintomas da distímia não são tão fortes como os sintomas de depressão maior, mas duram muito tempo (pelo menos dois ou mais anos). Estes sintomas crónicos tornam a vida muito difícil de viver viver. Algumas pessoas também têm episódios depressivos maior conjuntamente com a distímia, uma condição conhecida como “depressão dupla”. Se você sofre de distímia, você pode sentir que quase sempre se sentiu deprimido. Ou você pode pensar que o seu humor diminuído faz parte de você (é do jeito que você é).A distímia pode ser tratada com êxito, mesmo que os sintomas tenham sido ignorados ou tenha estado sem tratamento durante anos.
TRANSTORNO AFECTIVO SAZONAL
Quando o inverno se faz sentir com os seus dias frios, sombrios, curtos, enfadonhos, nublados, por vezes o humor é afetado. Algumas pessoas ficam deprimidas no outono ou inverno, principalmente pela limitação de sol. Este tipo de depressão é chamada de transtorno afetivo sazonal. Transtorno afetivo sazonal é mais comum em climas do norte e em pessoas mais jovens. Tal como outros tipos de depressão, este também é tratável. A terapia através da luz, um tratamento que envolve a exposição à luz artificial intensa, muitas vezes ajuda a aliviar os sintomas.
DEPRESSÃO BIPOLAR: QUANDO A DEPRESSÃO É APENAS UM DOS LADOS DA MOEDA
Depressão bipolar, também conhecida como psicose maníaco-depressiva, é caracterizada por alterações de humor cíclico. Os episódios de depressão alternam-se com episódios maníacos, podendo incluir comportamentos impulsivos, hiperatividade, fala rápida, e pouco ou nenhum sono. Normalmente, a mudança de um modo extremo para o outro é gradual, com cada episódio maníaco ou depressivo tendo a duração de pelo menos várias semanas. Quando deprimido, uma pessoa com transtorno bipolar apresenta os sintomas usuais de depressão maior. No entanto, os tratamentos para a depressão bipolar são muito diferentes dos outros tipos de depressão.
DEPRESSÃO, ALGUMAS CAUSAS E FATORES DE RISCO
Algumas doenças têm uma causa médica específica, tornando o tratamento mais simples. Se você tem diabetes, toma insulina. Se você tiver apendicite, você faz uma cirurgia. Mas a depressão é mais complexa. A depressão não é o resultado de um desequilíbrio químico no cérebro, e o seu tratamento não pode ser reduzido apenas à medicação. Como expliquei no artigo: Será a depressão uma doença? talvez não…saiba porquê. Eu defendo que a depressão é causada por uma combinação de fatores biológicos, psicológicos, sociais e ambientais. Por outras palavras, as escolhas que você faz relativamente ao seu estilo de vida, relacionamentos e habilidades de lidar com as situações de vida, são muito significativos para o surgimento da depressão, mais do que o fator genético. No entanto, alguns fatores de risco podem torná-lo mais vulnerável à depressão.
CAUSAS E FATORES DE RISCO PARA A DEPRESSÃO
Solidão Falta de apoio social Recentes experiências de vida estressantes História familiar de depressão Problemas de relacionamento ou conjugal Tensão financeira Trauma ou abuso de infância Uso de álcool ou drogas Situação de desemprego ou o subemprego Problemas de saúde ou de dor crónica SABER A CAUSA (CONTEXTO) DA SUA DEPRESSÃO PODE AJUDAR A DETERMINAR O TRATAMENTO
Compreender a causa subjacente à depressão pode ajudá-lo a superar o problema. Qualquer um pode experimentar algum tipo de depressão, por algum motivo. É uma condição e situação que afeta pessoas de todos os tipos, de todas as raças, sexos e situação socioeconómica.
A depressão é uma condição extremamente pessoal que é causada por uma variedade de razões. Você pode estar em risco de depressão porque existe um histórico familiar da desordem. Você pode sentir-se deprimido por causa de certos medicamentos, tais como relaxantes musculares prescritos. Pode sentir-se deprimido por causa de uma determinada situação. A morte de um amigo ou membro da família, dificuldades financeiras, a perda de emprego ou indefinição profissional, são todas explicações legítimas para a depressão.
Para algumas pessoas, os sintomas da depressão podem desaparecer sem tratamento. Por exemplo, Se você vive sozinho ou se mudou de localidade à pouco tempo e tem sentimentos de solidão e tristeza, encontrar novos amigos no trabalho ou através de um passatempo, provavelmente irá promover o seu estado de humor, mais do que uma terapia. Mas para a maioria das pessoas, usualmente alguma forma de tratamento acaba por ser necessário. Pessoas que não consultam um profissional de saúde correm o risco de se sentirem pior desnecessariamente.
FORMAS DE RECUPERAR DA DEPRESSÃO
Os sintomas e as causas da depressão são diferentes de pessoa para pessoa, assim também são várias as formas, caminhos e ajudas para a melhoria da depressão . O que funciona para uma pessoa pode não funcionar para outra, e não há necessariamente um tratamento adequado em todos os casos. Se você reconhecer os sinais de depressão em si mesmo ou num ente querido, levará algum tempo para explorar as muitas opções de tratamento. Na maioria dos casos, a melhor abordagem envolve uma combinação de suporte social, mudanças de estilo de vida, desenvolvimento de habilidades emocionais e sociais complementado com ajuda profissional. Na actualidade a Terapia Cognitivo-comportamental conjuntamente com a Terapia da Aceitação e Compromisso, são duas abordagens que aplicadas em conjunto surtem em resultados muito satisfatórios. Agregando as duas, podemos apelidar de Terapia Cognitivo-comportamental Baseada na Mindfulness e Aceitação. Esta é a Terapia que eu pratico e aconselho.
PROCURE AJUDA E APOIO
Se julga que a possibilidade de conseguir vir a resolver este problema tão incapacitante como a depressão lhe parece praticamente impossível, não desespere. Sentir-se impotente e sem esperança são sintomas da depressão, não é a realidade da sua situação. Esse tipo de pensamento é o seu problema (distorções do seu pensamento) a manifestar-se. Isso não significa que você é fraco ou que você não pode mudar! A chave para a recuperação da depressão é começar por procurar ajuda. Ter um forte sistema de apoio no local irá acelerar a sua recuperação. O isolamento aumenta a manifestação da depressão, funciona como um combustível, por isso procure o contacto com as outras pessoas, não as evite, mesmo quando você se sente como se estivesse sozinho no mundo. Deixe a sua família e amigos saber que você está passando por um momento difícil da sua vida, eles podem funcionar como a sua primeira linha de apoio.
FAÇA MUDANÇAS DE ESTILO DE VIDA SAUDÁVEL
Mudanças de estilo de vida saudável nem sempre são fáceis de fazer, mas eles podem ter um grande impacto sobre a depressão. Algumas mudanças que podem ser muito eficazes incluem:
Cultivar relacionamentos de apoio Fazer exercícios regulares: 29 benefícios da atividade física na sua saúde. Regular o sono: 6 dicas para melhorar os seus problemas de insónia. Alimentar-se saudavelmente para impulsionar naturalmente o humor: 11 formas de promover a sua saúde e capacidade física . Gerir o stress: 6 estratégias para combater o stress. Praticar técnicas de relaxamento: 10 técnicas poderosas de relaxamento. Desafiar padrões de pensamentos negativos: Pense positivo, insista no pensamento positivo. OS ANTIDEPRESSIVOS SERÃO O TRATAMENTO MAIS EFICAZ?
A medicação pode ajudar a aliviar os sintomas da depressão em algumas pessoas, mas eles não são uma cura em si mesmo. Alerto para o facto dos medicamentos apresentarem desvantagens específicas, nomeadamente nos efeitos secundários. Aprender os fatos sobre os antidepressivos e pesando os benefícios e os riscos pode ajudar você a tomar uma decisão consciente e individual sobre se a medicação é o mais certo para você.
O tratamento mais eficaz para a depressão na grande maioria das vezes inclui alguma forma de terapia psicológica. A Terapia psicológica (como aquela que eu pratico: Terapia Cognitivo-comportamental Baseada na Mindfulness e Aceitação) oferece ferramentas para tratar a depressão através de uma variedade de abordagens e aprendizagens. Além disso, o que você aprende na terapia fornece-lhe habilidades e conhecimento para prevenir a recaída da depressão. Ensinam-se técnicas práticas sobre como reformular o pensamento negativo e empregar habilidades comportamentais no combate à depressão. A terapia também pode ajudá-lo a trabalhar na raiz da sua depressão, ajudando-o a compreender porque é que sente de uma certa maneira, o que são os seus gatilhos para a depressão, e o que você pode fazer para permanecer com o seu humor mais estável e emocionalmente mais equilibrado.
Ao longo dos últimos meses têm sido noticiados diversos suicídios que a imprensa tem correlacionado com o momento de crise econômica que estamos a viver.
Recentemente, em Portugal, o coordenador do Programa Nacional de Saúde Mental admitiu aos jornalistas que "as doenças mentais comuns estão e vão aumentar com esta crise devido a factores ligados à depressão e à ansiedade" (da imprensa; 16-02-2009).
Parece-nos, por isso, importante e oportuno tecer algumas considerações acerca não só da saúde mental mas também sobre o suicídio em circunstâncias de crise, como a atual.
Em primeiro lugar convém clarificar que o suicídio não constitui uma "doença" ou "patologia mental" reconhecida como tal. O suicídio é, na sua essência, um comportamento determinado por múltiplos factores, entre os quais se encontram, também, as doenças mentais (ou psiquiátricas). Na verdade, os profissionais que se ocupam do estudo e prevenção do suicídio referem-se frequentemente ao termo abrangente "comportamentos suicidários" a fim de considerar precisamente todos os comportamentos de índole auto-destrutiva, em maior ou menor grau, independentemente do seu desfecho (letal ou não).
Efectivamente, diversos e diferentes estudos científicos e epidemiológicos têm referido que aproximadamente 90% das pessoas que morrem vítimas de suicídio apresentam alguma patologia psíquica diagnosticável.
Por outro lado a correlação entre o suicídio e aspectos de coesão ou desagregação social é conhecida, pelo menos, desde os trabalhos do sociólogo francês Émile Durkheim (1858-1917) publicados em 1897.
É facilmente compreensível, mesmo para um leigo na matéria, que o sofrimento psíquico - muitos dirão: o stress - induzido por acontecimentos como a perda de emprego (ou a sua eminência), a perda de estatuto social acarretada pelo mesmo, as consequentes dificuldades económicas traduzidas na impossibilidade de honrar compromissos financeiros anteriormente assumidos ou, muito simplesmente, de colocar comida em cima da mesa possam evocar, no mais saudável e sensato dos seres humanos, sentimentos de desespero e desesperança que o façam, no mínimo, pensar o suicídio como uma "saída de emergência".
Sabemos, porém, que menos de 1% das pessoas que pensam em suicídio acabam por passar ao acto e esta deverá ser considerada, acima de tudo, uma mensagem de esperança.
Assim, a promoção da saúde mental e a prevenção do suicídio em momentos de crise económica não se esgota na medicina psquiátrica e/ou na disponibilização de mais ou melhores meios clínico-psiquiátricos ou psicológicos.
O aumento, face à crise, das "doenças mentais comuns" a que alude o coordenador do Programa Nacional de Saúde Mental refere-se a um aumento de síndromas ansiosos e/ou depressivos reactivamente a factores externos (ao indivíduo) e, por isso mesmo, conhecidos, entre os técnicos, pelas designações de "Depressão Reactiva", "Reacção Ansiosa" ou, mais pomposamente, "Reacções de Ajustamento com Humor Depressivo ou Ansioso", conforme os casos.
Deste modo, o "tratamento" de tais "doenças" terá que ir a montante destas e dirigir-se ao(s) factor(es) de causalidade das mesmas, não se compadecendo com meros tratamentos paliativos com psico-fármacos, ou mesmo, com hercúleos esforços psico-terapêuticos.
Será, portanto, imprescindível a execução de medidas de natureza sócio-económica dirigidas à protecção individual, mas também familiar e comunitária que promovam a coesão e o suporte inter-pares.
Felizmente, nos tempos que correm, vivemos num país com forte presença do estado no sector social, herança da Revolução de 1974, visível através de diferentes prestações e subvenções sociais dirigidas aos mais carenciados e desprotegidos. Face a economias ultra-liberais, como a norte-americana, onde o individualismo é a palavra de ordem, acabamos por nos encontrar consideravelmente mais protegidos. Atentemos ao conjunto de medidas anunciadas pelo actual Presidente dos EUA para mitigar os efeitos da crise e que já lhe valeram ser apodado de "socialista" durante a campanha eleitoral.
Lamentavelmente não basta dispor de médicos psiquiatras ou de serviços de psiquiatria para acudir aos efeitos da crise sobre a saúde mental das populações.
Não há cápsulas, comprimidos ou psico-terapias estruturadas capazes de resolver problemas como a pobreza, a miséria económica ou a exclusão social.
O que não significa que os psiquiatras, enquanto médicos com especiais preocupações humanistas, não constituam capital humano fulcral na abordagem do problema.
De resto, como tem sido sublinhado na comunicação social, não são (apenas) os mais economicamente carenciados os que se suicidam.
O desespero, a solidão, o afunilamento da consciência e a desesperança no futuro não são predicados exclusivos de nenhuma classe social.
Mas as pessoas não precisam de sofrer sozinhas.
Por isso existem, além das comuns Consultas de Psiquiatria e Serviços de Urgência Psiquiátrica em Hospitais Gerais, diferentes Consultas especializadas na Prevenção do Suicídio e linhas telefónicas de apoio espalhadas, mais ou menos, de Norte a Sul do país.
Às vezes uma palavra de conforto, um ouvido empático ou um abraço vindo de um amigo, ou conhecido, podem ser mais terapêuticos que o melhor dos psiquiatras ou psicólogos.
Mas é necessário mais.
As palavras de M. Scott Peck (1936-2005), psiquiatra norte-americano, publicadas originalmente em 1978, nunca fizeram tanto sentido como agora:
«A vida é difícil. (...) A maior parte das pessoas não vê inteiramente esta verdade de que a vida é difícil. Em vez disso, lamentam-se mais ou menos incessantemente, ruidosa ou subtilmente, da enormidade dos seus problemas, encargos e dificuldades, como se a vida fosse fácil de um modo geral, como se a vida devesse ser fácil. Proclamam a sua crença, ruidosa ou subtilmente, de que as suas dificuldades representam uma espécie única de atribulação que não deveria mas de algum modo lhes foi especialmente dirigida, ou às suas famílias, à sua tribo, à sua classe, à sua nação, à sua raça ou até à sua espécie, e não a outros.
Eu conheço esta lamentação porque já fiz a minha parte.
A vida é uma série de problemas. Queremos lamentar-nos ou resolvê-los? (...)»
(in "O Caminho Menos Percorrido", Ed. Sinais de Fogo)
Sobre o autor:
Nuno Pessoa Gil, é Médico Psiquiatra e sócio da SPS