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terça-feira, 20 de outubro de 2015

5 parasitas sinistros que transformam seus hospedeiros em zumbis


Rafael Miranda
ant (scientific name: Dinoponera mutica) infected with fungus (scientific name: Ophiocordyceps sp).  The fungus forces the ant to climb off the forest floor and bite down on a leaf or branch.  The fungus then kills the ant, grows out of its body, and releases spores that will infect more ants.  The ants position when it dies helps the fungus disperse its spores more effectively.  Photography Location: Adolfo Ducke Reserve, Manaus, Brazil.  Specimen collected from southwest Brazil. Research Contact: David Hughes, Professor at Penn State University, email: dph14@psu.edu.  Additional Contact: Joao Araujo, Graduate Student at Penn State University, email: joaofungo@gmail.com.
Parasitas são o terro de muitos seres vivos. Eles são organismos que vivem em associação com outros dos quais retiram os meios para a sua sobrevivência, normalmente prejudicando o organismo hospedeiro. Todas as doenças infecciosas e as infestações dos animais e das plantas são causadas por seres considerados parasitas.
O efeito de um parasita no hospedeiro pode ser mínimo, sem afetar as funções vitais, como é o caso dos piolhos. Já outros podem causar a morte do hospedeiro, como é o caso de muitos vírus e bactérias patogênicas. Neste caso extremo, o parasita normalmente morre com o seu hospedeiro, mas em muitos casos, o parasita pode ter-se reproduzido e disseminado os seus descendentes, que podem ter infestado outros hospedeiros, perpetuando assim a espécie, como no caso do Plasmodium.
Algumas espécies são parasitas apenas durante uma fase do seu ciclo de vida. Entretanto, outras passam todo seu ciclo de vida dentro dos hospedeiros, os manipulando e eventualmente, os matando. Conheça os 5 parasitas que transforam seus hospedeiros em zumbis:

Ophiocordyceps unilateralis

1
As formigas são ótimas navegadoras. Elas constroem ninhos altamente eficientes e fazem seu trabalho com maestria. Mas nas florestas tropicais da Tailândia, África e Brasil, as formigas Camponotus Leonardi são zumbificadas pelo Ophiocordyceps unilateralis, um fungo parasita.
Quando ele ataca uma formiga, ele passa de 3 a 9 dias em desenvolvimento dentro do corpo da pobrezinha. Quando o fungo está pronto para completar seu ciclo de vida, ele manipula a fomiga como um zumbi. Depois desse período o fungo explode o interior da formiga e é transmitido para outras que forem infelizes de estar ao redor.

Paragordius tricuspidatus

2
Esse verme pode crescer até 30 cm de comprimento e ficar parecendo com um pedaço de espaguete cozido. Mas para chegar a esse ponto, ele precisa de um grilo ou gafanhoto para se desenvolver. Primeiro, uma pequena larva desse verme infecta o pobre grilo. O pior: ele faz com que o grilo pense que ele sabe nadar. Ao alterar as funções do sistema nervoso central do grilo, o verme o coage o grilo a se afogar. Aparentemente, você não seria capaz de dizer se um grilo está infectado, mas neurologicamente, o verme está no controle. Mais de 30 vermes podem dominar o corpo do hospedeiro infeliz.

Sacculina sp.

3
Se você acha que fazer um grilo acreditar que ele pode nadar é impressionante, este parasita leva tudo a um nível completamente diferente. A Sacculina entra em um caranguejo e se agarra em suas articulações. Em seguida, ele rouba os nutrientes do caranguejo e o transforma em uma incubadora para reprodução. Uma vez que o parasita está totalmente crescido, as entranhas do caranguejo viram um líquido parecido com ovo e ele morre. Se o caranguejo é do sexo feminino, a Sacculina ilude o caranguejo a pensar que os milhões de larvas do parasita são seus próprios filhotes.

Leucochloridium paradoxum

4
O parasita Leucochloridium paradoxum entra nos caracóis e transforma manipula completamente a mente deles. No final de tudo, o pobre molusco comete suicídio. Quando o caracol se alimenta de excrementos infectados, os vermes invadem os tentáculos oculares do pobrezinho.
O caracol é influenciado a subir para o alto de árvores e onde vira um alvo de pássaros. Assim, o verme entra dentro das aves e é expelido nos excrementos que serão comidos por outro caracol, fazendo disso um ciclo infinito.

Toxoplasma gondii

5
Esta criatura unicelular é, talvez, o mais famoso de todos os parasitas manipuladores de hospedeiros. Ele infecta principalmente ratos e comundongos. Entre 30 e 60% das pessoas estão infectadas pelo T. gondii.
Ratos e camundongos infectados perdem o medo do cheiro de gatos. Em vez disso, eles tornam-se atraídos para um feromônio na urina dos gatos. O animal se torna menos propensos a esconder sob o assoalho e mais propensos a farejar seus predadores felinos, colocando o parasita em curso para seu destino final: o estômago do gato. Toxoplasmose também é extraordinariamente comum em pessoas com esquizofrenia, mas novamente não está claro o que isso significa ou o quão significativo é.
Fonte:  BBC

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Efeito da mitomicina C em cultura de estroma de pólipos nasais eosinofílicos: indução de apoptose em eosinófilos


Effect of mitomicin C in eosinofilic nasal polyps estromal culture: induction of apoptosis in eosinophil


Paulo Fernando Tormin Borges CrosaraI; Evaldo NascimentoII; Sebastião C. SobrinhoIII; Anilton C. VasconcelosIV; Roberto E. S. GuimarãesIII; Helena M.G. BeckerIII; Enrico A. CalosimoV; Flávio B. NunesVI
IDoutor pelo Departamento de Oftalmologia, Otorrinolaringologia e Fonoaudiologia da Universidade Federal de Minas Gerais
IIProfessor Adjunto do Departamento de Parasitologia da Universidade Federal de Minas Gerais
IIIProfessor Adjunto do Departamento de Oftalmologia, Otorrinolaringologia e Fonoaudiologia da Universidade Federal de Minas Gerais
IVProfessor Adjunto do Departamento de Patologia Geral da Universidade Federal de Minas Gerais
VProfessor Adjunto do Departamento de Estatística da Universidade Federal de Minas Gerais
VIPós-graduando, nível doutorado pelo Departamento de Cirurgia Geral da Universidade Federal de Minas Gerais



RESUMO
A polipose nasossinusal eosinofílica é uma afecção comum a várias doenças, determina acometimento extenso dosseios paranasais e possui grande tendência à recidiva após tratamento. Os eosinófilos exercem papel essencial na patogênese, relacionada a baixo índice de apoptose e a longa permanência destas células ativas nos tecidos.
OBJETIVO: Este estudo teve por objetivo avaliar o efeito da mitomicina C na indução de apoptose em eosinófilos presentes no estroma de pólipos nasais eosinofílicos.
FORMA DE ESTUDO: Caso controle.
MATERIAL E MÉTODO: O estudo foi auto-pareado, com 9 amostras cultivadas em meio RPMI 1640 e avaliadas em zero, 12 e 24 horas. O grupo estudo recebeu mitomicina C numa concentração de 400µg/ml durante 5 minutos. Em cada tempo as duas culturas, controle e estudo, foram submetidas a estudo histopatológico para determinação do índice apoptótico. Utilizou-se a coloração hematoxilina-eosina com aumento microscópico de 1000x.
RESULTADO: Pela análise de 674 campos digitalizados observou-se que as culturas tratadas com mitomicina C apresentaram índice apoptótico em 12 horas significativamente maior em relação ao grupo controle (p< 0,001).
CONCLUSÃO: Concluiu-se que a mitomicina C é eficaz na indução de apoptose em eosinófilos presentes em estroma de pólipos nasais eosinofílicos.
Palavras-chave: polipose nasossinusal, eosinófilos, mitomicina C, apoptose.

SUMMARY
The eosinophilic nasal polyposis occurs as a manifestation of several diseases. It affects multiple nasal sinuses and presents with high relapsing rates after current treatment. The eosinophils play an essencial role in the pathogenesis through their low apoptosis rates and the long periods of remaining in the tissues in an active form.
AIM: During the present study the effect of C-mitomycin was observed in the apoptosis induction of stromal eosinophils in eosinophilic nasal polyps.
STUDY DESIGN: Case control.
MATERIALS AND METHOD: During this auto-matched study, 9 samples of eosinophilic nasal polyps were cultivated in RPMI 1640 medium and then evaluated at the beginning, and after 12 and 24 hours of incubation. The study group was submitted to C-mitomycin in a 400 µg/ml concentration during 5 minutes. Both control and study group cultures were evaluated histopathologically and their apoptotic rates were determined. They were stained using hematoxilin-eosin and observed through microscopic enhancement of 1000 times.
RESULTS: The analysis of 674 digitalized fields showed that those cultures treated with C-mitomycin achieved significantly higher apoptotic rate after 12 hours of incubation when compared to control group rate (p<0,001).
CONCLUSION: This study supports that C-mitomycin is efficacious in the induction of the apoptosis of stromal eosinophils in eosinophilic nasal polyps.
Key words: nasal polyps, eosinophils, mitomycin C, apoptosis.



INTRODUÇÃO
A polipose nasossinusal (PNS) caracteriza-se pela presença de pólipos nasais múltiplos, comumente bilaterais, decorrentes de processo inflamatório da mucosa nasossinusal. Histologicamente, os pólipos nasais podem ser classificados em eosinofílicos e não eosinofílicos. A PNS eosinofílica representa 80 a 90% das PNS, associa-se à hiper-reatividade nasal e/ou brônquica e responde bem à corticoterapia. Engloba pacientes com diferentes fatores etiológicos e evoluções clínicas em relação às vias aéreas superiores e inferiores. A PNS eosinofílica é encontrada na Rinite Eosinofílica Não Alérgica (NARES), na Intolerância Aspirínica, na Atopia, na Sinusite Fúngica Alérgica e na Síndrome de Churg Strauss1,2,3
A infiltração dos pólipos pelos eosinófilos é a característica mais marcante da PNS eosinofílica, sendo o gatilho para se tentar compreender a patogênese desta afecção. A eosinofilia tecidual pode ser explicada pelo aumento da migração de eosinófilos para o local do processo inflamatório e/ou pelo aumento da sobrevida destes eosinófilos no tecido, conseqüente ao retardo no processo de apoptose.4
O termo apoptose, ou morte celular programada, refere-se ao processo não-patológico de morte celular. Caracteriza-se por uma seqüência de eventos distintos da necrose, impedindo a liberação de constituintes internos da célula e a ativação de mediadores da inflamação.5
Sabe-se que a apoptose é um processo ativo dependente de RNA e síntese protéica. Simon et al. (1997)6demonstraram que o fator estimulador de colônias de granulócitos macrófagos (GM-CSF) e a interleucina 5 (IL-5), produzidos por eosinófilos e linfócitos7,8, têm capacidade de prolongar a sobrevida dos próprios eosinófilos, porinibição da apoptose.
Bjornson, Harvey e Rose (1985)9 demonstraram que a hidrocortisona pode suprimir, por ação direta sobre as células, a formação de colônias de eosinófilos. Liles, Dale e Klebanoff (1995)10 e Meagher et al. (1996)5demonstraram a existência de efeito contrário dos corticosteróides sobre os eosinófilos e neutrófilos. Haveria aumento do número de neutrófilos conseqüente à redução da taxa de apoptose.11,12
O receptor Fas (CD 95/APO1), membro da superfamília TNF/NGF (Fator de Crescimento Neural), parece induzir apoptose nos eosinófilos. Sua ativação nos eosinófilos de indivíduos normais conduz rapidamente à apoptose. Em contrapartida, eosinófilos de indivíduos eosinofílicos não sofrem apoptose, mesmo que o receptor Fas ativo seja expresso normalmente nestas células.13 Isso sugere que outros sistemas estejam envolvidos na regulação da apoptose.14,15
Whyte, Meagher e Haslett (1991)16 comprovaram que o bloqueio da produção de proteínas por cicloheximidina e actinomicina-D induz apoptose de eosinófilos e neutrófilos, diferentemente dos corticosteróides. Concluíram que a apoptose é continuamente inibida pela produção de certas proteínas e induzida na ausência destas proteínas.
A mitomicina C (MMC) é uma droga anti-neoplásica e antibiótica extraída do Streptomyces caespitosus. Seu mecanismo de ação baseia-se na inibição seletiva da síntese de DNA, recombinação, troca de cromatinas irmãs e na reparação de DNA em bactérias.17
Existem poucos relatos de indução da apoptose com MMC em células de mamíferos. Schwartz et al. (1995)18relataram indução de apoptose em tumores gástricos tratados com MMC. A simples aplicação, por cinco minutos, de MMC numa concentração de 0,4mg/ml é capaz de inibir a proliferação de uma cultura de fibroblastos por 35 dias.19 Kim et al. (1999)20 observaram que a MMC (0,4 mg/ml por 5 minutos) induziu, in vitro, a apoptose de fibroblastos humanos da cápsula de Tenon, primariamente cultivados.
Esta droga tem sido freqüentemente utilizada em laringologia quanto em otologia com segurança e bons resultados.21-24
O objetivo deste estudo foi avaliar a ação da Mitomicina C sobre o índice apoptótico de eosinófilos no estroma de pólipos nasais eosinofílicos.

MATERIAL E MÉTODO
A população estudada foi constituída por pacientes portadores de PNS extensa, com faixa etária entre 16 e 79 anos, encaminhados pelo Sistema Único de Saúde - SUS - para realização de tratamento cirúrgico no Hospital São Geraldo, anexo do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais - HC-UFMG.
Critérios de inclusão: pacientes portadores de polipose nasossinusal eosinofílica com porcentagem igual ou superior a 40% de qualquer etiologia.
Critérios de exclusão: pólipos nasais unilaterais, presença de secreção purulenta ou uso de medicamentos como corticosteróides ou antialérgicos num período de 2 meses antecedentes à avaliação inicial.
Foram selecionados 9 pacientes portadores de PNS eosinofílica, com porcentagem de eosinófilos igual ou superior a 40%25, no período de janeiro a junho de 2003.
Os pacientes selecionados foram submetidos a exame otorrinolaringológico completo, com especial atenção ao segmento nasal. As fossas nasais foram exploradas via rinoscopia anterior e fibronasolaringoscopia.
Foi realizado estudo comparativo experimental auto-pareado de 9 amostras de pólipos nasais eosinófílicos com tamanho aproximado de 3 mm. O grupo de estudo foi composto por culturas de fragmentos dos pólipos tratados com MMC e avaliados em zero, 12 e 24 horas para cada paciente. O grupo controle foi composto por culturas de fragmentos dos pólipos não-tratados com MMC e avaliados nos mesmos tempos horas.
As biópsias dos pólipos nasais obtidas para cultura foram realizadas no ambulatório de Otorrinolaringologia do HC-UFMG. Os fragmentos retirados foram imediatamente acondicionados em meio de cultura à temperatura ambiente. Durante a coleta foram utilizados dois tubos FALCON®. O primeiro recebeu a amostra por um a dois minutos, sendo levemente agitado e, então, feita a transferência para o segundo tubo. Esse procedimento visou diminuir o índice de contaminação das culturas.
No Laboratório de Imunologia do Hospital São Geraldo, os fragmentos foram seccionados em seis porções e semeados numa placa de seis orifícios. Destes seis compartimentos, três formaram o grupo experimental e três o grupo controle. No grupo experimental aplicou-se MMC por cinco minutos, na concentração de 400 µg/ml19. Após a aplicação da droga, as culturas foram lavadas em meio RPMI. Para o grupo controle, não tratado com MMC, utilizou-se somente o meio RPMI. Os fragmentos contidos nos dois primeiros compartimentos, controle e experimento, foram imediatamente submetidos ao preparo para histopatologia. Os outros dois pares de amostras, cada qual contendo controle e experimento, foram encubados por 12 e 24 horas, respectivamente, em estufa a 37º C e 5% de CO2 em meio de cultura. Ao final de cada tempo (hora 12 e 24), os fragmentos foram enviados para exame histopatológico.26
O meio de cultura utilizado foi RPMI 1640, comercializado por Gibco UK26, contendo 5% de soro humano AB, 2 mM de mercaptoethanol, 1 mM L-glutamina, 2mM piruvato de sódio, 10µgr/ml de estreptomicina, 100U/ml de penicilina e 5mg/ml de fungisona.
Os fragmentos de cada amostra, após retirado o sobrenadante, foram transferidos para recipientes contendo formol a 10% e encaminhados para histopatologia rotineira, após impregnação em parafina. As lâminas resultantes foram coradas pela hematoxilina-eosina (HE) e avaliadas em microscópio óptico. As imagens dos campos com infiltrado eosinofílico foram digitalizadas, armazenadas em compact disc e posteriormente analisadas em programa de morfometria. Esta parte da pesquisa foi realizada nos Laboratórios de Apoptose e de Morfometria (Departamento de Patologia Geral do ICB – UFMG).
A análise da celularidade, isto é, da eosinofilia tecidual, foi obtida através da exploração de cinco a 10 campos do microscópico óptico com aumento de 400X, contando-se o maior número de células inflamatórias por campo para obtenção da porcentagem de eosinófilos.25
Para a análise do índice apoptótico (IA) foi realizada, em cada lâmina, a contagem dos eosinófilos num aumento de 1.000X em óleo de imersão, dividindo-se o total de eosinófilos em apoptose pelo total de eosinófilos contados.4 O eosinófilo em apoptose caracteriza-se pela perda do contato celular, condensação citoplasmática e nuclear além da coalescência ou extrusão nuclear.4,27
O método de análise estatística utilizado foi o teste t pareado para comparação dos grupos em cada um dos tempos considerados, segundo Snedecor e Cochran (1977)28. Foi considerado nível de significância de 5% e utilizado o pacote estatístico Minitab, versão 13, na análise estatística dos dados.
Este estudo foi previamente aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UFMG Parecer nº 109/02.

RESULTADOS
Foram enviados para preparo de lâminas e cálculo do índice apoptótico 9 experimentos (Figura 1).


Ao todo, foram obtidos e analisados 741 campos digitalizados. Destes, 67 foram analisados numa magnificação de 400X para quantificação da celularidade. A média de celularidade (porcentagem de eosinófilos) encontrada foi de 55,7% (48,2% – 67,5%). Para determinação do IA foram analisados 674 campos numa magnificação de 1.000X. O resultado da análise do IA obtido nos nove experimentos pode ser observado na Figura 1. No tempo hora zero, não houve diferença significativa entre os dois grupos, tratados ou não com MMC (p= 0,189). Em 12 horas, as culturas tratadas apresentaram uma taxa de apoptose significativamente maior (p<0,001) que as não tratadas. Na hora 24 não foi observada diferença significativa entre os dois grupos (p= 0,301).
Ao se analisar isoladamente o grupo não tratado com MMC, observa-se uma diferença significativa entre os tempos hora zero e 12 (p<0,001), entre os tempos hora zero e 24 (p<0,001) e entre os tempos hora 12 e 24 (p<0,001). Este padrão se mantém para o grupo tratado com MMC, no qual existe uma diferença significativa entre os tempos hora zero e 12 (p<0,001), entre os tempos hora zero e 24 (p<0,001) e entre os tempos hora 12 e 24 (p< 0,001). Como demonstrado nas Figuras de 2 a 5, o método utilizado na avaliação histopatológica mostrou-se claramente favorável à detecção de eosinófilos em apoptose.








DISCUSSÃO
A coloração por HE nos permite uma boa identificação dos eosinófilos e das mudanças histopatológicas relacionadas à apoptose. Como apresentado nas Figuras de 2 a 5, observam-se claramente a perda do contato celular, a contração citoplasmática e nuclear, além da coalescência e extrusão nucleares. Foram detectados numerosos corpos apoptóticos (extrusão citoplasmática e/ou nuclear) em cortes de 12 horas com MMC e de 24 horas, com ou sem aplicação da droga. Esse resultado demonstra que o método utilizado foi claramente favorável ao estudo histopatológico desse tipo de lesão tecidual.27
A apoptose ou morte celular programada é um processo regulador da resposta inflamatória. Acredita-se que na PNS eosinofílica a inibição da apoptose determinaria retardo na remoção tecidual dos eosinófilos, os quais permaneceriam ativados, prolongando a eosinofilia e os danos teciduais.6,8
Trabalhos mostram que altos níveis de IL-5 e GM-CSF inibem o processo apoptótico. Trabalhos de Davidsson, Anderson e Hellquist (2000)13 demonstraram que os eosinófilos, quando ativados nas PNS eosinofílicas, apresentam o antígeno Fas ativado como primeiro sinal da cascata apoptótica. Dessa forma, a apoptose deveria ser continuamente inibida pela produção de proteínas. Dibbert et al. (1998)12 mostraram que a IL-5 e o GM-CSF estimulavam o gene Bcl-xL, anti-apoptótico. Por outro lado, a função do gene BAX, pró-apoptótico, não se altera diante destas citocinas.
Cox (1995)11 e Meagher et al. (1996)5, utilizando corticosteróides, concluíram que a inibição da apoptose ocorreria pela produção de proteínas específicas e não pela ação direta do GM-CSF. Uma prova da necessidade de produção de proteínas para a inibição da apoptose foi dada por Whyte, Meagher e Haslett (1991)16, que utilizaram cicloheximidina e actinomicina-d para induzirem apoptose em eosinófilos e neutrófilos.
A MMC é um agente antiblástico alquilante capaz de inibir a síntese de DNA17 e induzir apoptose em células de tumores gástricos.18 Kim et al. (1999)20 observaram que a MMC (0,4 mg/ml por cinco minutos) induziu, in vitro, a apoptose de fibroblastos humanos da cápsula de Tenon.
A MMC tem sido largamente utilizada na prevenção de processos cicatriciais em diversas áreas da medicina.22Uma simples aplicação de MMC, por cinco minutos, a uma concentração de 0,4 mg/ml é capaz de inibir a proliferação de uma cultura de fibroblastos por 35 dias.19 Jang, Song e Pack (2003)24 estudaram a ação da MMC na concentração de 400µg/ml sobre cultura de fibroblastos de membrana timpânica, concluindo que existe diferença estatisticamente significativa na inibição da proliferação em relação ao grupo controle. Tais estudos dão suporte ao emprego da MMC na concentração de 0,4 mg/ml na presente pesquisa.
A análise do IA não mostrou diferença significativa no tempo zero para os grupos tratados ou não com MMC (p= 0,189). Em 12 horas houve diferença estatisticamente significativa entre os grupos (p< 0,001). Este resultado reforça a ação da MMC como agente alquilante, inibindo a produção de proteínas e liberando a cascata apoptótica, o que determina alterações morfológicas e morte celular. Essas alterações foram claramente detectadas pelo método histopatológico.
Na hora 24 não houve diferença significativa entre os dois grupos, com valor de p= 0,301. Esse fato decorre do elevado IA presente nos dois grupos. No grupo não tratado com MMC, o IA aumentou progressiva e lentamente, ao contrário do grupo tratado com MMC, no qual houve uma progressão rápida do IA nas primeiras 12 horas.
Supõe-se que, como agente alquilante, a MMC bloquearia a produção de proteínas nas células envolvidas, com suspensão dos mecanismos anti-apoptóticos e liberação dos mecanismos pró-apoptóticos induzidos na ativação dos eosinófilos13, mas mantidos em contínuo bloqueio pela ação de citocinas como GM-CSF e IL-5.16 Sendo assim, após a aplicação de MMC, teríamos níveis teciduais de GM-CSF mais baixos, inibindo a ativação de novos eosinófilos e liberando a cascata de apoptose nos eosinófilos atingidos pela droga.5,7,12
Observou-se, nas culturas em 24 horas do grupo não tratado com MMC, uma alta porcentagem de eosinófilos em apoptose, igualando-se ao grupo de 24 horas tratado com MMC. Tal fato se deve provavelmente à ausência de fatores de estimulação.

CONCLUSÕES
Os dados do presente estudo demostraram que a mitomicina C foi capaz de determinar o aumento do índice apoptótico em culturas de estromas de PNS eosinofílica.

AGRADECIMENTOS
Este trabalho só foi possível graças à cooperação de várias pessoas e serviços, propiciando a abertura de um novo campo de estudo em nosso Departamento.
Ao Prof. José Renan da Cunha Melo, por ter me apoiado e permitido livre acesso ao seu laboratório no início de minha pesquisa.
A Edilene Matias do Amaral, pelo grande empenho e dedicação no trabalho de laboratório, com agradecimentos extensíveis ao André Macedo Vale e a Eliane Perlatto Moura.
À CAPES pelo apoio e incentivo à pesquisa.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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23. Becker CG, Silva AL, Guimarães RES, Becker HM, Barra IM, Oliveira WD. Tratamento cirúrgico da otite media com efusão: tubo de ventilação versus aplicação tópica de mitomicina C. Rev Bras Otorrinolaringol jul/ago. 2003; 69 (4) 513-9.         [ Links ]
24. Jang CH, Song CH, Pak SC. Effect of exposure to mitomycin c on cultured tympanic membrane fibroblasts. Int J Pediatr Otorhinolaryngol Feb. 2003; 67 (2): 173-6.         [ Links ]
25. Ingels K, Durez JP, Cuvelier C, Cauwenberge PV. Nasal biopsy is superior to nasal smear for finding eosinophils in nonallergic rhinits. Allergy Mar. 1997; 52 (3): 338-41.         [ Links ]
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28. Snedecor GW and Cochran WG. Statistical Methods, AMES: Iowa State University Press; 1977.        [ Links ]


 Endereço para correspondência
Dr. Paulo Fernando Tormin Borges Crosara
Rua Bernardo Guimarães 2053 ap.1602
Lourdes Belo Horizonte MG 30140-082
Telfax (0xx31) 3281-4604
E-mail: pcrosara@hotmail.com

domingo, 8 de junho de 2014

Esquistossomose mansônica em vesícula seminal



Schistosomiasis mansoni in the seminal vesicle


Eduardo José Andrade LopesI; Carlos Eduardo R. de AlmeidaII; Modesto JacobinoIII
IDisciplina de Urologia II, Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia, Salvador, BA
IICurso de Graduação, Universidade Federal da Bahia, Salvador, BA
IIIDisciplina de Urologia II e Vice-Diretor, Faculdade de Medicina, Universidade Federal da Bahia, Salvador, BA



RESUMO
Em regiões endêmicas, a esquistossomose mansônica é responsável por uma alta taxa de morbimortalidade por doenças associadas à infestação do sistema hepático. O acometimento genital pela schistosomiasis mansoni é raro. Nós relatamos o primeiro caso de esquistossomose mansônica em vesícula seminal diagnosticado, incidentalmente, pelo exame histopatológico da próstata e vesículas seminais removidos cirurgicamente.
Palavras-chaves: Esquistossomose mansônica. Câncer de próstata. Vesícula seminal. Prostatectomia radical.

ABSTRACT
In endemic regions, Mansoni schistosomiasis is responsible for high morbidity-mortality rates due to diseases associated with infestation of the hepatic system. Genital involvement caused by Mansoni schistosomiasis is rare. We report the first case of Mansoni schistosomiasis in the seminal vesicle, which was diagnosed incidentally by means of histopathological study of the prostate and seminal vesicles after surgical removal.
Key-words: Mansoni schistosomiasis. Prostate cancer. Seminal vesicle. Radical prostatectomy.



A esquistossomose é uma das doenças tropicais mais abrangentes do mundo. Estima-se que 200 a 300 milhões de pessoas estejam infectadas¹. A espécie Schistosoma mansoni é endêmica em nosso meio, entretanto, a sua forma genital tem sido raramente relatada. Apenas três relatos de caso envolvendo a próstata foram publicados1 2 4, mas nenhum a vesícula seminal. Os autores apresentam um caso de esquistossomose mansônica acometendo a vesícula seminal, diagnosticado incidentalmente em um paciente operado de câncer de próstata.

RELATO DE CASO
O paciente de 62 anos, natural e procedente de Coração de Maria, Bahia, Brasil, vinha sendo submetido à avaliação periódica de próstata, quando apresentou uma elevação no antígeno específico de próstata (PSA). Realizou-se, então, uma biópsia prostática guiada pela ultra-sonografia e diagnosticou-se adenocarcinoma de próstata. O paciente foi submetido a uma prostatectomia radical com retirada de toda a próstata com sua cápsula, vesículas seminais, deferentes e linfonodos. O exame histopatológico confirmou o diagnóstico de adenocarcinoma de próstata (Gleason 3+3) e identificou ovos inviáveis de schistosoma mansoni na vesícula seminal.
Todas as secções da vesícula seminal revelaram, em meio ao estroma fibromuscular, ovos calcificados deschistosoma mansoni, caracterizados pela presença de espícula lateral, sem evidência de fibrose ou formação de granuloma (Figuras 1, 2 e 3).






DISCUSSÃO
O acometimento da próstata e da vesícula seminal pela espécie haematobium é um achado freqüente em países africanos como a Zâmbia e o Egito6 7. Na Zâmbia, em 50 necrópsias de pacientes que foram a óbito por diversas causas, foram encontrados 62% das bexigas, 58% das vesículas seminais e 50% das próstatas infectados por ovos de schistosoma haematobium. A prevalência elevada (50%) de infestação da próstata por ovos deschistosoma haematobium é um dado a ser considerado em futuros estudos em pacientes com hematoespermia, infertilidade e câncer de próstata. Em nossa pesquisa1 2 5, encontramos apenas três casos de infestação da próstata pela espécie schistosoma mansoni, e nenhum envolvimento das vesículas seminais.
Existem dados suficientes para se suspeitar que o schistosoma haematobium, agente etiológico predominante na esquistossomose urinária, é carcinogênico para humanos e predispõe ao aparecimento do carcinoma de células escamosas da bexiga, um tipo de câncer vesical relativamente incomum em regiões não-endêmicas. Porém, ainda não existem evidências suficientes que demonstrem associação entre schistosoma mansoni e neoplasias, sejam da bexiga, próstata ou vesículas seminais8. Ainda não sabemos se essa ou aquela espécie tem alguma associação com o câncer da próstata. Uma questionável associação entre esquistossomose e câncer de próstata, embora pouco provável, ainda não foi devidamente pesquisada. Alguns estudos sugerem que a esquistossomose genital pode estar associada a uma maior taxa de infectividade pelo HIV, principalmente em sua forma genital3 5.
Portanto, relatamos aqui, o primeiro caso de envolvimento das vesículas seminais pelo schistosoma mansoni e chamamos a atenção para a alta incidência do envolvimento genital pela espécie haematobium na África. Cumpre realizar estudos bem conduzidos em regiões endêmicas para avaliar a associação entre esquistossomose mansônica genital e infertilidade, hemospermia e câncer de próstata.

REFERÊNCIAS
1. Alexis R, Domingo J. Schistosomiasis and adenocarcinoma of prostate: a morphologic study. Human Pathology 17:757-760, 1986.        [ Links ]
2. Basílio-de-Oliveira CA, Aquino A, Simon EF, Walter A, Eyer-Silva WA. Concomitant prostatic schistosomiasis and adenocarcinoma: case report and review. Brazilian Journal of Infectious Diseases 6:45-49, 2002.        [ Links ]
3. Kjetland EF, Ndhlovu PD, Gomo E, Mduluza T, Midzi NGL, Mason PR, Sandvik L, Friis H, Gundersen SG. Association between genital schistosomiasis and HIV in rural Zimbabwean women. AIDS 20:593-600, 2006        [ Links ]
4. Lambertucci JR, Voieta I, Barbosa AJA. Schistosomiasis mansoni of the prostate. Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical 39:233-234, 2006.        [ Links ]
5. Lawn SD. AIDS in Africa: the impact of coinfections on the pathogenesis of HIV-1 infection. The Journal of Infection 48:1-12, 2004.        [ Links ]
6. Patil PS, Elem B. Schistosomiasis of the prostate and the seminal vesicles: observations in Zambia. The Journal of Tropical Medicine and Hygiene 91:245-248, 1988.        [ Links ]
7. Smith JH, Kamel IA, Elwi A, von Lichtenberg F. A quantitative post mortem analysis of urinary schistosomiasis in Egypt. I. Pathology and Pathogenesis. The American Journal of Tropical Medicine and Hygiene 23:1054-1071, 1974.        [ Links ]
8. Yosry A. Schistosomiasis and neoplasia. Contribution Microbiology 13: 81-100, 2006.        [ Links ]


 Endereço para correspondência:
Dr. Eduardo José Andrade Lopes
Rua Altino Seberto de Barros 241, salas 405/406
41850-010 Salvador, BA, Brasil
Telefax: 55 71 3351-7424
e-mail: ejalopes@terra.com.br ; http://www.eduardolopes.med.br

domingo, 13 de abril de 2014

Esquistossomose mansônica em vesícula seminal



Schistosomiasis mansoni in the seminal vesicle


Eduardo José Andrade LopesI; Carlos Eduardo R. de AlmeidaII; Modesto JacobinoIII
IDisciplina de Urologia II, Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia, Salvador, BA
IICurso de Graduação, Universidade Federal da Bahia, Salvador, BA
IIIDisciplina de Urologia II e Vice-Diretor, Faculdade de Medicina, Universidade Federal da Bahia, Salvador, BA



RESUMO
Em regiões endêmicas, a esquistossomose mansônica é responsável por uma alta taxa de morbimortalidade por doenças associadas à infestação do sistema hepático. O acometimento genital pela schistosomiasis mansoni é raro. Nós relatamos o primeiro caso de esquistossomose mansônica em vesícula seminal diagnosticado, incidentalmente, pelo exame histopatológico da próstata e vesículas seminais removidos cirurgicamente.
Palavras-chaves: Esquistossomose mansônica. Câncer de próstata. Vesícula seminal. Prostatectomia radical.

ABSTRACT
In endemic regions, Mansoni schistosomiasis is responsible for high morbidity-mortality rates due to diseases associated with infestation of the hepatic system. Genital involvement caused by Mansoni schistosomiasis is rare. We report the first case of Mansoni schistosomiasis in the seminal vesicle, which was diagnosed incidentally by means of histopathological study of the prostate and seminal vesicles after surgical removal.
Key-words: Mansoni schistosomiasis. Prostate cancer. Seminal vesicle. Radical prostatectomy.



A esquistossomose é uma das doenças tropicais mais abrangentes do mundo. Estima-se que 200 a 300 milhões de pessoas estejam infectadas¹. A espécie Schistosoma mansoni é endêmica em nosso meio, entretanto, a sua forma genital tem sido raramente relatada. Apenas três relatos de caso envolvendo a próstata foram publicados1 2 4, mas nenhum a vesícula seminal. Os autores apresentam um caso de esquistossomose mansônica acometendo a vesícula seminal, diagnosticado incidentalmente em um paciente operado de câncer de próstata.

RELATO DE CASO
O paciente de 62 anos, natural e procedente de Coração de Maria, Bahia, Brasil, vinha sendo submetido à avaliação periódica de próstata, quando apresentou uma elevação no antígeno específico de próstata (PSA). Realizou-se, então, uma biópsia prostática guiada pela ultra-sonografia e diagnosticou-se adenocarcinoma de próstata. O paciente foi submetido a uma prostatectomia radical com retirada de toda a próstata com sua cápsula, vesículas seminais, deferentes e linfonodos. O exame histopatológico confirmou o diagnóstico de adenocarcinoma de próstata (Gleason 3+3) e identificou ovos inviáveis de schistosoma mansoni na vesícula seminal.
Todas as secções da vesícula seminal revelaram, em meio ao estroma fibromuscular, ovos calcificados deschistosoma mansoni, caracterizados pela presença de espícula lateral, sem evidência de fibrose ou formação de granuloma (Figuras 1, 2 e 3).






DISCUSSÃO
O acometimento da próstata e da vesícula seminal pela espécie haematobium é um achado freqüente em países africanos como a Zâmbia e o Egito6 7. Na Zâmbia, em 50 necrópsias de pacientes que foram a óbito por diversas causas, foram encontrados 62% das bexigas, 58% das vesículas seminais e 50% das próstatas infectados por ovos de schistosoma haematobium. A prevalência elevada (50%) de infestação da próstata por ovos deschistosoma haematobium é um dado a ser considerado em futuros estudos em pacientes com hematoespermia, infertilidade e câncer de próstata. Em nossa pesquisa1 2 5, encontramos apenas três casos de infestação da próstata pela espécie schistosoma mansoni, e nenhum envolvimento das vesículas seminais.
Existem dados suficientes para se suspeitar que o schistosoma haematobium, agente etiológico predominante na esquistossomose urinária, é carcinogênico para humanos e predispõe ao aparecimento do carcinoma de células escamosas da bexiga, um tipo de câncer vesical relativamente incomum em regiões não-endêmicas. Porém, ainda não existem evidências suficientes que demonstrem associação entre schistosoma mansoni e neoplasias, sejam da bexiga, próstata ou vesículas seminais8. Ainda não sabemos se essa ou aquela espécie tem alguma associação com o câncer da próstata. Uma questionável associação entre esquistossomose e câncer de próstata, embora pouco provável, ainda não foi devidamente pesquisada. Alguns estudos sugerem que a esquistossomose genital pode estar associada a uma maior taxa de infectividade pelo HIV, principalmente em sua forma genital3 5.
Portanto, relatamos aqui, o primeiro caso de envolvimento das vesículas seminais pelo schistosoma mansoni e chamamos a atenção para a alta incidência do envolvimento genital pela espécie haematobium na África. Cumpre realizar estudos bem conduzidos em regiões endêmicas para avaliar a associação entre esquistossomose mansônica genital e infertilidade, hemospermia e câncer de próstata.

REFERÊNCIAS
1. Alexis R, Domingo J. Schistosomiasis and adenocarcinoma of prostate: a morphologic study. Human Pathology 17:757-760, 1986.        [ Links ]
2. Basílio-de-Oliveira CA, Aquino A, Simon EF, Walter A, Eyer-Silva WA. Concomitant prostatic schistosomiasis and adenocarcinoma: case report and review. Brazilian Journal of Infectious Diseases 6:45-49, 2002.        [ Links ]
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7. Smith JH, Kamel IA, Elwi A, von Lichtenberg F. A quantitative post mortem analysis of urinary schistosomiasis in Egypt. I. Pathology and Pathogenesis. The American Journal of Tropical Medicine and Hygiene 23:1054-1071, 1974.        [ Links ]
8. Yosry A. Schistosomiasis and neoplasia. Contribution Microbiology 13: 81-100, 2006.        [ Links ]


 Endereço para correspondência:
Dr. Eduardo José Andrade Lopes
Rua Altino Seberto de Barros 241, salas 405/406
41850-010 Salvador, BA, Brasil
Telefax: 55 71 3351-7424
e-mail: ejalopes@terra.com.br ; http://www.eduardolopes.med.br
Recebido para publicação em 14/12/2006
Aceito em 27/4/2007