quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Conheça os segredos da fabricação de um bom perfume

 As flores são selecionadas e colhidas manualmente no processo de enfleurage, uma das técnicas usadas para extrair o óleo essencial para um perfume.
Perfumes são mais do que uma simples composição de aromas, são quase como que poções mágicas que nos conquistam e reavivam nossas memórias. Mas, ao comprar um vidro de perfume para uso pessoal ou para presentear alguém, muitas pessoas nem imaginam o processo pelo o qual o produto passa até chegar às prateleiras das lojas. Para matar essa curiosidade e mostrar como é a fabricação deste produto tão apreciado, visitamos a fábrica de O Boticário, em São José dos Pinhais, e conta agora alguns detalhes. 

Na fábrica, são produzidos perfumes com uma grande variedade de fragrâncias. Cada perfume é fruto de um processo longo e delicado, que começa com uma ideia inicial, desenvolvida pelo departamento de Marketing, com base nas pesquisas de tendências de mercado e nas preferências do consumidor, e termina com a escolha do frasco e definição da campanha publicitária. 

A gerente de perfumaria de O Boticário, Marselha Tinelli, explica que a área de Marketing é quem dá o primeiro passo, analisando as oportunidades para um novo produto. “A partir de então, é solicitado o desenvolvimento de uma fragrância exclusiva para o conceito que desejamos lançar”, afirma Marselha. Após a elaboração do conceito, o departamento de Marketing passa a demanda aos perfumistas da empresa. Em seguida, esses profissionais, em parceria com casas de fragrância nacionais e internacionais, fazem vários testes até chegarem à fórmula final, que deve ser aprovada pela equipe de especialistas da fábrica. Trabalho minucioso que pode levar de três meses até dois anos, dependendo do perfume.
Divulgação
No método enfleurage, depois de desabrocharem, as flores ficam em contato com uma gordura vegetal, que fica impregnada com seu cheiro depois.
Produção

A produção de um perfume envolve uma combinação de fragrâncias, água, álcool e algum corante, se necessário. Para alcançar o cheiro desejado, os perfumistas utilizam fragrâncias que são compostas por óleos essenciais (são eles que dão as características específicas de cada fragrância). Esses óleos podem ter origem natural, sendo extraídos de flores, folhas, frutos, sementes e raízes das plantas ou serem obtidos de forma sintética, com a reprodução em laboratório dos cheiros mais difíceis de serem conseguidos, seja pela preservação de plantas raras ou pelo alto custo e dificuldade de extração.

Para obter o óleo essencial de uma flor ou planta, podem ser usados alguns métodos como a expressão ou prensagem (muito usado em cascas de frutos cítricos, esta técnica “aperta” a matéria prima para extrair o óleo), a destilação (extrai o óleo com o uso de vapor da água), a extração por solventes voláteis (as plantas submetidas a um processo químico) e o enfleurage (método que expõe a uma gordura, as flores sensíveis ao calor).

Substâncias naturais ou cheiros de ambientes também podem ser reproduzidos em laboratório, com a ajuda de modernas técnicas, como a headspace, que utiliza um aparelho que capta fielmente o cheiro, para que ele vire uma fórmula e possa ser reproduzido em laboratório. De acordo com coordenador do Núcleo de Avaliação de Fragrâncias de O Boticário, César Veiga, também é possível aumentar ainda mais a paleta de opções de cheiros “criando os chamados químicos sintéticos aromáticos, como os aldeídos e musks, responsáveis pelo cheiro de roupa limpa”.
Divulgação
Lançamento para o Dia das Mães, o perfume Lady Lily (R$ 160, 75 ml) foi produzido por meio desse processo artesanal, com lírios.
Utilizando o método enfleurage
Enleurage é um processo artesanal que obtém o aroma de flores delicadas como lírios e jasmim, com a utilização de gorduras vegetais, que, em contato com as pétalas das flores, captam seu cheiro. Esta técnica foi muito utilizada pelos perfumistas franceses até o início do século 20, mas teve a produção industrial abandonada em 2002 - este processo é até retratado no filme O Perfume (2006). 

No enfleurage, as flores são selecionadas e colhidas manualmente, ficando preservadas com o caule na água até que estejam abertas, no ponto em mais exalam seu perfume. Neste momento, elas são colocadas em bandejas que estão cobertas por uma gordura, hoje vegetal, mas que antigamente era uma mistura de gorduras bovinas e suínas. 

Com o passar dos dias, esta gordura fica impregnada com o aroma da flor. Neste ponto, a gordura é lavada em álcool e o resultado final é o absoluto do lírio, o puro e concentrado óleo essencial da flor. No Brasil, este método de extração foi resgatado em 2006 pelo O Boticário para a produção do primeiro eua de parfum da marca, o feminino Lily Essence. Lançado em comemoração ao Dia das Mães, o floral bouquet Lady Lily também é produzido com a delicadeza do processo enfleurage.

* A repórter visitou a fábrica do Boticário a convite da marca.

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Nova foto “Nascer da Terra” da NASA é simplesmente deslumbrante

foto terra nasa
A agência especial norte-americana, NASA, divulgou uma nova imagem espetacular da Terra que parece uma junção de duas fotografias famosas já tiradas do nosso planeta.
  • Capturado pelo Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO), o registro mostra uma Terra iluminada pelo sol acima de uma paisagem lunar.
  • foto terra nasa
  • Ele foi criado a partir de uma série de fotografias que o LRO fez em 12 de outubro, quando a sonda estava cerca de 134 quilômetros acima da Cratera Compton da lua.

Blue Marble + Earthrise

“A imagem é simplesmente impressionante”, disse Noah Petro, cientista do projeto LRO. “A imagem evoca a famosa ‘Blue Marble’ feita pelo astronauta Harrison Schmitt durante a missão Apollo 17, 43 anos atrás, que também mostrou a África proeminente na figura”.
Blue Marble
Blue Marble
Blue Marble
Além disso, parece uma combinação com outra foto anterior, a “Earthrise” (ou “Nascer da Terra”), feita pela tripulação do Apollo 8 – a primeira a deixar a órbita do planeta – ao redor da lua em 24 de dezembro de 1968.
Earthrise
Earthrise
Earthrise

Importância tremenda

Earthrise foi creditada com despertar a versão moderna do movimento ambientalista, segundo o ex-vice-presidente dos Estados Unidos, Al Gore.
  • “No prazo de 18 meses desta imagem ser vista aqui na Terra, o primeiro Dia da Terra foi organizado”, afirmou. “O Clean Air Act, o Clean Water Act, a Lei Nacional de Política Ambiental [dos EUA] e os seus homólogos em muitos outros países vieram no rescaldo da conscientização que acompanhou esse quadro”.
  • A foto de 1968 não foi a primeira “Earthrise”, no entanto; essa distinção vai para uma imagem tirada pelo Lunar Orbiter 1 da NASA em 1966. Mas por estar em preto-e-branco, a representação não teve o mesmo impacto dramático e duradouro na sociedade. [Space]

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Guia sobre distúrbios do Sono

O que é Distúrbio do sono?

Distúrbios do sono consistem nas dificuldades relacionadas ao sono. O sono tem quatro fases, e cada uma delas é responsável por uma atividade diferente. Dificuldades em qualquer uma das fases do sono pode trazer prejuízos a curto e longo prazo.
Entenda como funciona cada fase do sono:
  • Fase 1: Abrange 10% da noite. Nesta fase, ocorre a transição entre a vigília e o sono. Quando escurece, ocorre a liberação da melatonina no organismo, que induz a sonolência
  • Fase 2: Abrange 45% da noite. Na fase 2, diminuem os ritmos cardíaco e respiratório, os músculos relaxam e a temperatura corporal baixa. É a fase do sonho leve
  • Fase 3: Abrange 25% da noite. O corpo funciona mais lentamente e o metabolismo cai. O coração passa a bater em ritmo mais lento e a respiração também fica mais leve
  • Fase REM: Abrange 20% da noite. Esta é a fase do sono profundo. REM, em inglês, significa “Rapid Eye Movement” (movimento rápido dos olhos). É nesta fase em que ocorrem os sonhos, a pessoa tem descargas de adrenalina e há picos de batimentos cardíacos e pressão arterial.
Durante as três primeiras fases do sono, o corpo economiza energias, promove a restauração de tecidos, o aumento da massa muscular e libera o hormônio de crescimento. Já na fase REM, há a consolidação da memória e do aprendizado. Quando a pessoa está dormindo e é acordada, ela volta imediatamente à fase 1 do sono, comprometendo esse processo.

Tipos

Mais de 100 distúrbios do sono e do despertar já foram identificados. Eles podem ser agrupados em quatro categorias principais:
  • Dificuldade de adormecer ou permanecer dormindo
  • Problemas para permanecer acordado
  • Problemas para conseguir manter uma rotina regular de sono
  • Comportamentos incomuns durante o sono.

Dificuldade para adormecer ou permanecer dormindo

A insônia inclui qualquer combinação de dificuldade para adormecer, para permanecer dormindo, falta de sono intermitente e despertar nas primeiras horas da manhã. Os episódios podem aparecer e desaparecer (transitório), durar até duas ou três semanas (curto prazo) ou ter longa duração (crônico).


    Fatores comuns associados à insônia:
    • Doença física
    • Depressão
    • Ansiedade ou estresse
    • Ambiente insatisfatório para o sono (p. ex.: com barulho ou luz excessiva)
    • Cafeína
    • Álcool ou outras drogas
    • Uso de determinados medicamentos
    • Fumo em excesso
    • Desconforto físico
    • Cochilos durante o dia
    • Deitar-se cedo
    • Passar muito tempo acordado na cama.
    Os distúrbios incluem:
    • Insônia psicofisiológica, uma condição em que o estresse causado pela insônia dificulta ainda mais o adormecer
    • Síndrome do atraso da fase do sono: seu relógio interno está constantemente fora de sincronia com as fases de dia e noite "aceitas"
    • Distúrbio do sono com dependência de hipnóticos: insônia que ocorre quando você para de tomar ou desenvolve tolerância a determinados tipos de medicamentos para dormir
    • Distúrbio do sono com dependência de estimulantes: insônia que ocorre quando você para de tomar ou desenvolve dependência a determinados tipos de estimulantes.

    Dificuldade para permanecer acordado

    Os distúrbios de sonolência excessiva são chamados de hipersônia. São eles:
    • Hipersônia idiopática (sonolência excessiva que ocorre sem uma causa identificável)
    • Narcolepsia
    • Apneia do sono central e obstrutiva
    • Distúrbio do movimento periódico dos membros
    • Síndrome das pernas inquietas.

    Problemas para conseguir manter uma rotina regular de sono

    Os problemas também podem ocorrer quando você não mantém uma rotina de sono e despertar consistentes. Isso ocorre durante viagens entre diferentes fuso-horários e com pessoas que trabalham por turnos em escalas alternadas, principalmente quem trabalha à noite.


      Distúrbios de interrupção do sono:
      • Distúrbios da transição sonovigília
      • Síndrome do Jet lag
      • Pessoa que dorme pouco naturalmente (a pessoa dorme menos horas do que o normal, mas não apresenta sinais de doença)
      • Insônia paradoxal (na verdade, a pessoa dorme um número de horas diferente do que ela imagina)
      • Distúrbio do trabalho em turnos.

      Comportamentos que perturbam o sono

      Os comportamentos anormais durante o sono são chamados de parassônia e são muito comuns em crianças. São eles:
      • Terrores noturnos
      • Sonambulismo
      • Distúrbio comportamental do sono REM (um tipo de psicose na qual a pessoa "representa" seus sonhos de uma forma tão violenta que ela pode machucar a pessoa que dorme ao seu lado).

       sintomas

      Sintomas de Distúrbio do sono

      Os sintomas costumam variar muito de um distúrbio para o outro, como dificuldade para adormecer, no caso de insônia, ou comportamentos anormais durante o sono, como levantar da cama e caminhar, no caso de sonambulismo.

       diagnóstico e exames

      Buscando ajuda médica

      Procure assistência médica se estiver com dificuldades relacionadas ao sono. Existe tratamento para distúrbios de sono e médicos especializados neles para ajudar os pacientes.

      Na consulta médica

      Especialistas que podem diagnosticar um distúrbio do sono são:
      • Clínico geral
      • Médico do sono
      Estar preparado para a consulta pode facilitar o diagnóstico e otimizar o tempo. Dessa forma, você já pode chegar à consulta com algumas informações:
      • Uma lista com todos os sintomas e há quanto tempo eles apareceram
      • Histórico médico, incluindo outras condições que o paciente tenha e medicamentos ou suplementos que ele tome com regularidade
      • Se possível, peça para uma pessoa te acompanhar.
      O médico provavelmente fará uma série de perguntas, tais como:
      • Você tem tido problemas para dormir?
      • Você tem tido problemas para permanecer adormecido?
      • Quais outros sintomas você tem apresentado?
      • Você tem sono durante o dia?
      • Você tem problemas para se concentrar?

       tratamento e cuidados

      Medicamentos para Distúrbio do sono

      Os medicamentos mais usados para o tratamento de alguns distúrbios do sono são:
      Somente um médico pode dizer qual o medicamento mais indicado para o seu caso, bem como a dosagem correta e a duração do tratamento. Siga sempre à risca as orientações do seu médico e NUNCA se automedique. Não interrompa o uso do medicamento sem consultar um médico antes e, se tomá-lo mais de uma vez ou em quantidades muito maiores do que a prescrita, siga as instruções na bula.

       fontes e referências

      • Ministério da Saúde
      • Hospital Israelita Albert Einstein
      • Instituto do Sono
      • Academia Brasileira de Neurologia
      • National Sleep Foundation
      • Anxiety Disorders Association of America
      • Distúrbios do sono: saiba o que causa a insônia no idoso e qual o impacto deste problema na saúde

        A insônia no idoso é uma queixa comum, principalmente após os 65 anos de idade. A insônia provoca dificuldade para dormir, fazendo a pessoa se levantar frequentemente durante a noite, acordando muito cedo ou simplesmente se sentindo muito cansado, sem tempo de sono suficiente. A insônia acaba por afetar diretamente as atividades diárias e algumas vezes chega a provocar outros problemas de saúde.
        insônia no idoso
        A insônia no idoso é constante e pode ser  transitória ou crônica. Quando tratamos de uma insônia crônica, a insônia é mais complexa e é geralmente resultado de diversos fatores como desordens físicas ou mentais, como a depressão. Outros fatores que podem contribuir para a insônia no idoso crônica são dificuldades urinárias, doenças articulares, bursites, refluxo gastro-esofágico, dificuldades digestivas com flatulência  e doença pulmonar crônica.
        Outra causa comum de insônia é o uso de alguns medicamentos como corticóides, remédios para perda de peso ou tireóide, descongestionantes nasais, entre outros.
        A insônia não é considerada uma doença, mas sim um sintoma. O seu tratamento através de remédios tem como objetivo aliviar estes sintomas e reconstruir a qualidade de sono do paciente. Por esta razão, o tratamento deve ser temporário para os casos de insônia transitória, podendo durar de 2  a 3 semanas.

        Como tratar a insônia no idoso?

        Os medicamentos mais indicados para idosos são Triazolam e o Lorazepan, por permanecerem menos tempo no organismo e provocarem menos efeitos colaterais. Quando a insônia está relacionada a um caso de depressão, geralmente são usados medicamentos como antidepressivos tricíclicos.
        Um novo medicamento, conhecido por Zopiclone, com uma composição semelhante à benzodiazepinas, tem mostrado resultados positivos em sua capacidade de induzir ao sono, por ser eliminado rapidamente do organismo e por não provocar dependência nos pacientes que aderiram seu uso.
        insônia no idoso
        Em um tratamento de insônia no idoso, é extremamente importante avaliar certas combinações de medicamentos que podem acabar provocar efeitos contrários do desejado, como por exemplo, invés de aliviar os sintomas da insônia provocar uma agitação.
        Para aliviar os sintomas da insônia no idoso, alguns tratamentos sem a utilização de medicamentos podem ser úteis. Algumas mudanças simples dos hábitos do dia a dia, como regular o horário de dormir, diminuir os cochilos durante o dia, evitar ingerir a cafeína e álcool no período da noite antes de dormir, entre outros podem ajudar no combate à insônia.
        Vale salientar que, o uso de medicamentos por conta própria pode além de agravar os sintomas, provocar dependência e danos à sua saúde. Por isso, se a insônia persistir por um longo período, consulte um médico, que indicará o melhor tratamento para você.
         Causas dos distúrbios do sono no idoso
        • Problemas médicos com distúrbios de sono secundários: tanto doenças físicas ou psiquiátricas, quanto problemas decorrentes da idade avançada causam desconforto no indivíduo, podendo alterar o seu sono. Podemos citar, por exemplo, a doença de Parkinson, cujos pacientes reclamam de insônia e sonolência excessiva durante o dia. Essas queixas são decorrentes da perturbação da dor, dificuldades ao deitar-se, movimentar-se na cama e ao levantar, além de pesadelos. Dentro dos distúrbios psiquiátricos podemos citar as depressões e demências, que geralmente associam-se com insônia na velhice.
        • Distúrbios primários do sono: esses distúrbios são comuns no idoso, podemos citar por exemplo a apnéia do sono. Obesidade e ronco são duas características comuns nos indivíduos com apnéia do sono.
                  As pessoas idosas apresentam alterações freqüentes dos ritmos circadianos que são regidos por estímulos externos, tais como a luz, hora das refeições e do dia. Os idosos, por terem maior probabilidade de apresentarem deficiência visual, auditiva e ainda viverem isolados do ambiente social, podem ter uma diminuição na percepção dos estímulos externos, o que leva a uma dessincronização interna. Os pacientes com tais distúrbios reclamam de sonolência em excesso no início da tarde e antecipação do despertar pela manhã, pois o seu ritmo está avançado quando comparado ao relógio biológico padrão. Esse fato explica o porquê dos idosos, com freqüência, irem para cama e acordarem mais cedo.
        • Problemas farmacológicos: a porcentagem estimada de idosos que fazem uso de uma medicação ou mais de uma, ao mesmo tempo, é de 90%. Como efeito colateral do uso de tais medicações, surgem os distúrbios do sono, como a insônia ou sonolência excessiva durante o dia. O aumento da incidência de efeitos colaterais, de medicações, nos idosos; está diretamente relacionada à dose administrada. Além dos hipnóticos, o idoso abusa freqüentemente do álcool. É verdade que o álcool inicialmente promova o sono, porém, em doses maiores excita e intoxica, passando a causar acordares precoces.
        • Problemas psicológicos e sociais: as mudanças no meio social, a falta do que fazer, leva muitos idosos a tirarem uma "soneca" durante o dia. Esses cochilos podem ser interpretados como uma distribuição do tempo total de sono pelo período de 24 horas. Mas, dessincronizam a estrutura do sono grupado, perdendo funções muito nobres, diminuindo a capacidade ao trabalho em geral.
                  O isolamento, o calor excessivo, viver em dificuldades financeiras, além de vários fatores comportamentais relacionados à idade, incluindo redução da atividade física, redução à exposição à luz do dia podem prejudicar o sono do idoso.
        • Aspectos importantes na prescrição de hipnóticos para pacientes idosos: a prescrição de hipnóticos deve se limitar a períodos de estresse significativo, observando a dose específica para o caso. Iniciar com doses pequenas, o tempo de uso do medicamento deve ser limitado, a resposta ao medicamento deve ser revista com base nos efeitos colaterais, ter como propósito o encerramento da medicação após um curto espaço de tempo.
        • Conheça os principais distúrbios do sono infantil e como minimizá-los

          Sinais como olheiras, irritação, choro excessivo, isolamento e agressividade são alguns dos sintomas de uma noite mal dormida

          Sono Kids 2195a
          (Foto: Veja São Paulo)
          Três em cada dez crianças até 12 anos apresentam distúrbios do sono. A frequência é ainda maior em bebês: quatro em cada dez deles não dormem bem. Em casos severos, o mal-estar com o travesseiro compromete o desenvolvimento dos pimpolhos. Afinal, durante a noite, eles assimilam o conhecimento aprendido ao longo do dia e secretam hormônios responsáveis pelo crescimento. Mas, para isso, não basta fechar os olhos. O cérebro precisa entrar em um estado tal que o torne capaz de atingir diversas fases do sono, do cochilinho às mais profundas. Quem apresenta problemas noturnos, como ronco, falta de ar, pernas inquietas, entre outros, pode até não acordar durante a noite, mas tem esse equilíbrio comprometido. “Há casos em que a criança não cresce, não ganha peso e ninguém pergunta como ela dorme”, afirma a neuropediatra Márcia Pradella-Hallinam, coordenadora do setor de pediatria do Instituto do Sono.
          Os sinais mais comuns do problema podem ser sutis, como irritação e choro excessivos, agressividade, desconcentração, isolamento e, se a criança já está na escola, dificuldade de acompanhar o ritmo da classe. Há, porém, indícios mais óbvios, como o surgimento de olheiras. “Muitas vezes, a criança é rotulada como hiperativa, quando, na verdade, a agitação ocorre porque ela está dormindo mal”, diz Márcia. A boa notícia é que parte desses males passa com a idade. Antes disso, a adoção de uma rotina na hora de dormir pode ser a solução. “É necessário ensinar os filhos a gostar de dormir”, afirma o neuropediatra do Hospital Albert Einstein, Saul Cypel, coordenador do Programa de Desenvolvimento Infantil da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal. O médico orienta os pais a criar hábitos encadeados, numa espécie de ritual que antecede o sono. Pode-se dar banho, amamentar, colocar na cama e contar histórias. Nada de televisão. Ela até pode provocar certa sonolência, mas prejudica a qualidade do descanso.
          Movimentos periódicos de membros
          São pequenas contrações dos músculos que fazem com que as pernas e os braços das crianças se contraiam. Com isso, ela se debate durante a noite. Ao contrário do distúrbio das pernas inquietas, as contrações não acontecem durante o dia. O distúrbio, em geral, está ligado à baixa quantidade de ferro no organismo, o que pode ser checado com um exame de sangue e corrigido com a ingestão, por cerca de três meses, de suplemento vitamínico. Se as crises persistirem, também costumam ser indicados remédios semelhantes aos usados para tratar o mal das pernas inquietas, que agem no cérebro para regular a ação muscular.
          Ronco 2195a
          (Foto: Veja São Paulo)
          Ronco
          Uma vez ou outra, quando seu filho está muito cansado ou durante uma gripe, o barulho pode ser normal, mas, se ele ronca de três a quatro vezes por semana, é melhor procurar um otorrinolaringologista especializado em crianças. Em geral, o problema acontece quando há hipertrofia adenoide e amígdala, o que prejudica a passagem do ar. “ Para compensar essa falha, a musculatura das vias aéreas, como o nariz e a garganta, se relaxa”, afirma a neuropediatra Márcia Pradella-Hallinam. Esse processo pode não acordar a criança, mas certamente causa um tremendo mal-estar, aumenta o gasto de energia durante a noite e impede que os pequenos atinjam todos os estágios do sono. Há ainda roncos causados por doenças secundárias (rinite, asma, entre outras). Nesses casos, a orientação é procurar um especialista no mal que deu a origem a ele, como um alergista.
          Sonambulismo 2195a
          (Foto: Veja São Paulo)
          Sonambulismo
          A criança senta-se, sai da cama, anda, fala, abre portas e não reage ao ser chamada. O sonambulismo é um distúrbio comum na fase pré-escolar e escolar e assusta os pais, principalmente porque a criança não se lembra de nada no dia seguinte. O melhor é cuidar da proteção do pequeno para que ele não se machuque durante o evento e conduzi-lo de volta à cama. Como outros problemas ligados ao amadurecimento do cérebro, a tendência é que ele suma logo sem provocar nenhum dano ao sonâmbulo. Mas, se o distúrbio alterar o bem-estar da casa ou comprometer a segurança da criança, deve-se procurar um médico. Nesses casos, costumam-se prescrever remédios da classe dos benzodiazepínicos, que agem nos neurônios, para estabilizar o sono.
          Apneia
          Doença que causa pequenas interrupções da respiração durante a noite, a apneia é mais frequente em crianças que têm o ronco agravado. Isso ocorre porque o problema piora a tal ponto que não há mais espaço nas vias aéreas para o ar passar. Outro fator de risco para o mal é a obesidade. A falha pode não levar ao despertar, mas interrompe o ciclo do sono. Quem sofre de apneia costuma ter olheiras, respirar pela boca, durante o dia, mostrar-se cansado aparentemente sem motivo, ficar desconcentrado e ter alterações de humor. O diagnóstico deve ser feito em um centro especializado em ciência do sono. O tratamento varia de caso para caso, de acordo com a origem da doença.
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          (Foto: Veja São Paulo)
          Pernas inquietas
          Sabe aquela criança que não para de balançar as perninhas nem quando está concentrada lendo um livro? Então, ela faz isso porque sente incômodo nos membros, o que também acontece durante a noite e pode fazer com que demore para pegar no sono — mesmo depois de pequenos despertares antes do amanhecer. O difícil para os pais, no entanto, é descobrir o motivo que faz com que seu filho durma mal. Isso porque ele é quase imperceptível. Exceto se o garoto ou a garota relata uma sensação parecida com a de formigamento. “Tenho bichinhos andando nas pernas, mamãe”, dizem. Quando o transtorno é muito grande e persistente, os neuropediatras costumam indicar os remédios que agem no cérebro regulando os movimentos musculares.
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          (Foto: Veja São Paulo)
          Despertar confuso
          Mais comum em recém-nascidos, esse mal não tem solução e passa logo, à medida que a criança cresce. No berço, o bebê inicia um choro intenso e inconsolável. Os pais pensam, primeiro, que o filhote acordou com problemas, daí o nome da doença. Quando veem que ele ainda está dormindo, acham que se trata de um pesadelo. O que fazer? Nada. O ideal é esperar e observar. Se, por um lado, a crise dura cerca de 15 minutos sob o olhar angustiado dos pais, por outro, pode chegar a mais de duas horas se eles resolvem colocá-lo no colo. “Como o cérebro não aprendeu ainda a passar de uma fase do sono para outra, é como se ficasse encalhado”, explica a neuropediatra Márcia Pradella-Hallinam. “Interferir, porém, costuma prolongar esse estágio”. Com o amadurecimento do sistema nervoso central, os episódios devem desaparecer.
          Bruxismo
          Dentes gastos, dores na face, no pescoço e na cabeça podem ser sintomas de bruxismo. As vítimas desse mal rangem os dentes ou apertam os maxilares um contra o outro enquanto dormem. Em crianças, costuma acontecer em uma fase da vida e desaparece logo, situações em que é considerado normal e não requer preocupação. O problema pode ser desencadeado, por exemplo, durante uma troca de dentes. Se for persistente, porém, o distúrbio pode prejudicar o ciclo do sono e a saúde bucal. Nessas situações, o aconselhável é procurar um ortodontista. Ele avaliará se é necessário adotar o uso de placas de acrílico ou aparelhos que protegem a arcada e relaxam a boca.
          Insônia
          Sim, criança tem insônia, mas, na maioria dos casos, ela está associada a hábitos inadequados e à falta de disciplina antes de dormir. Ocorre principalmente entre os bebês que se acostumam a depender de um adulto para dormir. São aquelas crianças, por exemplo, que só pegam no sono se forem embaladas no colo ou durante a amamentação. Também é comum em pimpolhos mais velhos que não têm hora para ir para a cama ou ficam até tarde em frente ao computador, ao videogame e à televisão. Reverter o problema não exige grandes esforços da medicina, mas requer rigor dos pais. É necessário adotar religiosamente uma rotina saudável durante a noite. Estabelecer horários fixos para pegar no sono e, antes disso, praticar atividades que acalmam, como tomar banho, ler histórias e tomar um leite.
          Medo 2195a
          (Foto: Veja São Paulo)
          Terror noturno
          Para os pais, é o distúrbio mais assustador de todos. Comum na idade escolar e em adolescentes, ele aterroriza a casa inteira. Durante a noite, a criança fica agitada e, com os olhos arregalados, grita e chega até a pedir socorro. Mas nada de acordar. No dia seguinte, porém, ela não se lembra do que aconteceu. Os especialistas aconselham que, assim como ocorre com o sonambulismo, o melhor é manter a calma e não provocar o despertar. O mal costuma passar à medida que a criança cresce. Um especialista deve ser procurado se, no dia seguinte, seu filho demonstrar muito cansaço ou se as crises comprometerem o bem-estar familiar. Nessas situações, o médico pode prescrever remédios, como os benzodiazepínicos, que atuam nos neurônios regularizando o sono.

      Distúrbios do sono

      Sleep disorders
      Magda Lahorgue Nunes1


      RESUMO
      ABSTRACT
      Objetivo: o objetivo deste artigo é realizar uma atualização sobre o tema distúrbios do sono na infância.
      Fontes dos dados: foram revisados aspectos normais da ontogênese do sono e o manejo dos distúrbios do sono mais prevalentes na infância. O texto foi baseado em artigos e livros clássicos da literatura e em pesquisa na Medline (publicações dos anos 2000 e 2001), utilizando os termos distúrbios do sono e infância.
      Síntese dos dados: o artigo foi estruturado em tópicos, apresentados de forma descritiva, contendo a definição do distúrbio do sono, idade de risco, características clínicas e manejo terapêutico.
      Conclusões: os distúrbios do sono são queixas bastante freqüentes no consultório pediátrico, e o seu diagnóstico preciso é fundamental para o estabelecimento da terapêutica adequada. Na maioria dos casos, uma boa anamnese é suficiente para o diagnóstico e para assegurar aos pais a benignidade do problema, e o melhor tratamento.
      distúrbios do sono, infância, síndrome da morte súbita do lactente, apnéias.
      Objective: the aim of this article is to review and update the knowledge about sleep disorders in childhood.
      Sources: normal sleep ontogenesis and therapeutics for the most prevalent sleep disorders were reviewed. The text was based on classical articles and books and on Medline (publications from 2000 and 2001) using the key words sleep disorders and childhood. the article was structured on descriptive topics containing definition of the sleep disorder, age, clinical presentation and therapeutics.
      Summary of the findings: sleep disorders are frequent concerns referred in pediatrics outpatient clinics, and a correct diagnosis is the main goal to establish therapeutic procedures.
      Conclusions: In the majority of cases clinical history is sufficient to establish diagnosis and assuring parents of the benign evolution of the symptoms the better treatment.
      sleep disorders, childhood, sudden infant death syndrome, apnea.




      Os distúrbios do sono são queixas bastante freqüentes no consultório pediátrico. Entretanto, na maioria dos casos, uma boa anamnese é suficiente para o diagnóstico e para assegurar aos pais a benignidade do problema e o melhor tratamento (1-3). A maioria dos distúrbios do sono pode ocorrer tanto em adultos como em crianças, o que difere é sua forma de apresentação. Considera-se que, possivelmente, somente as cólicas e a síndrome da morte súbita do lactente (SMSL) são distúrbios do sono exclusivos da infância (2), os demais podem ocorrer em qualquer idade, apesar de alguns predominarem na infância. Os objetivos deste artigo são os de ilustrar aspectos normais da ontogênese do sono, já que, em alguns casos, o conhecimento dos padrões normais de sono orientam a terapêutica dos distúrbios do sono, e revisar o manejo terapêutico dos distúrbios do sono mais prevalentes na infância.
      Os ritmos circadianos já estão estabelecidos desde o período perinatal. O recém-nascido (RN) apresenta seu padrão de sono dentro de ritmo ultradiano (< 24horas), e, só após o período neonatal, o sono passa a apresentar ritmo circadiano (equivalente a 24 horas).
      Ao nascimento, o RN apresenta períodos de 3-4 horas de sono contínuo, intercalados por mais ou menos uma hora de despertar. Esse ritmo ocorre de forma contínua durante o dia e a noite. No período neonatal, a alternância dos estágios do sono tem duração de 50-60 minutos, o ciclo inicia em sono REM e, quanto mais prematuro for o RN, maior a duração do tempo em sono REM. Durante o primeiro mês de vida, inicia a adaptação do ciclo sono-vigília ao ciclo noite-dia. No final do primeiro mês de vida, os períodos de sono noturno passam a ser mais longos.
      Modificações estruturais importantes na arquitetura do sono iniciam durante o terceiro mês de vida, o sono passa a iniciar na fase NREM, e até o sexto mês de vida, 90% dos lactentes já devem ter efetuado esta troca. Nessa idade, o mais longo período de sono ininterrupto geralmente não ultrapassa 200 minutos.
      Aos seis meses, o período mais longo de sono ininterrupto não ultrapassa seis horas. A noite é dividida em dois períodos contínuos de sono, intercalada por um despertar. Durante o dia, inicia a ocorrer a consolidação da vigília, mas ainda interrompida por períodos de sono diurno.
      Entre 9-10 meses, o lactente dorme em média 9-10 horas por noite, e 2-3 horas por dia, dividas em duas sestas.
      Aos 12 meses, deve ocorrer a consolidação do sono noturno, com a permanência de 1-2 sestas diurnas.
      Entre 2-3 anos ocorrem longos períodos de sono noturno (± 10 horas), e uma ou duas sestas diurnas (no meio da manhã e no início da tarde), que não ultrapassam um total de duas horas. Aos três anos geralmente só é necessária a sesta da tarde. Nessa idade, é atingido o percentual adulto de sono REM, devendo este constituir no máximo 25% do tempo total em sono.
      A partir dos cinco anos, o sono noturno já deve estar consolidado, e não ocorrem mais períodos de sono diurno. Entre cinco e dez anos de idade, ocorre diminuição gradativa do tempo total em sono, aproximando-se ao padrão do adulto (± 8 horas).
      Na adolescência, tende a ocorrer uma redução do sono noturno (dormem em média 7 horas), havendo diferença nos dias com atividade escolar e fins-de-semana. O aumento do tempo total em sono nos fins-de-semana reflete uma recuperação da privação de sono ocorrida nos dias letivos.
      A média de sono em 24 horas, o percentual entre sono REM/NREM e o estabelecimento da consistência dos padrões de sono noturno e vigília diurna ocorrem em função do desenvolvimento, e estão descritos na Tabela 1 (3-7).


      Apnéias do lactente - eventos com aparente risco de vida (ALTE)
      A apnéia do lactente é definida como pausa respiratória inexplicada, com duração de 20 ou mais segundos, ou com menor duração, mas associada à bradicardia, cianose, palidez e hipotonia, considerando-se lactente com idade gestacional mínima de 37 semanas. É o termo que vem sendo utilizado para definir lactentes nos quais nenhuma causa específica para o diagnóstico de ALTE foi identificada, isto é, aqueles com ALTE idiopático (8).
      ALTE é a abreviatura utilizada para o termo americano apparent life-threatening event, amplamente utilizada na literatura mundial. Por definição, ALTE é um episódio que aterroriza o observador, e é caracterizado por uma combinação de sinais: apnéia (central ou ocasionalmente obstrutiva), alteração na coloração da pele (geralmente cianose ou palidez, ocasionalmente pletora), alteração no tono muscular (hipotonia importante), choque ou engasgo. Para o observador, parece que a criança vai morrer. Inicialmente, esses episódios eram chamados de quase morte súbita (near miss - SIDS), termo em desuso, pois implica uma relação direta com SMSL, que, na maioria dos casos, não é verdadeira. O termo ALTE refere uma queixa, não é por si só um diagnóstico, e crianças com esse tipo de episódio devem ser amplamente investigadas, no sentido de determinar a etiologia dos mesmos (8). Existem múltiplas causas de ALTE (refluxo gastroesofágico, convulsões, arritmias cardíacas), e em mais ou menos 50% dos casos, é possível determinar a etiologia. Dados de literatura demonstram que, apesar da maioria dos pacientes que evoluem para SMSL nunca apresentaram episódios prévios de ALTE, a maioria dos óbitos por ALTE parece estar associada à SMSL, isto ocorre principalmente nos casos idiopáticos (8).
      Em estudo observacional, descritivo, de 56 pacientes com ALTE, investigados no HSL-PUCRS, observamos que 92% dos pacientes apresentaram o episódio nos primeiros 30 dias de vida. A incidência de ALTE sintomático na população estudada foi elevado, 71%, e as causas mais prevalentes foram refluxo gastroesofágico, seguido de causas neurológicas. Nenhum caso de SMSL foi registrado no seguimento, apesar de quatro crianças terem repetido episódios de ALTE (9).
      O manejo do paciente com episódio recente de ALTE inclui internação hospitalar, para melhor observação, e monitorização cardiorrespiratória. Durante a hospitalização, deve-se observar recorrência, pesquisar evidências físicas ou laboratoriais de hipoxemia ou hipoventilação, tentar identificar a causa do ALTE. A investigação mínima consiste em hemograma, para descartar anemia e processos infecciosos, além de bicarbonato sérico, para descartar acidose metabólica. Exames adicionais devem ser solicitados quando a anamnese e/ou o exame físico indicarem necessidade (8).
      A terapêutica do paciente com ALTE baseia-se em dois aspectos, tratamento específico, isto é, tratamento para etiologia do ALTE, e tratamento inespecífico, que consiste na monitorização cardiorrespiratória domiciliar. A monitorização domiciliar está indicada nos casos em que o episódio de ALTE foi severo, requerendo intensa estimulação, e manobras de ressuscitação. Nos casos menos severos, a indicação de monitorização domiciliar é controversa, devendo cada caso ser bem estudado, de forma individual. Geralmente, quando existe história prévia de SMSL na família, ou quando os episódios de ALTE são recorrentes, indica-se monitorização. O uso de metilxantinas (teofilina) como estimulante respiratório tem sua eficácia controversa após o período neonatal (8).
      Síndrome da morte súbita do lactente
      A SMSL é definida como a morte súbita e inesperada de lactente, que permanece inexplicada após extensa investigação, que inclui história clínica, necropsia completa e revisão do local do óbito (10). É considerada a principal causa de mortalidade infantil nos países desenvolvidos. Os fatores de risco maternos e perinatais estão bem estabelecidos na literatura, e hoje, acredita-se que a etiologia deste processo esteja relacionada à imaturidade do mecanismo de despertar, associado a fatores ambientais (posição prona ao dormir) e à idade de risco (entre dois e três meses de vida). Tabagismo durante a gestação e exposição do lactente ao fumo também têm sido considerados fatores de risco (11,12). Em nosso meio, são poucos os dados disponíveis sobre SMSL, exceto por dois estudos realizados no Rio Grande do Sul, onde foi observada prevalência de 6,3% dos óbitos no primeiro ano de vida, em Porto Alegre, e 4% em Pelotas(13,14). Os fatores de risco para SMSL em nosso meio estão intimamente relacionados a fatores maternos, tais como idade inferior a 20 anos e tabagismo. A posição prona ao dormir não parece ser fator de risco relevante, pois a maioria dos lactentes dorme preferencialmente em decúbito lateral (15,16). O melhor tratamento para a SMSL é a prevenção direcionada aos fatores de risco. Deve-se evitar o fumo durante a gestação e no domicílio, com crianças menores de um ano, melhorar cuidados perinatais e planejamento familiar, evitar posição prona ao dormir, evitar manter o lactente extremamente aquecido durante o sono, com o uso de muitos cobertores ou camadas de roupa que impeçam sua livre movimentação, ou que cubram sua cabeça.
      Insônia
      A dificuldade de iniciar ou manter o sono apresenta características diversas durante o desenvolvimento, podendo ocorrer tanto em crianças hígidas como secundariamente a diversas doenças, que serão abordadas nos tópicos a seguir.
      A queixa de insônia ou recusa de iniciar o sono é geralmente trazida de forma dramática pelos pais, que sempre dão maior ênfase à pior noite, e não à rotina das noites. É fundamental para o diagnóstico estabelecer como é a rotina da criança dentro das 24 horas, incluindo todas as atividades e intervenções dos pais ou, se for o caso, da babá. O pediatra deve estar atento para não superestimar a queixa dos pais, pois isso geralmente resulta em exames e medicações desnecessárias (1,17).
      As causas mais comuns de insônia na infância estão citadas na Tabela 2, em ordem de ocorrência de acordo com cada faixa etária (1,3,17).


      Problemas médicos: geralmente causam insônia de forma aguda, mas por tempo limitado à duração da enfermidade. Entre os problemas físicos, destacam-se as doenças respiratórias, febre, otite, traumatismos, início da dentição, alergia ao leite, refluxo gastroesofágico, entre outros.
      Medo e ansiedade: no lactente a partir dos 10 meses, pode ocorrer a ansiedade da separação; o lactente pode apresentar variados graus de stress ao ser separado da mãe, acarretando em dificuldades para iniciar o sono. Nas crianças entre 2-3 anos é mais comum o medo. O medo de ficar sozinho pode estar associado a filmes ou histórias, ao fato de presenciar brigas entre os pais, ou a qualquer outro evento amedrontador, ou menos freqüentemente, a um problema de deterioro psicossocial da própria criança (17,18). Em adolescentes e pré-adolescentes, a depressão e a ansiedade são causas freqüentes de insônia (19).
      Hábitos e associações: o sono desenvolve-se durante a noite, de forma cíclica, através da alternância dos estágios NREM-REM, breves períodos de despertar parcial ou total podem ocorrer e são normais, nestes casos, a criança deve voltar a dormir espontaneamente. Algumas crianças que necessitam usualmente de diversos estímulos para iniciar o sono, tais como serem embaladas, receber batidas nas costas, ficar no colo dos pais, ao passarem por estes períodos normais de despertar requerem as mesmas medidas indutoras de sono, necessitando do envolvimento dos pais (20). Em recente estudo, comparando qualidade do sono de escolares e pré-escolares que dormem sozinhos ou com os pais, foi observado no último grupo maior número de despertares noturnos (21).
      Alimentação durante a noite: a partir dos 6 meses, excetuando os casos de prematuridade, o lactente não tem mais necessidade de ser alimentado durante a noite. Quando a lactação é mantida, ocorrem mais episódios de despertar, pois esta passa a ser um processo de transição entre vigília e sono, além disso, a fome fica condicionada ao horário noturno.
      Limites: a falta do estabelecimento de limites inicia no momento em que a criança adquire habilidades motoras para sair do berço, e os pais abdicam o controle sobre as atividades noturnas de seus filhos. As causas da falta de limite estão relacionadas, na maioria das vezes, a problemas dos pais, tais como falta de habilidade para estabelecer limites, sentimento de culpa, problemas psicológicos, alcoolismo, depressão materna, stress familiar. A falta de limites pode estar associada também a problemas da criança, como eventual ganho secundário.
      Problemas no estabelecimento do horário de dormir: o diagnóstico da insônia relacionada a problemas no estabelecimento de horários envolve uma boa compreensão dos ritmos normais de sono/vigília nas diferentes idades. Um dos problemas mais freqüentes é o estabelecimento do horário de dormir antes da hora adequada, em período de intensa vigília, o que faz com que a criança permaneça deitada sem sono (porque dentro do seu ritmo interno é cedo para ter sono).
      O manejo da insônia pode ser feito através de várias abordagens que, utilizadas em associação, têm excelentes efeitos complementares. A primeira etapa consiste no diagnóstico da causa da insônia, e isto pode ser realizado através da anamnese e do exame físico. Nos casos necessários, exames complementares podem auxiliar neste diagnóstico. A segunda etapa consiste no tratamento direto ou remoção da causa de insônia. A terceira etapa é a higiene do sono, a quarta e a quinta, geralmente associadas, consistem na abordagem comportamental e terapêutica medicamentosa (22).
      Para estabelecer o diagnóstico, é necessária a coleta de história dirigida ao problema do sono, incluindo relato de como habitualmente a criança dorme, rituais pré-sono, as associações para induzir o sono, e o ritmo sono/vigília nas 24 horas. Após, deve-se coletar dados sobre o distúrbio do sono propriamente dito, tentando caracterizar o seu início e possíveis associações, e sobre o ambiente no qual a criança dorme. O perfil psicossocial atual da família e a história familiar de distúrbios do sono devem ser questionados. O restante da anamnese tradicional e o exame físico completo devem ser realizados, para afastar problemas de saúde que possam estar desencadeando o distúrbio do sono.
      Nos casos de medo e ansiedade, o principal objetivo é identificar a causa e removê-la, seguido de fazer a criança retornar gradativamente a dormir sozinha. Postergar o horário de dormir para o momento em que a criança fica sonolenta também pode resolver este problema.
      Nos casos de hábitos/estimulação para dormir que contam com muito envolvimento direto dos pais, estes devem treinar a criança para dormir diretamente no berço, utilizando seus objetos de transição, diminuindo gradativamente a necessidade da intervenção paterna.
      Quando a insônia está relacionada ao padrão de alimentação noturna, a solução é reduzir gradativamente a oferta de alimentação noturna, de forma a descondicionar este hábito.
      A higiene do sono refere-se ao estabelecimento e manutenção de condições adequadas a um sono saudável e efetivo. Este processo deve iniciar nos primeiros meses de vida, sob orientação do pediatra, e, na maioria das vezes, previne o desenvolvimento de distúrbios do sono. Uma adequada higiene do sono relaciona-se a três aspectos fundamentais: ambiente, horário e atividades prévias ao sono. O ambiente do sono deve ser escurecido, silencioso e com temperatura adequada (evitar excesso de aquecimento). Os horários de dormir e acordar devem ser consistentes e regulares. Os horários de sesta durante o dia devem ser adequados para a idade, e sempre regulares e consistentes. A rotina de atividades antes de dormir deve ser consistente (exemplo: banho, jantar, escovar dentes, colocar pijamas, ir ao banheiro, música calma ou histórias suaves). O método de colocar a criança na cama também deve ser consistente, podendo-se utilizar os chamados objetos de transição - algum brinquedo, boneca, fralda predileta, chupeta, entre outros. Deve-se evitar atividades físicas vigorosas antes de dormir, programas de TV ou histórias que possam atemorizar, e colocar a criança acordada na cama, antes do horário previsto para dormir (3).
      A abordagem comportamental da insônia em crianças tem sido bastante discutida, e diversos estudos foram publicados nos últimos anos tratando estes aspectos (22-26). Após os dois anos de idade, quando é possível estabelecer sistema de recompensas com a criança, esta técnica parece ser bastante efetiva. Entretanto, em lactentes e crianças com até dois anos de idade, sua aplicação e eficácia ainda é controversa. A abordagem comportamental baseia-se na compreensão do distúrbio do sono envolvendo um diagnóstico familiar e da criança (22). As técnicas comportamentais mais utilizadas, suas indicações e suas desvantagens estão indicadas na Tabela 3 (22,26). O estabelecimento de rotinas positivas deve iniciar mais ou menos 20 minutos antes do horário de deitar. Estas rotinas podem ser acompanhadas pelos pais, e o seu tempo deve ser reduzido gradualmente até coincidir com o horário ideal; após a realização das mesmas, a criança deve dormir em sua cama. Na extinção gradual, os pais ignoram o despertar e o choro da criança por períodos de tempo previamente definidos, e que devem aumentar semanalmente. Ao final do período de espera, os pais entram no quarto, tranqüilizam e colocam a criança de volta na cama, deixando o quarto o mais rapidamente possível. Na técnica de extinção ou ignorar sistemático, os pais entram no quarto no início do choro, checam se está tudo bem, trocam fraldas se necessário, não tiram a criança do berço, e saem do quarto ignorando o restante do episódio de choro. Esta técnica também pode ser realizada com um dos pais permanecendo no quarto da criança, mas sem interagir com a mesma. A extinção modificada consiste em ignorar o choro/despertar por 20 minutos, entrar no quarto para checar se existe algum problema real, não interagir com a criança e sair, levando no mínimo mais 20 minutos para entrar novamente no quarto. O despertar programado consiste em acordar a criança previamente ao seu despertar espontâneo, e checar se a mesma está bem, deixando-a dormir novamente espontaneamente.


      A terapêutica medicamentosa da insônia na infância é bastante restrita. Deve ser utilizada sempre em associação com alguma das técnicas comportamentais. Os medicamentos de escolha são os anti-histamínicos e, em casos mais graves, é possível utilizar o hidrato de cloral 10% na dose de 0,4-0,5 ml/kg. O uso de medicações na insônia da infância deve ocorrer sempre de forma temporária, como coadjuvante, nas primeiras três semanas de tratamento (17,22). Em recente estudo, a melatonina, na dose de 5mg/dia, foi eficaz na redução dos sintomas de insônia em crianças com idade entre seis e doze anos (26).
      Enurese noturna
      A enurese noturna é considerada o distúrbio do sono mais prevalente e persistente da infância. O diagnóstico de enurese baseia-se nos seguintes critérios: idade cronológica > 5 anos, e mental > 4 anos; dois ou mais eventos de incontinência em um mês entre cinco e seis anos, ou um ou mais eventos após seis anos; ausência de doenças associadas à incontinência, como diabetes, infecção urinária e crises convulsivas generalizadas (28,29). Apesar da etiologia da enurese não estar claramente definida, acredita-se que a mesma ocorre devido a uma associação de fatores envolvendo falha na liberação de vasopressina durante o sono, instabilidade vesical e inabilidade para despertar secundária à sensação de bexiga cheia (30). O tratamento da enurese é baseado em dois aspectos, medicamentoso e desenvolvimento da habilidade da continência. No tratamento medicamentoso está indicado o uso de imipramina 25-75mg à noite, inicialmente apresenta rápido resultado, mas após suspensão, a taxa de recorrência é alta. Antidiuréticos, como a desmopressina, na dose de 20-40µg intranasal, ao dormir, é outra opção. O treinamento de habilidades apresenta, a longo prazo, resultados superiores ao tratamento medicamentoso, pois focaliza o desenvolvimento da habilidade da continência. As opções não medicamentosas contemplam o uso de monitor de alarme para enurese, exercícios de interrupção do jato urinário e acordar durante o sono, antes do tempo médio de ocorrência da enurese. É fundamental que ocorra um reforço de motivação através de premiações pela contagem dos dias secos, e uma participação direta da criança neste treinamento.
      Parassonias
      As parassonias consistem em fenômenos motores, autonômicos ou experienciais indesejáveis, que ocorrem durante o sono (31,32).
      As parassonias dividem-se em associadas a despertar parcial, ou não associadas a despertar. As parassonias associadas a despertar parcial ou incompleto ocorrem no primeiro terço da noite, em sono NREM, e suas características estão descritas naTabela 4.


      O sonambulismo é caracterizado por comportamento estereotipado e caminhar noturno. Pode ser calmo (o mais comum), ou agitado (associado a caminhar agitado, falar ininteligível, reação agressiva quando constrangidos). Apesar de o sonambulismo não ser propriamente perigoso, é bom lembrar que a criança pode envolver-se em situações perigosas, como sair de casa ou subir em janelas, sacadas.
      O despertar confusional pode ocorrer em lactentes, pré-escolar e escolar. São episódios com duração média entre 5-15 minutos, caracterizados por choro, gritos, agitação motora e confusão, que pioram gradualmente, até cessarem de forma espontânea. A reação piora quando se tenta consolar a criança, além disso, não é possível despertá-la.
      O terror noturno ocorre em crianças maiores e em adolescentes, inicia de forma abrupta, com choro, gritos, olhos abertos, taquicardia, midríase, sudorese, a expressão facial é de medo intenso, a criança pode saltar da cama e correr sem direção. Os episódios são de curta duração (um minuto) e existem sérios riscos da criança se machucar, batendo contra móveis e/ou janelas.
      O tratamento das parassonias envolve o conhecimento dos pais sobre os seus mecanismos básicos e questões básicas de segurança. O pediatra deve assegurar a benignidade dos episódios e reafirmar a sua autolimitação, dentro da faixa etária pediátrica. Ocasionais fatores de stress psicológico podem aumentar a freqüência dos episódios (34). Os pais devem ser orientados a não tentar restringir a atividade motora, pois isto prolonga os eventos. O quarto deve ficar desobstruído, e as janelas firmemente fechadas. Deve-se incentivar a regularidade e os horários de dormir/despertar, evitando privação de sono. O uso de medicações pode ser necessário quando os despertares são muito violentos, e a criança sofre riscos de machucar-se. A escolha recai sobre os benzodiazepínicos, como o clonazepam 0,25 mg antes de deitar. Três a seis semanas de tratamento geralmente são o suficiente para evitar recidivas (31,32).
      A polissonografia somente está indicada se houver suspeita de que algum fator desencadeante, tal como apnéia, refluxo gastroesofágico ou movimentos periódicos de membros possa estar associado aos episódios de despertar. Para diagnóstico diferencial com crises parciais complexas, o EEG em sono na maioria das vezes é suficiente.
      No grupo das parassonias não associadas a despertar, temos as que ocorrem em sono REM (sonilóquio, alucinações hipnagógicas, paralisia do sono), e as que podem ocorrer tanto em REM como NREM (bruxismo). A mais conhecida delas é o sonilóquio (falar noturno). Esta condição é benigna, e não requer nenhum tipo de tratamento. O bruxismo (ranger dentes) tem prevalência variável de 7 a 88%. Quando muito intenso, pode resultar em dano aos dentes e articulação temporo-mandibular. Opções terapêuticas variam desde o uso de dispositivos intra-orais a aparelhos ortodônticos, e até toxina botulínica (para relaxamento muscular) (33).
      Roncos primários e síndrome da apnéia obstrutiva do sono (SAOS)
      O ronco primário na infância caracteriza-se pela presença de ronco noturno não associado à apnéia, hipoxemia ou hipercarbia, geralmente não ocorre distúrbio do sono ou sinais de sonolência diurna. Ao exame, geralmente observa-se hipertrofia de amígdalas e adenóides. Existem vários fatores predisponentes ao ronco que devem ser avaliados na investigação desta queixa, tais como uso de medicamentos narcóticos ou sedativos, síndromes genéticas associadas a malformações craniofaciais, hipotireoidismo, macroglossia, micrognatia, obesidade. A necessidade de terapêutica do ronco primário na infância é muito discutível na ausência de comprovada SAOS (35).
      A síndrome da apnéia obstrutiva do sono caracteriza-se por episódios de obstrução total ou parcial das vias aéreas superiores, durante o sono, associados à queda na saturação de oxigênio ou hipercapnia. Ronco, movimentos paradoxais entre abdômen e tórax, apnéia e sono fragmentado são sintomas noturnos. Os sintomas diurnos variam entre obstrução nasal, respiração bucal, irritabilidade, sonolência excessiva diurna, atraso no desenvolvimento, dificuldade de ganho ponderal e, nos casos mais graves,cor pulmonale e morte. A polissonografia noturna é o padrão-ouro para o diagnóstico, e deve ser realizada em laboratórios do sono com prática no manejo de crianças. A terapêutica da SAOS vai variar de acordo com a sua gravidade, entre seguimento clínico, tratamento medicamentoso (teofilina), cirúrgico (traqueostomia, adenoidectomia-tonsilectomia), ou mecânico (ventilação por pressão positiva nasal - CPAP) (36-39).
      Narcolepsia
      A narcolepsia é uma síndrome clínica, relativamente rara no nosso meio, caracterizada por sonolência excessiva diurna, intromissões diurnas de sono REM (cataplexia e paralisia do sono) e alucinações hipnagógicas. É um distúrbio transmitido de forma hereditária, relacionada ao antígeno classe II HLA DR2 no cromossoma 6. O início dos sintomas geralmente ocorre na adolescência ou na idade adulta, mas em alguns casos pode iniciar na infância. O diagnóstico é feito através de estudo polissonográfico e do teste de múltiplas latências do sono. O tratamento é feito com medicações estimulantes, tais como o metilfenidato, anfetaminas ou antidepressivos tricíclicos (imipramina). Mais recentemente, o modafinil, medicação promotora da vigília, tem sido introduzido na terapêutica da narcolepsia. O tratamento da cataplexia é realizado com clomipramina ou fluoxetina. O pediatra deve ater-se ao fato de que esta é uma doença crônica, e o tratamento é feito de forma contínua, durante toda a vida (40,41).
      Sono e epilepsia
      Existe uma clara influência entre o ciclo sono-vigília e a ocorrência de alguns tipos de crises convulsivas. As crises das epilepsias do tipo ausência e da mioclônica juvenil ocorrem sempre em vigília, durante o dia. As crises das epilepsias de lobo frontal, síndrome de Landau-Kleffner e epilepsia benigna rolândica ocorrem durante o sono ou ao despertar. A privação de sono é reconhecidamente um fator precipitante de crises convulsivas. Por outro lado, as epilepsias também podem trazer alterações na organização do sono, principalmente as encefalopatias epilépticas progressivas, síndrome de West e Lennox-Gastaut, em que pode ocorrer até uma ruptura total dos padrões normais de organização dos estágios do sono. De uma maneira geral, pacientes com epilepsia apresentam sono fragmentado, aumento do número de despertares, aumento dos estágios I e II do sono NREM e diminuição do III e IV. Quando ocorrem crises generalizadas durante a noite, existe também tendência à diminuição do sono REM. O controle das crises com drogas antiepilépticas pode ser efetivo na melhoria destes aspectos. Recomenda-se uma boa higiene do sono e evitar períodos de privação do sono (42,43).
      Distúrbios do sono em crianças com problemas neurológicos e/ou comportamentais
      Distúrbios do sono podem ocorrer associados a qualquer tipo de lesão adquirida ou congênita do diencéfalo e núcleos do tronco cerebral envolvidos na regulação do ciclo sono-vigília e na ciclagem REM-NREM (44).
      As crianças com déficit visual apresentam diversos distúrbios do sono, tais como dificuldade para iniciar sono noturno, despertares noturnos freqüentes, cansaço diurno, e excesso de cochilos diurnos. A causa destes distúrbios deve-se a problemas cronobiológicos, tais como ritmo circadiano livre (44).
      Em algumas síndromes genéticas, com Down e Prader-Willi, ocorrem distúrbios específicos do sono, tais como apnéias obstrutivas na primeira, e hipersonolência diurna na segunda (44).
      Crianças com retardo mental severo geralmente apresentam diversas alterações e desorganização da arquitetura do sono. Os períodos de sono são fragmentados entre o dia e a noite. A abordagem destas crianças deve ser comportamental e farmacológica. O objetivo da terapêutica comportamental é evitar o sono diurno e consolidar o noturno. A terapêutica medicamentosa pode ser realizada com sedativos, como o hidrato de cloral, ou anti-histamínicos. Melatonina na dose de 2-10mg na hora de dormir também pode ser efetiva (44).
      Na síndrome de Rett, doença de predomínio no sexo feminino, caracterizada por retardo mental, microcefalia e distúrbios pervasivos, uma queixa freqüente é a insônia, que deve ser manejada com sedativos(44).
      As crianças com autismo apresentam distúrbios do sono caracterizados por padrão imaturo de sono, alterações na arquitetura não compatíveis com a idade cronológica e alterações funcionais, como dificuldade para iniciar o sono e despertar precoce (46).
      Na síndrome de Tourette, distúrbio neurocomportamental familiar, que é caracterizado por mútiplos tiques motores e fonéticos, comportamento obsessivo-compulsivo e distúrbio da atenção com hiperatividade, observa-se aumento significativo das parassonias (sonambulismo e terror noturno). Em crianças não tratadas, observa-se alterações da arquitetura do sono relacionadas à redução de sono REM, aumento de sono NREM fases III-IV, e fragmentação do sono por despertares noturnos (44).
      No distúrbio da atenção com hiperatividade também são relatados pelos pais problemas de sono. Dificuldade para iniciar o sono, sono agitado, despertares vespertinos são os sintomas mais freqüentes. O uso crônico de metilfenidato parece trazer aumento do tempo total de sono (44).
      Nos pacientes com doenças neuromusculares, que envolvem músculos respiratórios, o distúrbio de sono mais comum é decorrente de hipoventilação e apnéias noturnas, podendo resultar em irritabilidade e sonolência diurna. O tratamento para melhorar o padrão respiratório noturno inclui correção da escoliose, controle de peso, e uso de CPAP nasal (44-47).
      Distúrbios do sono em crianças com problemas respiratórios
      As alterações respiratórias que ocorrem de forma fisiológica durante o sono não trazem nenhum tipo de comprometimento para crianças com pulmões normais. Entretanto, para crianças que possuem doenças pulmonares crônicas e capacidade respiratória limitada, os efeitos do sono sobre a respiração podem resultar em significativas alterações ventilatórias e de troca gasosa (48).
      Na fibrose cística, ocorre hipoxemia noturna, que pode estar associada ao desenvolvimento de cor pulmonale nestes pacientes. Além do tratamento para a doença de base, em casos mais graves tem sido sugerida a utilização de CPAP nasal para melhorar a oxigenação durante o sono (48).
      A asma é caracterizada por períodos de exacerbação noturna, e isto deve-se possivelmente à variação circadiana normal da função pulmonar (melhor durante o dia). Entretanto, foi observado que crianças asmáticas apresentam redução do estágio IV de sono NREM e maior freqüência de despertares noturnos, interrompendo o sono. Parece também haver maior risco de morte em pacientes cuja crise asmática inicia durante a noite. O pediatra deve considerar tanto a sintomatologia diurna como a noturna, realizando um plano terapêutico que contemple ambas as situações. A teofilina deve ser uma das opções terapêuticas nestes pacientes (48,49).

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      Endereço para correspondência:
      Dra. Magda Lahorgue Nunes
      Serviço de Neurologia do Hospital São Lucas da PUCRS
      Av. Ipiranga, 6690/220
      CEP: 90.610-000 - Porto Alegre, RS
      Fone/Fax: (51) 3339.4936
      E-mail: nunes@pucrs.br