segunda-feira, 2 de junho de 2014

Rabdomiosarcoma de cabeça e pescoço na infância




Head and neck rhabdomyosarcoma in childhood


Beatrice Mª J. NevesI, 1; Paulo A. de L. PontesII, 2; Eliana M. CaranIII,3; Claudia FigueiredoIV, 4; Luc L.M. WeckxV, 5; Reginaldo R. Fujita6
IPós-graduanda do Departamento de Otorrinolaringologia e Distúrbios da Comunicação Humana da Universidade Federal de São Paulo, Escola Paulista de Medicina IIProfessor Titular do Departamento de Otorrinolaringologia e Distúrbios da Comunicação Humana da Universidade Federal de São Paulo, Escola Paulista de Medicina IIProfessora Assistente do Instituto de Oncopediatria da Universidade Federal de São Paulo, Escola Paulista de Medicina IIIPós-graduanda do Departamento de Otorrinolaringologia e Distúrbios da Comunicação Humana da Universidade Federal de São Paulo, Escola Paulista de Medicina IVProfessor Associado do Departamento de Otorrinolaringologia e Distúrbios da Comunicação Humana da Universidade Federal de São Paulo, Escola Paulista de Medicina VChefe de Clínicas da Disciplina de Otorrinolaringologia Pediátrica do Depto. de ORL-DCH da UNIFESP-EPM



RESUMO
Rabdomiosarcoma é uma neoplasia maligna originária de células mesenquimais primitivas, podendo ocorrer em qualquer lugar do corpo. É o sarcoma de partes moles mais comum na infância, e localiza-se mais freqüentemente na cabeça e pescoço.
OBJETIVO: Estudar a ocorrência de RMS na cabeça e pescoço na infância, correlacionando aspectos clínicos e histopatológicos.
FORMA DE ESTUDO:
 Clínico retrospectivo.
MÉTODO: Oitenta e dois pacientes com diagnóstico de sarcomas de partes moles, atendidos no Instituto de Oncopediatria da UNIFESP-EPM de 1988 a 2002 foram incluídos neste estudo. Foram estudados os seguintes parâmetros: incidência de RMS na infância e na cabeça e pescoço, distribuição segundo sexo, faixa etária, tipo histológico, localização primária, óbito X localização, causa mortis.
RESULTADOS: Neste estudo 65% dos casos de sarcomas de partes moles corresponderam à RMS; 33% dos casos de RMS localizavam-se na cabeça e pescoço; 77% dos casos de sarcoma de partes moles de cabeça e pescoço corresponderam ao RMS. A média de idade no diagnóstico foi de 7,62 anos, predominando na faixa etária dos 5 aos 9 anos (41%). Em relação ao sexo, encontramos 47% do sexo feminino e 53% do sexo masculino. Quanto ao tipo histológico, o mais comum foi o RMS embrionário correspondendo a 64,6% do total. O sítio primário mais comum foi o orbital (52,8%). Cem por cento, 50% e 33,3% dos pacientes com RMS parameníngeo, não parameníngeo e orbital, respectivamente, evoluíram para óbito.
CONCLUSÃO: 
O RMS é o sarcoma de partes moles mais comum na infância, localizando-se preferencialmente na cabeça e pescoço. Houve predominância do sexo masculino neste estudo; idade média de 7,62 anos predominando a faixa etária dos 5 aos 9 anos. O tipo histológico predominante foi o embrionário e a localização orbital foi mais freqüente. O maior índice de óbito pertenceu aos RMS parameníngeo e o menor ao orbital.
Palavras-chave: rabdomiosarcoma, oncologia pediátrica, neoplasias de cabeça e pescoço.

SUMMARY
Rhabdomyosarcoma (RMS) is a malignant tumor of immature mesenchymal cells; it can arise from any part of the body. RMS is the most common soft tissue sarcomain the childhood and its most frequent primary site is the head and neck.
AIM: The purpose of this study was to review the occurrence of head and neck RMS in childhood and its clinical-histopathologic features.
STUDY DESIGN: Clinical retrospective.
METHOD: Eighty-two patients with soft tissue sarcoma treated in the Institute of Pediatric Oncology, UNIFESP-EPM, between 1988 and 2002 were included in this study. The medical records of the patients with head and neck soft tissue sarcomas were reviewed. The following parameters were analyzed: incidence of RMS in the childhood and in the head and neck, sex, age, histological classification, primary site, follow-up.
RESULTS: 
In this study, 65% of soft tissue sarcomas were RMS; 33% of RMS were in the head and neck region; 77% of soft tissue sarcoma in this region were RMS. The mean age at diagnosis was 7.62 years, 41% were between 5 and 9 years. In this sample, there were 47% men and 53% women. Embryonic RMS was the predominant histological type (64.6%) and the orbit was the most common primary site (52.8%). One hundred percent, 50% and 33.3% of the parameningeal, nonparameningeal and orbital RMS, respectively, led to death.
CONCLUSION: RMS is the most common soft tissue sarcoma in the childhood and the head and neck is the most frequent primary site. Males were more affected by RMS than females. The mean age at diagnosis was 7.62 years and the most frequent age interval was between 5 and 9 years old. The embryonic histological type and the orbit as primary site were predominant. The highest mortality was found for parameningeal RMS and the lowest, for orbital RMS.
Key words: rhabdomyosarcoma, pediatric oncology, head and neck neoplasm.



INTRODUÇÃO
Rabdomiosarcoma (RMS) é uma neoplasia maligna originária de células mesequimais primitivas. É o sarcoma de partes moles mais freqüente na criança, e pode ocorrer em qualquer local do corpo. A expressão clínica da doença está diretamente relacionada à sua localização. O sítio primário mais freqüente do RMS é a cabeça e pescoço seguidos pelo trato gênito-urinário e extremidades.1,2,3 Considerando todos os sarcomas de partes moles de cabeça e pescoço, o RMS é também o mais comum.4,5 Têm predominância pelo sexo masculino com dois picos de incidência: um na primeira década, outro na segunda década de vida.
Existem várias classificações histopatológicas para o RMS. A adotada pelo nosso serviço é a Classificação Internacional de Rabdomiosarcomas. Esta classificação inclui os seguintes subtipos: botrióide, de células fusiformes, embrionário, alveolar, indiferenciado e sem outras especificações (SOE).6 O tipo histológico mais freqüente é o embrionário. RMS botrióide é considerado um subtipo do RMS embrionário e é o de prognóstico mais favorável.1,2,3,7,8
O Intergroup Rhabdomyosarcoma Study (IRS) é uma equipe multidisciplinar, multicêntrica, composta por pesquisadores provenientes de grandes centros para tratamento de câncer nos EUA e Europa. O IRS vem conduzindo vários protocolos que estudam a biologia e o tratamento do RMS em crianças desde 1972, cujos resultados norteiam as condutas em casos de RMS em vários países.
O primeiro IRS (IRS-I) classificou os pacientes com RMS em 4 grupos clínicos baseados na extensão da doença e no tipo de cirurgia realizada (Tabela 1).9,10


A sobrevida está muito relacionada ao grupo clínico a que pertence o paciente. Um estudo realizado pelo IRS mostrou que a sobrevida em cinco anos para pacientes nos grupos clínicos I, II, III, IV foi de 83%, 70%, 52% e 20% respectivamente.1
IRS definiu, na cabeça e pescoço, três grandes regiões anatômicas de acometimento primário pelo RMS com importância para o prognóstico: orbital, parameníngeo, não parameníngeo. A localização parameníngea é a mais freqüente e compreende: fossa infratemporal, nasofaringe, orelha média, mastóide, seios paranasais. A localização não parameníngea compreende todo o resto: parótida, região submandibular, couro cabeludo, orofaringe, laringe.1,2,10 O RMS orbital é o de melhor prognóstico, seguido pelo RMS não parameníngeo e pelo parameníngeo devido à dificuldade de realizar ressecção cirúrgica completa das lesões nesta localização. IRS I referiu sobrevida em 5 anos de 89%, 55% e 47%, para lesões orbitais, não parameníngeas e parameníngeas respectivamente.1
Além do tipo histológico, da localização da lesão, de sua ressecabilidade, o prognóstico depende também do tamanho do tumor e de sua vascularização. Os tumores maiores e mais vascularizados têm pior prognóstico.
O tratamento de escolha para o RMS é uma combinação de cirurgia, quimioterapia, radioterapia como demonstraram os estudos realizados pelo IRS.1,2,7 Antes desses estudos a principal forma de tratamento para o RMS era cirurgia, com sobrevida pobre. Sutow et al. analisaram retrospectivamente prontuários de 78 crianças com diagnóstico de RMS tratados no período de 1946 a 1966, observando sobrevida global em cinco anos igual a 28%.11 Com a terapia combinada, a sobrevida global em cinco anos subiu para 55% no IRS I e 63% no IRS II.1,2
O nosso objetivo é estudar a ocorrência de RMS de cabeça e pescoço na infância e respectivos aspectos clínicos-histopatológicos e evolutivos.

MÉTODO
Oitenta e dois pacientes com diagnóstico de sarcomas de partes moles atendidos no Instituto de Oncopediatria da Universidade Federal de São Paulo – Escola Paulista de Medicina (UNIFESP – EPM) no período de agosto de 1988 a abril de 2002 foram incluídos neste estudo. Selecionamos os 24 prontuários de pacientes com acometimento de cabeça e pescoço (lesões localizadas acima do plano formado pela clavícula e corpo da sétima vértebra cervical). Foram excluídos dois prontuários incompletos. Dos prontuários foram obtidos os seguintes dados: sexo, idade, classificação histológica, grupo clínico, localização da lesão, evolução. Na nossa amostra nenhum paciente foi submetido a cirurgia como terapia definitiva; o procedimento cirúrgico limitou-se à biópsia. A classificação histológica foi realizada pelo Departamento de Anatomia Patológica da UNIFESP – EPM. Os pacientes foram classificados retrospectivamente de acordo com os grupos clínicos estabelecidos pelo IRS.
Foram estudados os seguintes parâmetros:
1) Incidência de RMS na infância
2) Incidência de RMS na cabeça e pescoço na infância
a) Distribuição segundo o sexo.
b) Distribuição segundo faixa etária.
c) Distribuição segundo tipo histológico.
d) Distribuição segundo localização primária.
e) Óbito X Localização da lesão.
f) Causa do óbito.

RESULTADOS
Do total de 80 casos de sarcomas de partes moles que entraram para o estudo, 52 casos corresponderam ao RMS (Gráfico 1), destes últimos, 17 casos localizavam-se na cabeça e pescoço (Gráfico 2). Foram encontrados 22 casos de sarcomas de partes moles de cabeça e pescoço, dos quais 17 eram RMS (Gráfico 3). Os cinco casos restantes de sarcoma de partes moles de cabeça e pescoço corresponderam à: sarcoma alveolar de órbita, leiomiomiosarcoma de mandíbula, fibrosarcoma de seio maxilar, fibrosarcoma de mandíbula, neoplasia mesequimal de lábio.






Em relação aos 17 pacientes com diagnóstico de RMS de cabeça e pescoço, os achados foram:
  • A idade dos pacientes variou de 4 meses a 20 anos com idade média de 7,62 anos.
  • Oitenta e oito por cento dos pacientes pertenciam ao grupo clínico III e 12% ao grupo clínico IV.
  • Tabela 2 mostra uma análise descritiva dos dados encontrados.
  • Tabela 3 mostra a porcentagem de óbito em relação à localização do tumor; fazendo um paralelo com acausa mortis.




DISCUSSÃO
No nosso estudo, 33% dos casos de RMS localizavam-se em região de cabeça e pescoço. Intergroup Rhabdomyosarcoma Study I (IRS I) acompanhou 686 pacientes até 21 anos de idade, com diagnóstico de RMS, por um período de 7 anos; observaram incidência de RMS nesta região igual a 37%.À imagem do primeiro estudo, o IRS II acompanhou 999 crianças, encontrando incidência de 34% de RMS na cabeça e pescoço.2 Karakas et al. realizaram estudo retrospectivo dos prontuários de 51 pacientes; a incidência de RMS nesta localização foi de 31,4%.3
RMS é o sarcoma de partes moles mais comum na cabeça e pescoço na infância. No presente estudo, o RMS foi o responsável por 77% das neoplasias nessa região. Weber et al., analisando retrospectivamente fichas médicas de 188 pacientes adolescentes e adultos com sarcomas de partes moles de cabeça e pescoço, também encontraram um maior número de casos de RMS nesta região, mas numa incidência bem menor (18%).Nos adultos existem outros sarcomas de partes moles a serem considerados, que tem importância devido à maior incidência, por exemplo: liposarcoma, histiocitoma, angiosarcoma, leiomiosarcoma.
Em relação ao sítio primário de acometimento, encontramos em torno de 53% dos pacientes com comprometimento orbital. A literatura aponta a localização parameníngea como a mais freqüente: 50% dos casos de RMS de cabeça e pescoço ocorrem nesta localização.10
O tipo histológico mais freqüente neste estudo foi o RMS embrionário (64,6%) seguido pelo botrióide (11,8%). IRS I e II classificaram os RMS utilizando o "Sistema Convencional": RMS alveolar, embrionário, botrióide, pleomórfico e indiferenciado. No estudo realizado pelo IRS I e II, respectivamente 56% e 51% dos casos eram RMS embrionário.1,2 Karakas et al. também observaram predominância deste tipo histológico em 80,4%.3
Oitenta e oito por cento dos pacientes pertenciam ao grupo clínico III, 12% ao grupo IV. A literatura também mostra uma maior prevalência do grupo clínico III. Segundo Karakas et al., as porcentagens de pacientes nos grupos clínicos I, II, III, IV foram 3,9%, 23,6%, 47%, 25,5%, respectivamente.3 Em relação ao grupo clínico, IRS I encontrou os seguintes resultados: 15%, 25%, 41%, 19%, pertencentes aos grupos I, II, III, IV, respectivamente.1 Da mesma forma, IRS II mostrou as seguintes proporções: 12,5%, 17%, 53,25%, 17,25% do grupo I para o IV, respectivamente.2 Na população deste estudo não houve pacientes nos grupos I e II. Isso se deve ao fato de que nenhum paciente pôde ser submetido à cirurgia como terapia definitiva, devido à localização da lesão. O procedimento cirúrgico limitou-se à biópsia.
A idade média no diagnóstico foi de 7,62 anos, com predominância na faixa etária dos 5 aos 9 anos (41%). O IRS I observou idade média de 7 anos, com predominância na faixa etária de 1 a 4 anos (34%).1 Karakas et al. e Daya et al. relataram idade média de 4,5 e 4,9 anos, respectivamente.3,7
A literatura aponta predominância do RMS de cabeça e pescoço no sexo masculino (59%).7 No nosso estudo encontramos 53% dos pacientes deste sexo.
Dos sete pacientes vivos, 5 encontravam-se livres de doença, todos com diagnóstico de RMS embrionário (1 botrióide), de localização orbital, pertencentes ao grupo clínico III. Dos 2 pacientes vivos com doença, um apresentava RMS alveolar de parótida, pertencente ao grupo clínico IV, resistente ao tratamento, outro era RMS orbital recidivado.
Cem por cento dos pacientes com RMS na localização parameníngea foram a óbito, na maioria por progressão do tumor, confirmando o pior prognóstico da lesão nesta localização.

CONCLUSÃO
Do estudo de 80 casos de sarcoma de partes moles de cabeça e pescoço em crianças pudemos concluir, em relação ao Rabdomiosarcoma:
  1. É o sarcoma de partes moles mais comum na criança como um todo, bem como na região de cabeça e pescoço.
  2. Houve diferença na distribuição quanto ao sexo, com predominância do sexo masculino.
  3. Foi mais comum na faixa etária dos 5 aos 9 anos.
  4. Tipo histológico mais comum foi o embrionário.
  5. Na cabeça e pescoço, o sítio primário orbital foi o mais freqüente.
  6. RMS parameníngeo apresentou um maior índice de óbito, principalmente como resultado da progressão do tumor. O RMS orbital apresentou o menor índice, na maioria por complicação do tratamento.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1. Maurer HM, Beltangady M, Gehan EA et al. The Intergroup Rhabdomyosarcoma Study-I: a final report. Cancer 1988;61:109-220.         [ Links ]
2. Maurer HM, Gehan EA, Beltangady M et al. The Intergroup Rhabdomyosarcoma Study II. Cancer 1993;71:1904-1922.         [ Links ]
3. Karakas Z, Agaoglu L, Biner B et al. Results of Rhabdomyosarcoma treatment in a developing country. Acta Med Okayama 2000;54(4):173-177.         [ Links ]
4. Weber RS, Benjamin RS, Peters LJ et al. Soft Tissue Sarcomas of the Head and Neck in Adolescents and Adults. Am J Surg 1986;152:386-392.         [ Links ]
5. Gorsky M, Epstein JB. Head and Neck and intra-oral soft tissue sarcomas. Oral Oncology 1998;34:292-296.        [ Links ]
6. Asmar L, Gehan EA, Newton WA, et al. Agreement among and within Groups of Pathologists in the Classification of Rhabdomyosarcoma and Related Childhood Sarcomas. Cancer 1994;74:2579-2588.         [ Links ]
7. Daya H, Chan HSL, Sirkin W, Forte V. Pediatric Rhabdomyosarcoma of the Head and Neck. Is There a Place for Surgical Management? Arch Otolaryngol Head and Neck Surg 2000;126:468-472.         [ Links ]
8. Wharam MD, Beltangady MS, Heyn RM et al. Pediatric Orofacial and Laryngopharyngeal Rhabdomyosarcoma. An Intergroup Rhabdomyosarcoma Study Report. Arch Otolaryngol Head and Neck Surg 1987;113:1225-1227.        [ Links ]
9. Maurer HM, Moon T, Donaldson M et al. The Intergroup Rhabdomyosarcoma. A Preliminary Report. Cancer 1977;40:2012-2026.         [ Links ]
10. Wexler LH, Helman LJ. In: Pizzo PA, Poplack DG. Principles and Practice of Pediatric Oncology. 3ª edição. Philadelphia: Lippincot-Raven Publishers; 1997. 799-         [ Links ]
11. Sutow WW, Sullivan MP, Ried HL et al. Prognosis in Childhood Rhabdomyosarcoma. Cancer 1970;25:1384-1390.         [ Links ]


Endereço para correspondência Dra. Beatrice Mª J. Neves
Rua dos Otonis, 684 V. Clementino São Paulo SP 04025-001
Fone/fax: (0xx11) 5539-7723
E-mail: asabranca@uol.com.br
Trabalho realizado na Disciplina de Otorrinolaringologia Pediátrica do Departamento de Otorrinolaringologia e Distúrbios da Comunicação Humana da UNIFESP-EPM; apresentado no 36º Congresso Brasileiro de otorrinolaringologia, no período de 19 a 23 de novembro de 2002.
Artigo recebido em 04 de dezembro de 2002.
Artigo aceito em 23 de janeiro de 2003.


1 Pós-graduanda do Departamento de Otorrinolaringologia e Distúrbios da Comunicação Humana da Universidade Federal de São Paulo – Escola Paulista de Medicina. 2 Professor Titular do Departamento de Otorrinolaringologia e Distúrbios da Comunicação Humana da Universidade Federal de São Paulo – Escola Paulista de Medicina. 2 Professora Assistente do Instituto de Oncopediatria da Universidade Federal de São Paulo – Escola Paulista de Medicina. 3 Pós-graduanda do Departamento de Otorrinolaringologia e Distúrbios da Comunicação Humana da Universidade Federal de São Paulo – Escola Paulista de Medicina. 4 Professor Associado do Departamento de Otorrinolaringologia e Distúrbios da Comunicação Humana da Universidade Federal de São Paulo – Escola Paulista de Medicina. 5 Chefe de Clínicas da Disciplina de Otorrinolaringologia Pediátrica do Depto. de ORL-DCH da UNIFESP-EPM.

domingo, 1 de junho de 2014

8 dicas de dermatologistas para ter uma pele mais jovem


Não param de surgir produtos no mercado, cada vez mais caros, para melhorar sua pele, combater o envelhecimento, prevenir ou combater rugas, acne ou outros problemas.
Só que não adianta ter um arsenal de cremes se você não souber aproveitá-los. “As pessoas muitas vezespensam que quanto mais caro um produto, mais eficaz ele será”, disse a dermatologista americana Susan C. Taylor. “Isso não é sempre o caso. As pessoas precisam fazer compras inteligentes, já que há produtos muito eficazes a preços acessíveis”.
E não basta apenas comprar cremes de qualidade. Existem maneiras corretas de aplicá-los, e dicas que você deve seguir, como estar com a pele limpa e fazer movimentos suaves. Os especialistas andam se preocupando cada vez mais com isso, tanto que a Academia Americana de Dermatologia até lançou um vídeo do passo a passo para aplicar cremes no rosto da maneira correta.
A Dra. Taylor também dá suas dicas para obter o máximo de resultado na pele. Confira:
1 – Use protetor solar
Essa dica preciosa é antiga, mas de fato é a que faz mais diferença. A expressão fotoenvelhecimento é usada hoje em dia para caracterizar alterações causadas pelo sol em nossa pele, como rugas, manchas, asperezas, etc. Ou seja, o engrossamento e enrugamento gradual da pele por conta da exposição solar. Não sei se você sabia disso, mas nem sempre é o processo de envelhecer em si que altera nossa pele. O processo que mais a danifica é o sol! Ele pode ser o responsável pela aparência “velha” de uma pele, e pode deixar alguém parecendo ter bem mais idade do que realmente tem.
Então, use protetor solar todos os dias, porque os raios solares podem acelerar os sinais de envelhecimento. Use um hidratante facial com filtro solar de proteção de pelo menos 30. Certifique-se de aplicá-lo por toda a pele que não está coberta pela roupa.
2 – Não se bronzeie
Não existe bronzeado seguro. Seja no sol ou nas câmaras de bronzeamento, você estará exposto a raios ultravioletas prejudiciais, que não só podem acelerar o envelhecimento, como podem causar câncer de pele. Tanto que, no Brasil, há mais de dois anos, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proíbe o uso de câmaras de bronzeamento artificial. Isso porque, de acordo com um estudo da Agência Internacional para Pesquisas sobre Câncer, fazer uso desta máquina aumenta em 75% as chances de melanoma, o mais grave entre os tipos de câncer de pele, pois é sempre maligno. O UVA, tipo de raio ultravioleta que nos atinge o ano todo de forma constante, está presente nessas câmaras muitas vezes em doses mais altas do que na radiação proveniente do sol, sendo que é o principal causador do fotoenvelhecimento.
3 – Hidrate-se
Hidratar-se, mesmo usando faixas umedecidas com água na pele, pode ajudar a reduzir o aparecimento de algumas linhas finas e tornar a sua pele mais brilhante e jovem.
4 – Teste os produtos antes de usá-los
Você deve testar qualquer produto antes de comprá-lo ou usá-lo, até mesmo os rotulados de “hipoalergênicos”. Para testar, aplique uma pequena quantidade do produto no antebraço interior duas vezes por dia durante quatro a cinco dias. Se você não tiver uma reação, é provavelmente seguro aplicá-lo em seu rosto. Tenha paciência, pois esse procedimento é importante. Já imaginou ter alguma reação no rosto inteiro? O oposto do que você desejava quanto adquiriu o produto.
5 – Use o produto conforme indicação
Ninguém costuma ler as embalagens ou instruções de produtos, mas eles merecem essa atenção, especialmente os que vão no seu rosto. Os ingredientes ativos dos cremes podem fazer mais mal do que bem quando são muito usados. Aplicar mais do que o indicado pode causar obstrução dos poros, manchas e outros efeitos indesejados.
6 – Não use produtos que irritam a pele
Tem gente que acha que, porque a pele está queimando ou pinicando, ou qualquer outra coisa, é porque o produto está funcionando. Essa ideia é errada! Pare de usar produtos que irritam a pele dessa forma, a não ser que forem prescritos por um dermatologista. Irritar a pele faz com que os sinais de envelhecimento fiquem mais perceptíveis.
7 – Limite o número de produtos que usa
Usar muitos produtos em sua pele, especialmente mais de um produto antienvelhecimento, tende a irritá-la. É como o item acima diz: isso faz com que os sinais de envelhecimento fiquem mais perceptíveis, portanto, tem o efeito contrário do desejado.
8 – Tenha paciência
“É muito importante que as pessoas deem um tempo para que o produto funcione. Enquanto um hidratante pode imediatamente melhorar certos aspectos, a maioria dos produtos precisa de pelo menos seis semanas para trabalhar na pele”, explica a Dra. Taylor. “Consulte um dermatologista se depois de seguir essas dicas você ainda não vê os resultados esperados”, conclui.
É, é muito importante cuidar da pele sim. Pela saúde, em primeiro lugar, mas também porque estudos mostram que uma pele bonita é mais importante do que o rosto para tornar alguém atraente. Já imaginou?[ScienceDaily]

Noções de anátomo-fisiologia da pele


A pele é o maior órgão do corpo humano correspondendo à cerca de 5% do seu peso total. Funcionalmente age como um envoltório de proteção ao meio externo controlando a perda de fluidos corporais, evitando a penetração de substâncias estranhas e nocivas ao organismo, atuando assim como uma capa protetora e uma barreira impermeável a muitas substâncias.
Funções da pele
  • Barreira química: impermeabilidade a água e eletrólitos, relativa resistência a agentes corrosivos, retarda a proliferação de microorganismos devido a superfície seca, limita a passagem de moléculas.
  • Barreira microbiana: pH cutâneo à barreira ácida à impedindo o crescimento de microorganismos. Queratina e pH ácido à barreira microorganismos. Secreção sebácea e sudoral -> manto ácido
  • Barreira a radiações solares: Melanina promove a reflexão de energia.
  • Barreira térmica: mantém a temperatura em torno de 36,5 °C.
    • Vasos sanguíneos promovem vasoconstrição periférica (frio) e vasodilatação periférica (calor).
    • Glândulas sudoríparas à esfriam a superfície corporal
    • Diminuição do calor corporal à ereção dos pêlos
  • Barreira elétrica
  • Proteção imunológica
  • Percepção sensorial: calor, frio, tato dor.
  • Atração sexual
  • Regulação hemodinâmica
Características anatômicas da pele
  • Lisa ou rugosa
  • Pregueada ou não
  • Grossa ou fina e transparente
  • Firme ou flácida
  • Com pêlos ou não
  • Cor: clara, intermediária ou escura
Desenvolvimento da pele
1° mês: células cubóides
2° mês: camada basal; início da camada espinhosa; estruturas nervosas (células de Schwann) e axônios
3° mês: feixes de colágeno, cabelos, melanócitos, vasos sanguíneos
4° mês: tecidos adiposos, glândulas sebáceas e nervos amielínicos
5° mês: fibras elásticas, hipoderme, pêlo, glândulas sudoríparas
6° mês: camada espinhosa, queratinização e glândulas sudoríparas
7° mês: desenvolvimento do canal sudoríparo
9° mês: ducto excretor atinge a epiderme (poros)
Fisiologia da pele
  • Epiderme (tecido em constante renovação);
  • Capa granulosa (células vivas);
  • Capa córnea (células mortas, repletas de queratina);
  • Diferenciação celular epidérmica (mantêm barreira, eficaz proteção tecidos delicados da agressividade do meio ambiente);
  • Proteínas (elaboradas na epiderme);
  • Fibrilas (elaboradas nas capas inferiores).
Divisão
A pele é dividida em três camadas com funções distintas:
  1. Epiderme: é a mais externa e principal barreira de defesa
  2. Derme: intermediária e vascularizada
  3. Hipoderme: é a mais profunda, constituída de tecido gorduroso.
Anexos: Glândulas sudoríparas, glândulas sebáceas, pêlos e unhas.
Epiderme
É um tecido em constante renovação. Possuem uma membrana impermeável à quase todas as substâncias (sólidas, líquidas ou gasosas). Na epiderme ocorre diferenciação celular que mantém a barreira (eficaz proteção tecidos delicados da agressividade do meio ambiente).
A epiderme é uma camada com profundidade diferente conforme a região do corpo. Zonas sujeitas a maior atrito como palmas das mãos e pés têm uma camada mais grossa (conhecida como pele glabra), e chegam a até 2 mm de espessura.
A epiderme é constituída por um epitélio estratificado pavimentoso (células escamosas em várias camadas). A célula principal é o queratinócito (ou ceratinócito), que produz a queratina. A queratina é uma proteína resistente e impermeável responsável pela proteção. Existem também ninhos de melanócitos (produtores de melanina, um pigmento castanho que absorve os raios UV); e células imunitárias, principalmente células de Langerhans, gigantes e com prolongamentos membranares.
A epiderme não possui vasos: os nutrientes e oxigênio chegam à epiderme por difusão a partir de vasos sangüíneos da derme. A epiderme apresenta várias camadas. A origem da multiplicação celular é a camada basal. Todas as outras são constituídas de células cada vez mais diferenciadas que com o crescimento basal vão ficando cada vez mais periféricas, acabando por descamar e cair (uma origem importante do pó que se acumula nos locais onde vivem pessoas ou animais).
Composição química
  • 70% de água (10% - camada córnea);
  • Proteínas (elaboradas na epiderme);
  • Eletrólitos (cloreto de sódio, potássio e magnésio)
A epiderme é constituída de um epitélio multiestratificado (4 camadas celulares distintas) composto por células de Malpighi (germinativas) que apresentam atividades específicas em suas diferentes camadas e o estrato córneo.
1) Estrato Córneo: é a camada mais superficial, composta por células mortas (corneócitos), repletas de queratina. Possui substância cerosa (colesterol, aminoácidos, polipeptídeos, derivados lipídicos), produtos de degradação núcleo-citoplasmática, hidratos de carbono e proteínas celulares, aminoácidos, açúcares, ácido úrico e água.
2) Estrato Granuloso: composto por queratohialina (proteína refletora da luz e que dá opacidade à pele). São células vivas.
3) Estrato Espinhoso: encontram-se os desmossomas, estruturas responsáveis pela estabilidade da epiderme contra distorções mecânicas e os queratinócitos, células fundamentais para a coloração da pele. Possui camadas de queratinócitos (queratinização) e camadas profundas (grânulos de melanina). Glicogênio (funções metabólicas e reprodução de células epidérmicas).
4) Estrato Basal: onde ocorre a síntese de lipídios e de proteínas (queratinização). Divisão celular ativa com deslocamento de células para a superfície.
Derme
Nutre a epiderme, composta por tecido fibroso (proteínas fibrosas, colágeno, elastinae ácido hialurônico).
Composição química
  • Substância fundamental (mucopolissacarídeos ou glicídeos complexos e ácidos urônicos);
  • Componentes lipídicos (ésteres de colesterol, ácidos graxos livres, colesterol livre e fosfolipídios);
Colágeno: responsável pela elasticidade da pele. Contém 95% de hidroxiprolina. Armazena e libera água (pH, temperatura e concentração iônica do meio circulante).
Elastina: 2% do peso seco da pele humana. Elasticidade (hidratação).
Função: sustentar a epiderme.
Importância biológica da derme
Possui propriedades hidrofílicas do colágeno e mucopolissacarídeos da substância fundamental, é responsável pela capacidade de armazenar e ceder rapidamente água.
Hipoderme – Tecido Subcutâneo
É a camada mais profunda da pele. A hiporderme antes considerada como uma terceira camada da pele, hoje é considerada como tecido subcutâneo.
Composição: fibras colágenas, células adiposas, triglicérides, colesterol, vitaminas, água, folículos pilosos e glândulas.
Função: Protege contra traumatismo os vasos e os nervos, isolante térmico, turgidez da pele, função protetora dos órgãos internos.
Microbiota cutânea normal
  • Microbiota transitória - microorganismo não proliferativo;
  • Microbiota permanente - pequeno número de germes que se multiplicam sobre a pele;
Compreendem:
  • Micrococos (condutos excretores das glândulas sebáceas, não patógenos);
  • Propionibacterium acnes (cresce na profundidade do folículo piloso);
  • Difteróides (não patógenos);
  • Fungos lopofílicos (P. ovale* e P. orbiculare**);
  • P. ovale (couro cabeludo, conduto auditivo externo, rosto);
  • ** P. orbiculares (mesma localização).
Curiosidades sobre a pele
1cm² de pele contém:
  • 6 milhões de células
  • 2 mil melanócitos
  • 15 glândulas sebáceas
  • 5 folículos pilosos
  • 1 metro de vasos sangüíneos
  • 100 glândulas sudoríparas
  • 5 metros de nervos
  • 12 pontos criosensíveis
  • 2 pontos termosensíveis
pH corporal
  • Couro cabeludo: 4,0
  • Rosto: 4,7
  • Axilas: 6,5
  • Pregas interdigitais: 7,0
  • Tronco: 4,7
  • Prega mamária: 6,0
  • Perna, tornozelo: 7,0
Anexos cutâneos
A estrutura da pele compreende ainda o sistema queratínico e seus anexos:
Pêlos: Constituído por células queratinizadas (implantadas profundamente na derme); Glândulas Sebáceas (unidade pilo-sebácea).
Glândulas Sudoríparas:são divididas em apócrinas e écrinas.
Écrinas: Presente nas superfícies (palma e planta dos pés); Regula equilíbrio corporal térmico.
Apócrinas: Axilas, zona perigenital (controle hormonal).
Composição aproximada da secreção de glândulas sudoríparas:
  • Aminoácidos: 40,0%
  • Lactatos: 12,0%
  • Uréia: 7,0%
  • Amônia: 1,5%
  • Ac úrico: 1,5%
  • Creatinina: 1,5%
  • Glicosamina: 1,5%
  • Fosfatos e cloretos: 18,5%
  • Açúcares: 8,0%
  • Peptídeos: 8,0%
  • Outros: 8,0%
Glândulas sebáceas: flexibilidade, camada lubrificante para os pêlos e a pele.
  • Formações anexas ao folículo piloso;
  • Secretam o sebo que juntamente com a secreção sudoral lubrificam a pele;
  • Couro cabeludo, rosto, conduto auditivo externo, etc.
  • Distribuídas por todo o corpo;
  • Exceção (palmas, planta dos pés, lábio inferior);
  • Parte média da derme, envolta de vasos sanguíneos (sem inervação);
  • São glândulas holócrinas (secreção se forma por desintegração total de suas células).
Composição aproximada da secreção sebácea humana:
  • Ácidos graxos livres: 28 - 30%
  • Triglicérides: 32 - 25%
  • Ceras: 14 - 25%
  • Colesterol: 4 - 5%
  • Ésteres: 4 - 5%
  • Esqualeno: 4 - 5%
  • Outros hidrocarbonetos: 8 - 14 %
  • Esteróides: 9 - 10 %
Manto hidrolipídico da superfície cutânea: Triglicérides; Colesterol; Ceras; Traços de fosfolipídeos.
Fatores que influenciam no controle da secreção e excreção sebácea
  • Fricções repetidas;
  • Temperatura cutânea;
  • Restrição calórica;
  • Idade;
  • Hormônios;
  • Influência neurológica.
Unhas
Função protetora. São células queratinizadas constituídas de formações epidérmicas córneas (dorso da 3ª falange dos dedos). Inicia-se na 20° semana.
Composição química: rica em Co, Mn, Zn, Fe e Ca, fosfolipídios.
Dureza: alto teor de enxofre
Funções: Proteção da porção distal, facilitando movimentos finos, capacitando a apreensão de pequenos objetos.
Crescimento mais rápido: durante o dia, gravidez, mão direita, jovens, unhas das mãos, 2°, 3° e 4° dedos, homens, psoríase, hipertireoídismo.
Crescimento mais lento: à noite, recém-nascidos, mão esquerda, idosos, unhas dos pés, inverno, polegar e 5° dedo, mulheres, imobilização dos dedos, metotrexate hipotireoidismo, desnutrição.
Curiosidades das unhas
  • Crescem: 0,1 mm ao dia; 3,0 mm ao mês e aproximadamente 1,0 cm a cada 3 meses
  • Unhas pés: crescem 1/3 da taxa de crescimento das unhas das mãos e levam de 8 a 12 meses para se renovar
  • Espessura: 0,5 a 0,75 mm
Queratinização
- Processo no qual se formam as proteínas características do pêlo, unhas e da epiderme;
- Oxidação (2 moléculas de cisteína) forma 1 molécula de cistina;
- Queratina (principal componente da capa córnea).
Sistema pigmentário
Melanina: pigmento contido em organelas intracelulares denominadas melanossomas.
Papel Fisiológico da melanina: Cor cutânea e fotoproteção. A melanina produzida pelos seus melanócitos protege contra a radiação, principalmente UV.
Unidade Melânica epidérmica: contém 36 queratinócitos e 1 melanócito.
Barreira epidérmica x Permeabilidade da superfície cutânea
A epiderme possui membrana carregada negativamente; essencialmente impermeável aos eletrólitos (penetração de sais é desprezível). Cerca de 70% das substâncias aplicadas na pele não ultrapassam nem o estrato córneo à uma consideração importante ao desenvolver um cosmético.
Via de penetração
  • Folículo pilosebáceo (mais importante);
  • Compostos lipossolúveis possuem grande poder de penetração.
Tipos de permeabilidade cutânea
  • Penetração cutânea: apenas se infiltram entre as camadas da epiderme
  • Embebição: simples penetração nas estruturas epidérmicas superficiais;
  • Absorção cutânea: substância infiltra até a derme à circulação sanguínea e linfática à efeitos sistêmicos.
  • Adsorção deposição, com ou sem união química, sobre a superfície cutânea (porção mais superficial dos anexos).
  • Reabsorção: captação de substâncias por tecidos, vasos sanguíneos, linfáticos.
Condições da superfície da pele
Quanto maior a espessura à dificuldade penetração
Vias foliculares e glandulares à permeabilidade
Fatores que influenciam a absorção percutânea
  • pH cutâneo e tipo de pele
  • Carga elétrica das substâncias que compõe a pele
  • Natureza das substâncias: Lipossolúveis à penetram através de canais pilo - sebáceos e via intercelular. Hidrossolúveis à canal sudoríparo à pequeno à dificuldade de penetração. Via intercelular à dificultada pela emulsão epicutânea.
  • Oxidação e redução das substâncias que atravessam a pele
  • Tamanho e peso molecular
  • Tipo de veículo que se emprega: Emulsões à se identificam com as emulsões epicutâneas.
    • Emulsões O/A
    • Tensoativos
Técnicas para aumentar a penetração
  • Desengorduramento superficial
  • Massagem
  • Calor
  • Hidratação
  • Esfoliação
  • Eletrólitos à íons positivos penetram mais fácil
  • Ionização à corrente galvânica à introduzidas por iontoforese à pilocarpina quando ionizada aumenta 10x a capacidade de penetração.
Mecanismo de Umectação da Capa Córnea
  • Manto lipídico da superfície cutânea (deduz-se que ele esteja em estado de emulsão);
  • A pele (funções fisiológicas) requer lipídeos e umectação;
  • Quando se dissolvem os constituintes presentes na epiderme (fatores de umectação natural - NMF) ocorre perda da flexibilidade cutânea.
Composição dos NMF (Fator natural de umectação da pele)
  • Aminoácidos Livres (glicina, serina, alanina, asparagina, ornitina, citrulina, prolina, outros);
  • Ácido pirrolidônico carboxílico;
  • Uréia;
  • Lactatos (sais sódico);
  • Ácido Lático, glicosamina;
  • Sódio; Potássio; Cálcio; Fosfatos; Cloretos; Citratos.
Mecanismos que controlam a Hidratação e Lubrificação cutânea
  • Flexibilidade e textura cutânea (grau de hidratação da capa córnea da epiderme);
  • Umidade ambiente baixa (capa córnea perde água);
  • Umidade ambiente alta (capa córnea absorve água);
  • Lipídeos (propriedades protetoras e amolecedoras);
  • Lipídeos e suor (emulsão).
TIPOS DE PELE
Pele seca
  • Mais comum a partir dos 35 anos de idade
  • Fina, esticada e sensível, tem tendência a escamações.
  • Pouco brilho
  • Poros pouco aparentes, praticamente invisíveis.
  • Tendência a apresentar rugas precoces ao redor de olhos e boca
  • Aparência opaca, devido à falta de umidade natural.
  • Não apresenta brilho. É seca em todo o rosto e as bochechas repuxam.
  • A pele é fina e com tendência a enrugar mais facilmente.
  • É seca por deficiência de produção das glândulas sebáceas.
  • Não se deve confundir pele seca com pele desidratada, pois a pele seca é por falta de gorduras e não por falta de umidade.
  • Possuem hipersensibilidade aos produtos alcalinos, sabão comum, ventos, sol, etc.
  • Irrita-se facilmente e está sempre sujeita a descamação e rachaduras, por este motivo tem facilidade para enrugar-se precocemente.
  • Evitar as limpezas freqüentes com produtos alcalinos, excesso de maquilagem e exposição demorada ao sol  e vento.
São utilizados extratos de camomila nas concentrações de 2% onde esta possui ação tópica antiinflamatória, antialérgica, descongestionante e refrescante.
Podemos utilizar também o extrato de jojoba nas concentrações de 1 a 5% como emoliente principal.
Pele oleosa
  • Mais comum entre os 15 e 35 anos de idade
  • É muito brilhante, espessa e gordurosa com tendência a cravos e espinhas, principalmente na zona T (testa, nariz e queixo). As impurezas penetram com muita facilidade nos poros dilatados provocando o aparecimento de espinhas e de cravos.
  • Poros dilatados e visíveis, em geral obstruídos pela hiperatividade das glândulas sebáceas. Existe nela, um processo de excesso de secreção sebácea, motivando na maioria das vezes por desequilíbrio hormonal ou endócrino. As ansiedades e choques nervosos desequilibram o sistema glandular.
  • Poucas rugas, porém profundas.
  • Deve ser mantida sempre bem limpa.
Pele Normal
  • A pele normal é sedosa
  • Poros fechados e sem cravos
  • Não brilha, nem repuxa.
  • Possui uma textura aveludada.
A pele normal não exige nenhum tratamento. Os cuidados são destinados apenas para sua conservação. Deve evitar excessos de maquilagem e hidratá-la pela manhã e noite, suavemente com as pontas dos dedos.
Pele Mista
  • Apresenta oleosidade na Zona T (testa, nariz e queixo), e mais seca ou normal nas maças do rosto e ao redor dos olhos.
  • Este grupo pertence à maioria das pessoas.
  • Em primeiro lugar faça uma compressa com água de rosas ou de Hamamélis no nariz, testa e queixo, para reduzir a oleosidade. Deixe um algodão embebido com um desses líquidos  por alguns minutos sobre a pele.
Pele Sensível
  • Pele delicada que manifesta, esporadicamente, reação irritativa.
  • A pele normal ou mista pode ser sensível, assim como a oleosa e a seca.
  • Fatores como sol, estresse, poluição e idade podem estimular a sensibilidade.
Modificações cutâneas na gravidez
  • Modificação da textura cutânea;
  • Aumento da pigmentação;
  • Eritema palmar;
  • Secreções glandulares (sebáceas e exócrinas);
  • Estrias atróficas (­conteúdo hídrico na derme e hipoderme);
Cuidados Cosméticos
  • Emulsões emolientes e hidratantes;
  • Emulsão para higiene cutânea;
  • Cosméticos fotoprotetores.
Finalidade
  • Manter adequada retenção hídrica (capa córnea);
  • Aumentar o grau de flexibilidade;
  • Melhor adaptação às mudanças fisiológicas.
Pele do recém-nascido
Características: pele mole, suave, delgada; poucos pêlos; unhas delgadas e côncavas.
Dermatoses freqüentes:enzimas seborréicas do lactente; Dermatite da fralda.
Glândulas Sebáceas: bem desenvolvidas; película sebácea rica em triglicérides, ácidos graxos livres e ésteres de cera; pobre em colesterol. Obs.: 4 anos - rico em colesterol.
Glândulas Sudoríparas: Função sudoral écrina escassa, que aumenta no 3º dia de vida, alcançando a função do adulto rapidamente.
Quais são os passos básicos e eternos dos cuidados com o rosto?
Os passos da prevenção diária
  1. Limpeza,
  2. Tonificação,
  3. Hidratação e
  4. Proteção com filtro-solar
Os passos da prevenção semanal
  1. Limpeza,
  2. Esfoliação,
  3. Nutrição,
  4. Tonificação,
  5. Hidratação e
  6. Proteção com filtro-solar.
Os passos básicos preservam as características naturais da pele e, ao mesmo tempo, previnem o envelhecimento.
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